O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta terça-feira, 15, que reduzir o preço do feijão e do arroz continua sendo uma tarefa do governo, mesmo com os avanços no controle da inflação e na recuperação da renda da população. Em entrevista ao Jornal da Record, no Palácio da Alvorada, Lula reconheceu que os resultados da economia ainda precisam se traduzir em mais alívio para as famílias na hora de comprar comida.
“Resolveu tudo? Não, não resolveu tudo porque nós precisamos baratear o preço do feijão e do arroz”, afirmou Lula, reconhecendo que, apesar da melhora da renda e dos indicadores de inflação, o custo de vida permanece um desafio.
Para enfrentar esse problema, Lula apontou a ampliação da oferta de alimentos, a geração de empregos e os aumentos salariais como prioridades. O tema integra seus compromissos para melhorar as condições de vida dos brasileiros e foi retomado quando os entrevistadores perguntaram sobre a percepção de que o dinheiro ainda não é suficiente para as despesas do mês.
“Nós sabemos que é preciso aumentar a produção de alimento mais barato, que é preciso aumentar emprego e aumentar salário pra gente poder resolver o problema do custo de vida e manter a inflação controlada”, declarou.
Lula usou o arroz como exemplo de um produto que, segundo os valores apresentados por ele, ficou mais barato desde o início de seu terceiro mandato. Na comparação feita pelo presidente durante a entrevista, o quilo custava R$ 7,96, no fim do Governo Bolsonaro, e agora está em R$ 4,93.
“Se a gente fosse manter a inflação que estava no governo dele [de Jair Bolsonaro], sabe quanto seria o preço do arroz hoje? R$ 8,43. Uma demonstração de que a gente não resolveu tudo, mas os passos que nós demos para evitar que o povo morra de fome foram muito grandes”, afirmou.
O presidente relacionou a redução do custo dos alimentos à retomada das políticas de combate à fome e de distribuição de renda. Ressaltou, porém, que os avanços não encerram o trabalho necessário para ampliar o poder de compra da população.
“Não resolveu tudo, não. Nós temos que fazer muito mais. E é por isso que eu sou candidato outra vez, porque se eu não fizer, os mequetrefes que disputam comigo não vão fazer”, disse.
Endividamento e a destruição promovida por Bolsonaro
O presidente também tratou do endividamento das famílias e diferenciou a existência de compromissos financeiros da incapacidade de quitá-los. Questionado sobre as dificuldades dos brasileiros mesmo após iniciativas como o Desenrola, afirmou que a atenção deve se concentrar especialmente em quem está com pagamentos atrasados.
“O problema não é a dívida, o problema é o cara não poder pagar sua dívida. Nós temos que saber como ajudar essas pessoas a sair da inadimplência”, disse.
O presidente também atribuiu parte das dificuldades enfrentadas desde 2023 à necessidade de recompor políticas públicas e investimentos após o Governo Bolsonaro. Citou cortes em áreas como saúde, educação, habitação, acesso à água e prevenção de desastres.
“Pegamos um país destruído e levamos dois anos e meio pra botar a casa em ordem”, afirmou, relacionando a recuperação dessas políticas à retomada da proteção social e da atividade econômica.
Lula reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal e argumentou que o equilíbrio das contas públicas é necessário para proteger a população mais vulnerável. O presidente recordou os resultados de seus primeiros governos e disse que sua preocupação com o orçamento vem de um ensinamento familiar.
“Vou continuar tendo responsabilidade fiscal porque tomar conta do dinheiro da nossa casa, do nosso país, é da nossa responsabilidade. Se a gente deixar as contas desequilibrarem, quem perde é o povo pobre”, destacou.