A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou a empresários e ao mercado financeiro o pacote de austeridade que o candidato pretende implementar no Brasil caso seja eleito presidente. O arrocho neoliberal, muito parecido com as reformas regressivas na Argentina, vai atingir aposentados, pensionistas, estudantes de escolas públicas, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e trabalhadores em geral. A expectativa é de uma economia de até R$ 250 bilhões, o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à proposta de seu adversário. Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta quinta-feira, 8, o petista apontou quais serão os alvos preferenciais de Flávio: os mais vulneráveis. Lula também assegurou que, se reeleito, vai continuar investindo nos programas do Governo Federal.
“Quando eles falam em cortar R$ 200 bilhões, você sabe no que eles vão cortar? Eles vão cortar no Pé-de-Meia, no Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, no Merenda Escolar, no Gás do Povo. Não vão dar aumento do salário mínimo para os trabalhadores acima da inflação e não vão dar aumento do salário mínimo para os aposentados”, alertou Lula.
O presidente conclui: “Toda vez que alguém da elite fala que vai cortar, ele corta do povo, corta do sangue do povo, e não corta dos ricos. Nós fizemos ao contrário e por isso nós vamos manter e aprimorar todas as nossas políticas sociais”.
Quando eles falam em cortar R$ 200 bilhões do orçamento, você sabe de onde eles vão cortar? Do Pé-de-Meia, do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, da merenda escolar, do Gás do Povo. E não vão dar aumento acima da inflação para trabalhadores e aposentados.
Toda vez que… pic.twitter.com/w1OLgfbf4x
— Lula (@LulaOficial) October 8, 2026
Questionado sobre a sua proposta de arrocho econômico por jornalistas, nesta quinta-feira, 8, Flávio Bolsonaro preferiu esconder as medidas impopulares elaboradas por sua equipe econômica, sem esclarecer suas reais intenções. Disse que não fará economia em cima das pessoas mais carentes do Brasil.
Tudo bem, podemos achar que é mentira, pois escondem do eleitor de onde vão cortar isso tudo. Mas o mercado tá achando que é verdade, então acho bem razoável trabalhar com o cenário de perda de poder de compra dos benefícios sociais e do salário mínimo, cortes em saúde e educação… https://t.co/jbR1yjLu6y
— Laura Carvalho (@lauraabcarvalho) October 7, 2026
Da “motosserra” ao “tesouraço”
Na Argentina, o presidente Javier Milei, figura histriônica da ultradireita latino-americana e aliado do bolsonarismo, submeteu a população local à desesperança com medidas semelhantes às que Flávio quer para o Brasil. Mais da metade dos argentinos vive na pobreza atualmente. Milei venceu as eleições encampando o símbolo da “motosserra” para representar o corte de gastos. Flávio chama seu plano de “tesouraço”.
Somente na Previdência, o senador do PL cogita reajustar as aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) abaixo do Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC). Mas os cortes não se limitam a correções de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS): o “tesouraço” chegará na saúde e na educação, desvinculando-as das despesas obrigatórias do Estado, como desejam o mercado financeiro e os representantes da Faria Lima.
Milei, por sua vez, demitiu dezenas de milhares de servidores civis, eliminou ministérios e congelou repasses federais para estados e províncias. Também suspendeu subsídios estatais ao transporte público, gás e energia elétrica, produzindo forte impacto imediato no custo de vida. A perda do poder de compra dos salários retraiu o consumo interno e arrebentou o setor da indústria. A Argentina caminha hoje para a recessão.
A economista Laura Carvalho, da Universidade São Paulo (USP), fez uma publicação no X lamentando o retrocesso representado pelas medidas de austeridade de Flávio Bolsonaro. Na percepção dela, há risco de recessão econômica no país.
“Tudo bem, podemos achar que é mentira, pois escondem do eleitor de onde vão cortar isso tudo. Mas o mercado tá achando que é verdade, então acho bem razoável trabalhar com o cenário de perda de poder de compra dos benefícios sociais e do salário mínimo, cortes em saúde e educação e potencial recessão”, escreveu Carvalho.