Nos últimos anos, as relações internacionais deixaram de ser um tema restrito a especialistas e passaram a ocupar espaço crescente no debate público. Em um cenário internacional marcado por conflitos, guerras, disputas geopolíticas e pressões sobre a soberania dos países, esses temas estão cada vez mais presentes no cotidiano da população e devem fazer parte do debate programático e político durante a eleição deste ano.
A Secretaria de Relações Internacionais (SRI) do Partido dos Trabalhadores (PT) elaborou uma cartilha para preparar candidatas e candidatos para o debate sobre relações internacionais durante a campanha, oferecendo informações e argumentos.
Acesse aqui a íntegra da cartilha da SRI.
Além do subsídio para debates na campanha, a cartilha apresenta como os parlamentares e representantes eleitos podem contribuir, a partir de suas respectivas esferas de atuação, para fortalecer a soberania nacional, a cooperação internacional e a inserção internacional do Brasil.
A expansão econômica da China provocou transformações nas cadeias produtivas e no mercado de trabalho em diversas cidades do Brasil; a pandemia de Covid-19 fez com que os brasileiros passassem a acompanhar temas como protocolos internacionais de saúde, produção de vacinas e cooperação científica; os conflitos internacionais tiveram repercussões no Brasil aumentando o preço de produtos e promovendo fluxos migratórios.
Esses fenômenos produziram impactos diretos sobre o cotidiano das pessoas e são alguns exemplos de como nossa população tem percebido que o que ocorre além de nossas fronteiras é parte de sua própria realidade. Em outras palavras, o povo brasileiro tem percebido que as relações internacionais importam.
O PT quer demonstrar, de forma didática, o que é soberania e suas relações diretas com o cotidiano das pessoas, isto é, como nossa inserção comercial impacta na qualidade do emprego e da renda, a relevância de acordos de cooperação para o desenvolvimento científico e tecnológico nacional, e como normas internacionais afetam a produção e o acesso a alimentos.
Num mundo em transformação, somente um país soberano é capaz de defender, de maneira efetiva, os interesses de seu povo. As tensões do sistema internacional evidenciam que a soberania não se limita à defesa territorial, mas também está diretamente relacionada ao direito ao desenvolvimento, destaca a cartilha.
Temas para debater na campanha
Nestas eleições, as candidaturas do PT devem assumir duas tarefas fundamentais durante a campanha:
- Fortalecer a imagem do presidente Lula como uma liderança mundial comprometida com a paz, a soberania nacional e a construção de uma ordem internacional mais justa;
- Demonstrar que os futuros representantes do PT estão preparados para atuar na área internacional a partir dos cargos que disputarão, contribuindo para que as relações internacionais tornem-se benefícios concretos para a população brasileira.
- Transmitir a mensagem de que a política externa também é construída nos parlamentos, nos governos estaduais e municipais, nos organismos internacionais e nos espaços de integração regional, sempre conectada às necessidades concretas do povo brasileiro.
Saúde global e mudanças climáticas
No século 21, assistimos não apenas a posturas contrárias à cooperação entre os Estados em temas centrais, como saúde global e mudanças climáticas, mas também a graves e recorrentes violações da soberania de países. Episódios recentes incluem ações extremas, como sequestros e assassinatos de chefes de Estado e de governo, além da imposição de sanções unilaterais e de medidas extraterritoriais.
Tais práticas, flagrantes em casos como os de Cuba, Irã e Venezuela, configuram formas contemporâneas de intervenção que corroem o direito internacional e penalizam populações inteiras ao restringirem o acesso a bens essenciais e causarem crises econômicas e humanitárias.
É importante destacar que, na América Latina, esse cenário envolve uma crescente disputa por recursos naturais e energéticos na Amazônia e no Caribe. Agora, a atualização da Doutrina Monroe sob o governo de Donald Trump tem promovido narrativas de combate ao narcotráfico e ao terrorismo como forma de ampliar pressões e formas de ingerência sobre regiões estratégicas.
Defender a soberania regional significa impedir que essas agendas sejam utilizadas como justificativa para intervenções e para o controle externo de nossos recursos. Segurança internacional se fortalece com cooperação e desenvolvimento social e tecnológico, não com ingerência.
O que se observa atualmente é o desprezo pelas instituições internacionais, pela cooperação e pelas formas de solução pacífica de controvérsias, como no caso das ações de Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. Guerras e conflitos eclodem sem que haja tempo ou espaço para sua adequada mediação nos fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), revelando sua paralisia ou incapacidade de ação.
As instituições criadas no século passado mostram-se insuficientes para responder aos desafios contemporâneos. O diagnóstico é claro: o multilateralismo está em crise. Governos que almejam a cooperação não devem, todavia, abandoná-lo, mas reformá-lo. Nesse contexto, o Brasil detém condições singulares para contribuir com a reforma da governança global.
Lula defende a paz, o diálogo e o multilateralismo
Ao longo de seus três governos, o presidente Lula foi reconhecido como uma das principais lideranças globais na defesa do diálogo, da paz, do multilateralismo e da reforma da governança global. Sua credibilidade internacional amplia a capacidade de atuação do Brasil e fortalece o papel do país como articulador entre diferentes regiões e interesses, ampliando a projeção da política externa brasileira.
Em seu terceiro mandato, Lula encontrou um cenário internacional mais fragmentado, marcado pelo aprofundamento de disputas geopolíticas, pelo enfraquecimento do multilateralismo e pelo avanço da ultradireita. Ainda assim, sua capacidade de articulação reuniu os 12 líderes da América do Sul no Consenso de Brasília, permitiu ao Brasil exercer a presidência do G20 em 2024, lançar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, sediar a COP30 em 2025, criar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e fortalecer a ampliação do Brics.
No período de 2027 a 2030, avançaremos na construção de uma nova governança global, mais representativa e equilibrada, que permita ao Brasil e aos países do Sul Global participarem do sistema internacional de forma soberana, justa e condizente com seu peso político, econômico e social.
Sob a liderança internacional do presidente Lula, o Brasil reúne legitimidade e capacidade política para impulsionar essa agenda, reafirmando seu compromisso histórico com a paz, a cooperação entre os povos e o desenvolvimento compartilhado.
Quem defende o Brasil e os brasileiros?
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Tema |
Governos Lula e atuação do PT |
Governo Bolsonaro e seus aliados |
O que está em jogo |
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Soberania econômica e tarifas |
Negociação diplomática, defesa comercial e proteção aos setores produtivos e trabalhadores afetados. |
Apoio ou articulação política em torno de pressões econômicas estrangeiras contra o Brasil. |
Empregos, exportações, indústria e renda. |
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Crime organizado |
Cooperação policial internacional, fortalecimento da PF, inteligência, controle das fronteiras e combate à lavagem de dinheiro. |
Defesa de soluções que podem ampliar a interferência estrangeira em questões de segurança interna. |
Segurança com desenvolvimento e soberania. |
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Saúde global |
Cooperação científica, transferência de tecnologia e fortalecimento da produção nacional de vacinas, medicamentos e insumos. |
Confronto com orientações científicas e enfraquecimento da cooperação multilateral durante a pandemia. |
Vacinas, medicamentos e preparação para emergências sanitárias. |
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Integração regional |
Retomada do diálogo sul-americano, fortalecimento do Mercosul e projetos de integração logística e energética. |
Afastamento dos vizinhos e questionamentos sobre a permanência ou relevância do Mercosul. |
Mercados, infraestrutura, fronteiras e empregos. |
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Clima e Amazônia |
Realização da COP30, retomada da diplomacia climática e busca de financiamento para conservação e desenvolvimento sustentável. |
Enfraquecimento da fiscalização ambiental e conflitos com mecanismos internacionais de proteção climática. |
Prevenção de desastres, agricultura, água e oportunidades econômicas. |
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Ciência e tecnologia |
Parcerias vinculadas à inovação, pesquisa, industrialização e transferência tecnológica. |
Dependência externa e menor coordenação entre política externa, ciência e indústria. |
Empregos qualificados e autonomia tecnológica. |
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Brasileiros no exterior |
Fortalecimento da assistência consular, proteção de direitos e políticas para a diáspora. |
Menor prioridade política às comunidades brasileiras e à participação cidadã no exterior. |
Proteção de aproximadamente 5,3 milhões de brasileiros residentes fora do país. |
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Paz e multilateralismo |
Defesa do diálogo, da solução pacífica dos conflitos e da reforma das instituições internacionais. |
Alinhamentos ideológicos automáticos e enfraquecimento da tradição diplomática brasileira. |
Soberania, democracia e desenvolvimento |
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Democracia e soberania eleitoral |
Defesa das instituições brasileiras e rejeição a interferências externas nos processos políticos nacionais. |
Busca de apoio estrangeiro para disputas políticas domésticas. |
Direito dos brasileiros de decidirem livremente o futuro do país. |
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Soberania alimentar e energética |
Construção de refinarias para produção de combustíveis e fertilizantes no Brasil, que permitia controlar os preços desses produtos no mercado interno. |
Venda das refinarias, que colocou a produção de combustíveis e fertilizantes nas mãos de interesses estrangeiros, deixando os preços desses produtos à mercê do mercado internacional. |
As guerras na Ucrânia e no Irã encareceram combustíveis e fertilizantes, com impacto direto sobre os preços gerais, devido à perda de poder de influência sobre eles. |