Petistas denunciam cortina de fumaça na CPI do INSS e expõem elo bolsonarista

Deputados do PT afirmam que aliados de Bolsonaro agem para desviar foco da investigação e reforçam ligação de dono do Banco Master com Nikolas Ferreira

Parlamentares do PT criticaram duramente as atitudes da extrema direita bolsonarista de tentar blindar seus aliados e criar uma “cortina de fumaça”, durante a última sessão da CPMI do INSS, realizada quinta-feira, 12. Membros do partido na comissão afirmam que a investigação está se aproximando do núcleo político e financeiro das irregularidades e indicam que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam desviar o foco da comissão com ataques ao presidente Lula e à sua família.

A expectativa é grande para a próxima semana, quando a Comissão vai votar o requerimento de convocação do ex-presidente do Banco Central no governo Bolsonaro Roberto Campos Neto para prestar depoimento.

Criada para investigar irregularidades em descontos aplicados em benefícios do INSS, a comissão analisa um esquema que atingiu aposentados e pensionistas por meio de entidades suspeitas e operações financeiras ligadas ao Banco Master. Para parlamentares petistas, as evidências reunidas até agora apontam que decisões tomadas durante o governo Bolsonaro e relações políticas com setores da direita podem ter contribuído para a expansão das operações hoje investigadas.

Segundo deputados do partido, o avanço das investigações explica o incômodo de setores bolsonaristas dentro da comissão, que passaram a apresentar requerimentos e acusações sem relação direta com o objeto da CPMI.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) criticou a tentativa da oposição de envolver o filho do presidente Lula no debate da comissão e afirmou que a estratégia serve para desviar o foco da investigação.

Segundo o parlamentar, as acusações se basearam em vazamentos ilegais de dados bancários. “O sigilo foi quebrado sabe se lá por quem, vazado sabe se lá por quem. Inclusive isso também é crime e se constatou que não havia absolutamente nada de errado com as contas bancárias do filho do presidente Lula”. Para Correia, a insistência nesse tema demonstra a dificuldade da oposição em enfrentar os fatos revelados pela investigação. “Mas como não há outro assunto, a oposição bolsonarista persiste em fazer cortina de fumaça e não avançar realmente naquilo que é necessário avançar”.

O deputado lembrou ainda que o esquema investigado começou antes do atual governo e não foi enfrentado pela gestão anterior. “Os descontos associativos começaram no governo Temer. […] De lá para cá não foi feito absolutamente nada para apurar isso no governo Bolsonaro”, afirmou. Ele destacou que foi o governo Lula que tomou providências para enfrentar o problema e proteger aposentados. “Quem resolveu isso? O governo do presidente Lula”.

Blindagem a Nikolas e prisão de Bolsonaro

Já o deputado Rogério Correia criticou a postura de parlamentares bolsonaristas dentro da comissão e afirmou que há tentativas de proteger aliados políticos. “A blindagem é absurda em relação aos bolsonaristas”, declarou. O deputado também citou o parlamentar Nikolas Ferreira ao mencionar relações com investigados: “Nós temos também o Nikolas, que andou no avião do [banqueiro Daniel] Vorcaro para fazer campanha para Bolsonaro. Isso o que a gente sabe. Depois vimos também que ele andou em avião de ‘jogatina’ e ele é crente. Andou em avião de empresário do caça-níquel”.

Correia também pediu que as pessoas tivessem “senso” quando citam algumas frases, porque “esquecem” citações feitas -pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “Esse é um miliciano raiz. É dele as seguintes frases: ‘Vou metralhar a petralhada. Sou a favor de tortura. Se matar uns 200, paciência’. Por isso ele está preso na Papudinha”, afirmou.

O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) destacou a importância da convocação de investigados ligados ao núcleo financeiro do caso. “Foi importante a convocação do Zettel [cunhado de Vorcaro]. Esperamos que ele venha ainda no mês de março para que a gente possa ouvi-lo e tomar depoimento”, afirmou. Para o parlamentar, o depoimento pode ajudar a esclarecer relações políticas e doações eleitorais ligadas ao esquema. “Quem sabe ele, que está preso, nos diga coisas importantes pra que a gente esclareça, inclusive por que ele doou tanto dinheiro justamente para essas campanhas”.

Líder do PL exposto

Alencar Santana lembrou que o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, foi flagrado com R$ 470 mil escondidos dentro do guarda-roupa de um apartamento funcional da Câmara dos Deputados, além de ser apontado pela Polícia Federal por movimentar R$ 28,6 milhões suspeitos, junto com outro membro do PL, o deputado Jordy.

“Ladrão tem que ir preso, inclusive se for líder do partido do candidato Flávio Bolsonaro”, atestou o deputado petista.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) completou: “Nós já provamos que esse esquema criminoso foi criado em 2021, encontramos as digitais do dinheiro roubado dos aposentados e aposentadas na conta do Onyx Lorenzoni [ex-ministro de Jair Bolsonaro], na conta do Bolsonaro, na conta do Tarcísio [governador de São Paulo], e vamos descobrir aonde mais”.

Expectativa por Campos Neto

Outro ponto destacado por parlamentares do PT na comissão é a necessidade de investigar decisões regulatórias que permitiram a expansão das operações financeiras hoje sob suspeita. Nesse contexto, a convocação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto é considerada um momento decisivo para esclarecer responsabilidades.

Paulo Pimenta afirmou que o depoimento pode ajudar a explicar como instituições investigadas conseguiram expandir suas atividades durante o período em que estavam sob supervisão do Banco Central. Para o parlamentar, a reação da oposição ao avanço da investigação revela preocupação com o que pode vir à tona.

Ao criticar requerimentos apresentados por parlamentares bolsonaristas, Pimenta disse que eles tentam desviar o foco da comissão. “Esse requerimento não tem nenhuma intenção de investigar questões que são objeto desta CPMI”, declarou. O deputado também afirmou que a comissão está avançando sobre um esquema que envolve figuras ligadas ao bolsonarismo. “Nós estamos chegando e vamos desvendar o esquema do ‘Bolso’ Master”.

Investigações

Para parlamentares do PT, a CPMI deve aprofundar a investigação sobre as conexões políticas e financeiras do esquema que prejudicou aposentados e pensionistas. A expectativa é que novos depoimentos e a análise de documentos obtidos pela comissão ampliem a responsabilização dos envolvidos.

Como afirmou Paulo Pimenta durante os debates da comissão, “nós não vamos perder o foco aqui da investigação” e “a verdade vai aparecer e cada centavo roubado dos aposentados e aposentadas nós vamos rastrear e vamos achar”. Segundo o deputado, o objetivo da CPMI é garantir que todos os responsáveis sejam identificados e respondam pelos prejuízos causados a milhares de aposentados brasileiros.

Assista à sessão da CPMI do INSS de quinta-feira (12/3):

Da Rede PT de Comunicação.

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