Paz, Integração e Soberania: o Brasil no tabuleiro latino-americano

Em evento dos 46 anos do PT, políticos e especialistas analisam o papel do Governo Lula no equilíbrio geopolítico da região e analisam pontos sensíveis para 2026

Roberto Stuckert Filho

Humberto Costa, secretário nacional de Relações Internacionais do PT, e a cientista política Mônica Bruckmann.

Pensar o Brasil regionalmente, levando em consideração a política na América Latina e os desafios contemporâneos que ameaçam pilares constitucionais como a soberania, a autodeterminação dos povos e a crise no multilateralismo foi o ponto de partida de um dos debates que aconteceram em Salvador durante as celebrações pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores.

Com o tema Paz, Integração e Soberania: um olhar sobre a América Latina, o evento teve a mediação da diretora da Fundação Perseu Abramo, Mônica Valente.

O senador Humberto Costa (PT/PE), secretário nacional de Relações internacionais do PT e vice-presidente do Parlasul (Parlamento do Mercosul), abriu as discussões destacando que a política externa e o protagonismo regional no Brasil devem estar ainda mais presentes em 2026, em função do importante papel que o governo do presidente Lula exerce no contexto internacional.

“É inegável que somos referência para os líderes do mundo. No episódio das sanções tarifárias dos EUA ao Brasil, que tiveram, sem dúvida, mais motivações políticas do que econômicas, o presidente Lula foi firme, mas teve uma posição pragmática, sem abrir mão das nossas convicções e da defesa da nossa soberania. Conseguimos restabelecer um processo de negociação, que ainda não se confirmou, mas sem dúvida conseguimos reverter alguns deles, tirando argumentos que os EUA utilizaram.”

O senador ainda lembrou a tradição diplomática brasileira baseada na solidariedade e no respeito à soberania. “Sempre nos caracterizamos pela defesa da soberania dos países, como garante o artigo 4 da Constituição Brasileira, que são princípios avançados de política externa, como autodeterminação dos povos, busca de solução pacífica dos conflitos e garantia da concessão de asilo político para a garantia de direitos humanos e defesa da democracia. Não há soberania nacional possível sem que haja solidariedade entre os povos”, afirmou.

Do ponto de vista da geopolítica na América Latina, Humberto Costa diz que o governo do PT cumpre hoje papel fundamental na defesa do Mercosul. “O novo realinhamento político da América Latina, com governos de estrema direita na Argentina e Paraguai, e a influência dos Estados Unidos debilita e fragiliza o Mercosul. Em termos de estratégia, é importante acompanhar a eleição na Colômbia e no Peru. Eleger o presidente Lula significa equilibrar a correlação de forças na américa latina”.

Na Mesa “Paz, Integração e Soberania: um olhar sobre a América Latina”, o PT debateu a relação da geopolítica com a eleição de 2026./Roberto Stuckert Filho.

Extremismo precisa ser novamente derrotado em 2026

Pedro Silva, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), classifica a integração na América Latina como parte necessária para a paz e a soberania no Brasil. “Há um grupo extremista que precisa ser derrotado novamente em 2026 que ataca a nossa soberania e pede intervenção estrangeira. O Trump recuou em relação ao tarifaço, mas é um recuo tático. Ele pode fazer isso novamente a depender do cenário político no ano. Os ataques à Venezuela são ataques ao Brasil, um recado para todos os povos da América Latina de uma potência que está em declínio relativo e que nos trata como quintal, como colônia”, alertou.

O pesquisador, que também é conselheiro da Fundação Perseu Abramo, explicou como o equilíbrio geoeconômico pode interferir nas questões nacionais. “Se a gente não tem uma discussão global sobre taxar os bilionários, por exemplo, gente não avança na taxação no Brasil. Se não existe uma aliança global contra a fome, fica difícil acabar com a fome no nosso país. Tudo está vinculado.”

A cientista política Mônica Bruckmann, professora da UFRJ, ressaltou a necessidade geração de riquezas na região, investindo em industrialização e respeito ao meio ambiente. “Precisamos repensar a relação com a China e com a Ásia de modo geral, fazer mecanismos de transferência tecnológica, estabelecendo uma relação “ganhar ganhar”. O Brasil tem um mercado gigantesco e condições energéticas especiais, sem contar que, a partir do Brasil, é possível atender ao mercado sul-americano”, concluiu.

Germana Accioly, Rede PT de Comunicação.

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