A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que tem o presidente Lula como candidato à reeleição e Geraldo Alckmin como vice, acionou novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo, 6, contra uma propaganda veiculada no rádio e na televisão por Flávio Bolsonaro (PL), que distorce uma fala do presidente sobre trabalhadores da limpeza urbana. É a segunda representação apresentada pela coligação sobre o mesmo episódio.
A campanha de Flávio Bolsonaro voltou a utilizar um trecho editado da declaração feita por Lula em 29 de agosto, durante o Ato Nacional Mulheres com Lula, em Belo Horizonte (MG), mesmo após a coligação já ter recorrido à Justiça Eleitoral para contestar a mesma estratégia de edição.
A propaganda retira a fala do contexto e sugere que o presidente teria desvalorizado a profissão de gari, quando o conteúdo integral mostra que Lula chamava atenção justamente para a invisibilidade social desses trabalhadores e para a importância de sua atividade.
Na ocasião, Lula falava sobre a forma como diferentes profissões são socialmente valorizadas e sobre a invisibilidade enfrentada pela população pobre.
“Eu fico pensando: se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles, se eles soubessem que se eles não tirarem o lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam eles durante o dia inteiro vão passar a enxergar, a gente começa a mudar. Porque o pobre é tratado como se fosse invisível. As pessoas não enxergam a maioria dos pobres”, afirmou Lula na ocasião.
Direito de resposta e retirada imediata da propaganda
Na ação, os advogados da coligação O Brasil Pronto pra Mais pedem a retirada imediata da propaganda do ar, sob pena de multa, e a concessão de direito de resposta em tempo equivalente ao utilizado na peça questionada. O objetivo é permitir que os eleitores tenham acesso à íntegra da declaração de Lula e ao contexto em que a fala foi feita.
A petição também contrapõe a interpretação apresentada pela propaganda à trajetória política do presidente e às medidas adotadas em seu mandato em defesa dos trabalhadores. No texto proposto para o direito de resposta, a coligação afirma:
“Lula é um homem que veio de baixo, não é herdeiro político e defende o trabalhador. Por isso, zerou o imposto de renda dos garis e está na luta contra a escala 6 x 1. Não acredite em quem corta uma fala para enganar o povo. A verdade vai vencer a mentira.”