Privatização da BR Distribuidora abriu caminho para crime organizado, diz Haddad

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda disse que foi um erro Bolsonaro privatizar empresa, que era saudável e braço forte para controlar especulação

Ricardo Stuckert

Haddad no lançamento de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

Oficializado como pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad reiterou sua posição de que foi uma decisão equivocada a gestão de Jair Bolsonaro ter privatizado a BR Distribuidora. 

“Foi um erro. Eu não teria privatizado a BR Distribuidora se eu fosse gerente da Fazenda à época do governo Bolsonaro. Não teria”, enfatizou Haddad, em conversa com jornalistas na sexta-feira, 20.

Segundo o ex-titular da Fazenda, que deixou oficialmente o cargo no dia da conversa com a imprensa, a BR era um instrumento importantíssimo do Estado para conter a especulação de preços de combustíveis e também a formação de cartéis criminosos no setor. “O crime organizado atua muito na área de combustíveis”, observou.

“Por todas essas razões, eu acredito que foi um prejuízo para o país do ponto de vista estratégico [a privatização]. Era uma empresa lucrativa, não tinha nenhum problema e servia de parâmetros quando havia abuso especulativo. Então, isso se perdeu”, lamentou Haddad.

Na opinião de Haddad, a perda de controle da empresa abriu caminho para o crime organizado e para a lavagem de dinheiro. Parte disso, afirmou, foi detectado na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal – a maior ação da história contra facções criminosas, em especial o PCC, que desarticulou uma rede bilionária que fazia lavagem de dinheiro, fraude fiscal e adulteração no setor de combustíveis.

Num momento grave como o atual, com o conflito no Oriente Médio e pressão por aumento de combustíveis, com impacto em várias cadeias produtivas, disse o ex-ministro, a BR Distribuidora faz muita falta porque era “um braço forte para conter a especulação”.

O presidente Lula também falou sobre o tema ao visitar a Refinaria Gabriel Passos, em Betim. Lula enfatizou a importância estratégica da Petrobras e afirmou que sempre aparecem intenções de privatizá-la. Ele relembrou, ainda, a compra de distribuidora de gás, em 2003, seu primeiro mandato.

Saídas

Questionado sobre uma possível reestatização, Haddad afirmou que esses processos são extremamente complexos e que as administrações petistas sempre respeitaram contratos e a ordem jurídica. Ele apontou que o Estado poderá buscar um outro caminho.

“Voltar a atuar na distribuição de combustível é perfeitamente viável. Perfeitamente viável. Tem uma cláusula que impede a Petrobras de atuar na distribuição até 2029. Mas isso é a Petrobras. Não é o Estado brasileiro”, ponderou.

Isso quer dizer, segundo Haddad, que o Governo Federal não está impedido de buscar alguma nova forma de atuação na distribuição de combustíveis no futuro. “Alguma atuação na distribuição nós vamos ter que ter. E a partir de 29 até a Petrobras pode atuar na distribuição.”

Rede PT de Comunicação.

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