O candidato do Partido dos Trabalhadores para o governo de São Paulo, Fernando Haddad, fez neste sábado, 5 , em São José do Rio Preto (SP), duras críticas à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defendeu uma mudança de rumo no estado. Haddad apontou problemas nas contas públicas, na educação, na saúde e na segurança e afirmou estar preparado para reconstruir as políticas públicas paulistas.
Ex-ministro da Educação de Lula, Haddad destacou que educação não é prioridade da extrema direita e que o bolsonarismo tem na desinformação uma de suas principais ferramentas políticas.
“O bolsonarismo odeia a educação, porque ele se nutre da deseducação, ele se alimenta da ignorância. Ele trabalha com a ignorância e com a desinformação. A cultura e a verdade são o que mais incomoda o bolsonarismo”, disse.
Haddad lembrou que o ensino médio público de São Paulo ocupava a primeira posição nacional em 2015 e afirmou que, depois de chegar ao terceiro lugar, o estado caiu para a décima colocação durante a gestão Tarcísio.
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, e de seu companheiro de chapa, Márcio França (PSB), ele ainda destacou que o estado de São Paulo vive uma situação fiscal que não enfrentava há décadas. O candidato denunciou que Tarcísio recebeu o governo com R$ 22 bilhões em caixa e que hoje o estado teria cerca de R$ 5 bilhões disponíveis.
“São Paulo tem as contas arrumadas desde o governo Covas, 30 anos atrás. Agora, nós vamos pegar o estado com déficit orçamentário. Isso que está acontecendo no estado de São Paulo não acontece há 30 anos”, afirmou.
Legado de Lula
Haddad citou a expansão das universidades federais, o Prouni e as mudanças no Fies como exemplos de políticas que ampliaram o acesso ao ensino superior.
“Se hoje o filho do trabalhador pode fazer universidade, é por causa daquele senhor ali chamado Luiz Inácio Lula da Silva”, disse, apontando para o presidente.
Caso Master
Outro tema abordado por Haddad foi o caso Banco Master. O candidato cobrou esclarecimentos sobre as relações políticas envolvendo a instituição financeira e integrantes do campo bolsonarista e afirmou que o episódio precisa ser investigado com independência.
“O Banco Master nasce, cresce e se desenvolve durante a gestão do presidente do Banco Central nomeado pelo Bolsonaro”, afirmou.
Haddad citou relações do banco com integrantes do antigo governo Bolsonaro e mencionou doações eleitorais feitas em 2022. Para ele, as conexões reveladas em torno do caso não podem ser tratadas como coincidência.
“Três ministros, o presidente do Banco Central, um candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República. Gente, isso não é coincidência”, disse.
Haddad contrapôs o episódio à atuação da Polícia Federal durante o governo Lula. “Uma Polícia Federal independente. O Lula não troca diretor da Polícia Federal para proteger filho, manda investigar. É muito diferente a postura republicana”, afirmou.
Duas Mulheres no Senado
O ato também contou com a participação das candidatas ao Senado por São Paulo pela chapa Lula-Alckmin, Marina Silva e Simone Tebet. Em seus discursos, as duas destacaram a defesa da democracia e da soberania nacional, o enfrentamento às desigualdades e a possibilidade histórica de São Paulo eleger, pela primeira vez, duas mulheres para representar o estado no Senado Federal.
Marina afirmou que “a comissão de frente da democracia e da soberania está instalada” e defendeu a construção de uma nova frente ampla.
“Se em 2022 tivemos que fazer uma frente ampla para salvar a democracia e reconstruir as políticas públicas de combate à desigualdade de respeito às mulheres e os mais vulneráveis, agora, além de todas essas bandeiras, nós vamos ter que defender a nossa soberania”, disse.
A candidata ressaltou ainda a força simbólica de duas mulheres disputarem as vagas ao Senado e relacionou sua candidatura à luta contra a violência e a desigualdade de gênero.
Já Simone Tebet também convocou os presentes para a disputa eleitoral e criticou o bolsonarismo, especialmente em temas como soberania nacional, direitos trabalhistas e direitos das mulheres.
“Quem defende o Brasil somos nós. Eles advogaram a favor de uma tarifa que mata os empregos das indústrias, da produção, da agricultura familiar, do agro, do interior de São Paulo e do Brasil. Quem é patriota de verdade e tem no peito a camisa verde amarela é o presidente Lula, que defende o trabalhador, que gera emprego aqui, que defende a indústria nacional e que defende o agro do Brasil contra os interesses estrangeiros”.
Ao falar diretamente às mulheres, Simone destacou o significado da eleição para o Senado. “Pela primeira vez, São Paulo pode eleger não apenas uma, mas duas mulheres senadoras da República”, disse. “Eu e Marina vamos estar lá por vocês, pelas famílias, pelos nossos filhos.”