Para combater vício em apostas, SUS oferece consultas online
Serviço é uma resposta do Governo Lula a um problema de saúde pública que só cresce. Ministro da Saúde diz que estigma impede usuário de buscar atendimento presencial
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Pessoas com problemas de compulsão e vício em jogos de apostas online (as bets) agora podem contar com um serviço de teleconsultas com psicólogos e psiquiatras e buscar ajuda. Esse serviço teve início na última semana e faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A previsão é de 800 a 1.000 atendimentos ainda neste mês.
As consultas são realizadas por vídeo, duram em média 45 minutos e podem incluir até 13 sessões por paciente, individualmente ou em grupo, com a rede de apoio. O serviço é gratuito e confidencial. O serviço é destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de seus familiares e rede de apoio. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais para essa condição.
De acordo com o ministro da saúde, Alexandre Padilha, o serviço oferece instrumentos para que as famílias e amigos apoiem essas pessoas. Os usuários do serviço podem ter um contato direto com o Ministério da Saúde, sem precisar ir até uma unidade de saúde. “Dificilmente essa pessoa procura um serviço de saúde. A gente tem registrado desde 2025 menos de 10.000 atendimentos nos serviços de saúde, mesmo nos CAPS. Às vezes, a pessoa tem dificuldade de admitir que está passando por isso, tem uma certa vergonha, tem muita estigmatização ainda”, explica o ministro.
O Ministério da Saúde planeja uma expansão dos atendimentos, podendo chegar a 100 mil atendimentos por mês ainda neste semestre. Este programa está relacionado a uma linha de cuidado publicada em dezembro do ano passado, que identificou a necessidade de uma porta de entrada digital para pessoas com problemas de jogos.
Uma resposta a um problema de saúde pública
A modalidade de teleconsultas é uma resposta do governo Lula para combater esse problema de saúde pública. Com um investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, o novo serviço integra uma estratégia nacional que conta também com a plataforma de autoexclusão centralizada, lançada pelo Ministério da Fazenda, que permite bloquear o acesso a sites de apostas autorizados.
Outra iniciativa do Governo Federal é o Observatório Saúde Brasil de Apostas, um canal de troca de dados entre os Ministérios da Saúde e da Fazenda para identificar padrões de compulsão em jogadores. Desde a criação do observatório em dezembro do ano passado até o final de janeiro, quase 300.000 pessoas se autoexcluíram. O acesso ao teleatendimento é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, com cadastro disponível 24 horas por dia, e todas as informações são protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados.
Ainda de acordo com o ministro Padilha, “será possível colocar essa pessoa em contato com o psicólogo, com o psiquiatra, para fazer uma consulta, e com isso cuidar dessa compulsão”.
Políticas públicas no território digital
Para Marcelo Kimati, diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, as pessoas com problemas relacionados a jogos têm um estilo de vida em que muitas de suas relações sociais e trabalho ocorrem no meio digital, e os problemas de jogo também se desenvolvem nesse ambiente.
“Então, é importante a gente entender que o ambiente digital, ele constitui um território no qual você tem que ter políticas públicas na área de saúde”, explica Kimati. Ele acrescenta que o ambiente digital “produz e reproduz vulnerabilidade, tem relações de poder”. “É um território que tem inúmeras particularidades, ele precisa de políticas públicas que elas tenham essa especificidade”, acrescenta.
Ainda segundo Kimati, a abertura desta porta de entrada digital, por meio do serviço, busca respeitar a heterogeneidade das demandas e características dos usuários, permitindo que a rede de atenção psicossocial apoie o desenvolvimento de políticas públicas e que o sistema se molde às características do usuário.
Nos últimos dois anos, houve uma procura muito pequena na rede de atenção psicossocial. “Para se ter uma ideia, ao longo do ano passado, nós tivemos menos atendimentos com esse diagnóstico de problemas relacionados à jovens em toda a rede, incluindo atenção primária, incluindo o centro de atenção psicossocial”, afirma o diretor. Ele ressalta que o número de atendimentos é subestimado devido à dificuldade de diagnóstico na rede.
Como acessar e fazer a consulta?
O acesso ao teleatendimento é feito pelo Meu SUS Digital, que funciona como porta de entrada para o cuidado.
-É preciso baixar o aplicativo, que está disponível de forma gratuita nas lojas Android, IOS ou na versão web.
-Com o aplicativo, faça login com a conta gov.br.
-Na página inicial, clique em “Miniapps”.
-Em seguida, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.
Ramíla Moura, para a Rede PT de Comunicação, com informações do Ministério da Saúde.
