‘Precisamos resolver o problema das dívidas das pessoas’, admite Lula

Presidente diz que governo está em busca de medidas para reduzir endividamento. Ele defendeu ainda reconstrução da indústria para geração de empregos

Ricardo Stuckert/PR

Em agenda na fábrica Caoa, em Anápolis, Lula conversa com funcionários; presidente abordou problema do endividamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o Governo Federal está com estudos ativos para lidar com o endividamento da população brasileira, apontado por ele como um dos principais entraves para a melhora da percepção da sociedade sobre a situação econômica atual. 

A fala foi feita hoje, 26, durante o evento de reinauguração de uma fábrica da montadora Caoa em Anápolis (Goiás) e do lançamento de uma nova linha de produção automotiva em território nacional pelo grupo– em parceria com a empresa chinesa Changan.

Segundo Lula, apesar dos indicadores positivos da economia, o alto volume de dívidas contribui para um “clima de desconfiança” entre os brasileiros. “A economia está bem, mas o povo está endividado”, reconheceu. O presidente apontou que as mudanças nos hábitos de consumo, sem que as transações exijam dinheiro físico. O uso constante de cartão de crédito e de celulares para pagamentos eletrônicos, observou o presidente, seria uma das causas conectada ao problema. 

“O celular está transformando o ser humano em algoritmo. As pessoas não conseguem mais viver sem isso. A gente pede comida pelo celular, a gente paga a conta pelo celular. Parece que não é nada. Mas, quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos fica grande”, ressaltou.

Lula afirmou estar estudando medidas com o Ministério da Fazenda para conter o fenômeno do endividamento que prejudica milhares de famílias do país. “Eu pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver o problema das dívidas das pessoas. Eu não quero que as pessoas deixem de se endividar para ter uma coisa nova na vida, eu não estou pedindo isso. O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que vocês devem”, explicou o presidente.

O presidente enfatizou, também, a necessidade de educação financeira para que as pessoas consigam administrar melhor os salários. Isso é outro ponto sob análise da Fazenda, destacou.

A agenda do presidente no estado goiano também foi marcada por anúncios no setor industrial e de parcerias internacionais para ampliar a modernização tecnológica, capacidade produtiva e o estímulo do desenvolvimento econômico no país. 

Mais dignidade e cabeça erguida

Ao lado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o presidente participou da reinauguração da fábrica e do lançamento do modelo Uni-T, primeiro veículo da parceria entre Caoa e Changan totalmente produzido no Brasil. 

“Não tem coisa mais gratificante para um país do que a economia poder oferecer ao povo a possibilidade de crescimento, geração de emprego e a possibilidade das pessoas viverem com mais dignidade e de cabeça erguida”, afirmou o presidente.

O co-presidente executivo do grupo Caoa, Carlos Philippe Luchesi de Oliveira Andrade, destacou que o novo modelo simboliza um marco para a indústria nacional, ao unir tecnologia global e produção local. Geraldo Alckmin afirmou que o presidente “está reconstruindo a indústria brasileira” e citou uma semana de anúncios relevantes, como avanços nos setores aeronáutico e ferroviário. 

Já Durigan defendeu que o país vive um momento de crescimento em diversos setores, com foco em produtividade, inovação e justiça social.

Em seu discurso, Lula também ressaltou o papel da parceria chinesa no desenvolvimento tecnológico do Brasil, classificando-a como o “melhor” parceiro do país. Ele ainda abordou o cenário internacional e afirmou que o governo segue atuando para evitar que conflitos externos impactem o custo de vida no Brasil. “Nós não vamos deixar a irresponsabilidade da guerra do Irã chegar no preço da alface, da cebola e do feijão que o povo brasileiro come”, disse.

Valorização da indústria farmacêutica nacional 

Lula e Alckmin foram vacinados contra Influenza.

Seguindo sua agenda em Anápolis, o presidente Lula visitou o complexo industrial da Brainfarma, o maior polo farmacêutico do Brasil, com o intuito de conhecer o espaço em que será produzida, pela primeira vez na América Latina, a escopolamina, Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do medicamento Buscopan. 

O projeto de produção nacional integra as diretrizes da Nova Indústria Brasil e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco na internalização de IFAs essenciais, reduzindo o risco de problemas com casos de desabastecimento global desses ingredientes. Ele foi concebido com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que realizou um investimento total de R$ 250 milhões no polo farmacêutico.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional está diretamente ligado ao acesso da população a medicamentos, trazendo o valor de programas como o Programa Farmácia Popular do Brasil na vida dos brasileiros. 

Durante a visita, também foi apresentada a produção da Losartana Potássica, medicamento utilizado no controle da hipertensão que é um dos mais distribuídos da política pública. Padilha ressaltou a importância da integração entre o agronegócio e a indústria da saúde, com a produção nacional de matérias-primas para medicamentos. Para ele, “saúde não é gasto, é investimento”.

Em seu discurso, o presidente reforçou a defesa do acesso universal a medicamentos e criticou a disseminação de desinformação. “Todo mundo tem o direito de ter o remédio para salvar a sua vida”, disse. A visita terminou com Lula e Alckmin recebendo a vacina contra o vírus da Influenza, marcando o início da campanha de vacinação do Governo Federal contra a gripe em 2026. 

Rede PT de Comunicação.

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