Quem foram os mandantes das fraudes do INSS no governo Bolsonaro?

Deputado Paulo Pimenta afirma que CPI precisa chegar a núcleo político do esquema bilionário contra aposentados e pensionistas e destaca devolução de valores a beneficiários

Alessandro Dantas/PT no Senado

Votação na CPMI do INSS, quando a presidência do colegiado ignorou vontade da maioria.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu, na segunda-feira, 2, Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Mas o destaque da sessão foi a fala do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que cobrou foco na identificação dos mandantes do suposto esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas.

Líder do governo na comissão, Pimenta criticou o direcionamento das perguntas e afirmou que a CPMI precisa avançar sobre o “núcleo político” das irregularidades. “Precisamos saber quem são os cabeças que, dentro do governo Bolsonaro, permitiram que esse esquema tomasse a proporção que tomou”, declarou o deputado.

Durante sua intervenção, Pimenta mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-ministros como Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes e José Carlos Oliveira. De acordo com o parlamentar, alterações normativas — como medidas provisórias e portarias que flexibilizaram mecanismos de controle — não teriam sido assinadas sem uma retaguarda política.

“Sem essas mudanças, aquele conjunto de empresas-fantasmas que passaram a roubar aposentados e aposentadas jamais teria conseguido saquear bilhões de reais”, afirmou. Paulo Pimenta também sustentou que houve acesso indevido a bases de dados de beneficiários e que já teriam sido identificados servidores com funções de comando envolvidos no esquema.

O parlamentar acrescentou que alertas emitidos desde 2019 por grupo de trabalho do Ministério Público Federal não teriam sido devidamente considerados à época, o que, segundo ele, caracterizaria omissão.

Pimenta também afirmou que o esquema foi interrompido após investigações e destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a devolução dos valores desviados. Já são mais de 4 milhões de beneficiários ressarcidos.

Da Rede PT de Comunicação.

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