O Setorial Inter-religioso e o Núcleo de Evangélicos e Evangélicas do Partido dos Trabalhadores (NEPT) vêm a público saudar e reconhecer a importância da caminhada das mulheres evangélicas realizada no último dia 7 de março. Em um momento em que setores fundamentalistas tentam sequestrar a fé para projetos de ódio e exclusão, ver mulheres ocupando as ruas com suas Bíblias, seus cânticos e suas bandeiras em defesa da vida, da democracia e da justiça social renova nossa esperança.
A presença massiva de mulheres evangélicas nas ruas na véspera do Dia Internacional da Mulher não é apenas um ato de fé, mas um ato político. Essas mulheres carregam consigo as dores e as lutas do cotidiano: são mães, trabalhadoras, chefes de família, líderes comunitárias e pastoras que enfrentam diariamente a violência doméstica, a desigualdade salarial e a falta de acesso a direitos básicos. Sua caminhada ecoa o que o Evangelho nos ensina sobre acolhimento, justiça e amor ao próximo — princípios que historicamente dialogam com as bandeiras do nosso partido.
Como lembrou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), mulher evangélica há mais de sessenta anos, “a fé não anda de mãos dadas com a mentira, porque a mentira aprisiona” . É com esse espírito que reafirmamos: não entregaremos nossa fé a quem usa o nome de Deus para promover divisão, perseguir minorias e criminalizar os pobres. A verdade que liberta, ensinada nas Escrituras, é a mesma que nos move na defesa do Estado laico, da justiça social e dos direitos humanos.
O PT tem avançado no diálogo com o público evangélico progressista. Em 2024, realizamos a 1ª Conferência Eleitoral Evangélica do PT, reunindo mais de dois mil filiados e filiadas que se declaram evangélicos e que levam para suas comunidades a mensagem de que é possível unir fé e política comprometida com os pobres . Como disse Gutierres Gaspar, coordenador nacional do setorial inter-religioso, queremos “uma pregação do amor e da justiça, defendendo os ideais do amor ao próximo, da justiça social, da liberdade de culto” .
A caminhada do dia 7 de março nos mostra que esse caminho é possível e necessário. As mulheres evangélicas que foram às ruas demonstraram que não aceitam ser tratadas como massa de manobra por líderes políticos que negociam seus votos com promessas vazias enquanto retiram direitos. Elas mostraram que a mulher evangélica quer creche para seus filhos, atendimento digno no SUS, moradia, emprego e respeito.
Saudamos todas as organizadoras, pastoras, missionárias e lideranças que tornaram possível esse ato. Seguiremos caminhando juntos, com a certeza de que a fé que professamos nos convoca à luta por um Brasil mais justo, igualitário e democrático.
Que possamos, cada vez mais, construir pontes entre a mensagem do Evangelho e as bandeiras históricas da classe trabalhadora.
Brasília, 11 de março de 2026.
Setorial Inter-religioso do Partido dos Trabalhadores
Núcleo de Evangélicos e Evangélicas do PT (NEPT)