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Abusos e estímulos ao vício colocam regulação de ‘bets’ na agenda política

Deputado Paulo Teixeira, do PT apresenta projeto que proíbe jogos virtuais aleatórios. Fazenda abre processo administrativo contra abusos das 'bets' na Copa

A carência de regulação clara e eficiente no mercado das chamadas “bets”, as apostas online, tem sido motivo de preocupação de parlamentares do Partido dos Trabalhadores e do Governo Lula.

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) apresentou, na quinta-feira, 2, o Projeto de Lei (PL) 3.428/2026, que altera o marco regulatório no Brasil. O objetivo principal da medida é vedar a exploração de jogos baseados em eventos virtuais aleatórios, como caça-níqueis digitais e cassinos online, popularmente conhecidos como “Jogo do Tigrinho”.

Se aprovado o PL, a modalidade lotérica de aposta de quota fixa ficará restrita exclusivamente a eventos reais de temática esportiva, como partidas de futebol, basquete ou vôlei profissional. O deputado também é autor de outro projeto para conter a epidemia das “bets” no país, o PL 3.274/2026, que proíbe apostas de beneficiários de programas sociais, cabendo às próprias casas de apostas consultar os cadastros.

De acordo com Teixeira, a experiência regulatória recente escancarou diferenças brutais entre as apostas esportivas e os jogos de cassino online. Enquanto os eventos esportivos reais independem da vontade do operador e mantêm periodicidade natural, os jogos virtuais aleatórios são programados por sistemas eletrônicos para produzir resultados instantâneos e contínuos, estimular o vício da população e conceder lucro às empresas.

“A elevada frequência das apostas, a imediatidade dos resultados e a possibilidade de repetição contínua das jogadas potencializam comportamentos compulsivos e ampliam os riscos de superendividamento, especialmente entre consumidores em situação de vulnerabilidade econômica”, justifica o deputado do PT.

O texto seguiu para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que definirá as comissões temáticas para análise e posterior votação em Plenário.

Veja os principais pontos da proposta de Teixeira:

  • Fim dos cassinos virtuais: Proíbe em todo o território nacional a oferta, operação ou intermediação de apostas cujo resultado dependa de geradores randômicos de números, símbolos ou figuras (jogos eletrônicos de azar);
  • Apenas esportes reais: As plataformas de apostas de quota fixa só poderão operar com eventos esportivos reais e concretos;
  • Proteção às categorias de base: Ficam expressamente proibidas apostas em jogos que envolvam categorias de base ou competições disputadas exclusivamente por atletas menores de idade, protegendo crianças e adolescentes da exposição ao mercado de apostas;
  • Infração administrativa: A exploração de jogos virtuais não autorizados passa a ser tipificada como infração administrativa grave na própria lei de regulação.

Propagandas abusivas

O Ministério da Fazenda iniciou processo administrativo contra casas de apostas que anunciaram na CazéTV durante as transmissões das partidas da Copa do Mundo de 2026. A pasta identificou “violações flagrantes” à legislação vigente, segundo comunicado encaminhado ao jornal Folha de S.Paulo na segunda-feira, 29.

A medida pode punir a Bet365, a Betnacional e a KTO com multas de até R$ 2 bilhões. Tal sanção se soma à liminar já decidida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

A Fazenda argumenta que as inserções publicitárias com ofertas de apostas, veiculadas durante as partidas da seleção brasileira, “estimulavam a urgência para apostar” e exibiam advertências sobre os riscos do jogo de azar e restrições etárias “em tamanho ilegível”. A legislação brasileira exige que as casas de apostas informem claramente riscos e restrições.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do ministério encarregado da regulação das ‘bets’, disse que já notificou as operadoras de apostas responsáveis pelas marcas e a própria CazéTV para prestação de esclarecimentos.

O prazo para resposta é de 10 dias úteis.