Alckmin chega à Índia para ampliar comércio e fortalecer aliança

Parceria estratégica reforça papel do Brasil no BRICS e prepara visita presidencial

Karim Kahn / FIESP

Missão oficial de Alckmin abre novas portas para empresas e investimentos bilaterais

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, desembarcou nesta quarta-feira (15) em Nova Délhi, onde permanecerá até sexta-feira (17), para liderar uma missão multissetorial que marca nova etapa da parceria estratégica Brasil-Índia. O objetivo é ampliar o comércio, atrair investimentos e gerar empregos nos dois países.

“Nós podemos ter muita complementaridade econômica e investimentos recíprocos”, afirmou Alckmin, que lidera uma comitiva com ministros, empresários e representantes de órgãos como ApexBrasil, Fiocruz, Anvisa, Petrobras e Agência Espacial Brasileira, e também prepara o terreno para a visita do presidente Lula à Índia, prevista para fevereiro de 2026.

A viagem ocorre em um momento em que o governo brasileiro mostra visão estratégica e capacidade de adaptação no cenário global. Segundo levantamento da economista Lia Valls, professora da Uerj e pesquisadora da FGV Ibra, o país compensou as perdas provocadas pelo tarifaço de Donald Trump redirecionando exportações para outros mercados. Esse movimento resultou em US$ 1,25 bilhão a mais em embarques de produtos em apenas dois meses.

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Estratégia e resultado

Os números mostram que a queda de US$ 375,5 milhões em exportações para os Estados Unidos foi mais do que compensada pelo aumento das vendas a países como Alemanha, Holanda, Japão e Filipinas, entre outros.

A China passou a comprar 81,8% mais carne bovina brasileira. O México também aumentou em 292,7% a importação do produto, assim como 90% a do café. “​​Os exportadores estão testando, buscando expandir mercados alternativos aos Estados Unidos. E a China está capitalizando isso”, observou José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Diversificação como política de Estado

A agenda de Alckmin na Índia reforça a diretriz governamental de diversificar parceiros e reduzir dependências, fortalecendo a presença do Brasil no comércio internacional.

O comércio bilateral com o país alcançou US$ 12 bilhões em 2024. O objetivo é elevar o valor para US$ 20 bilhões até 2030. De janeiro a maio deste ano, as exportações brasileiras cresceram 14,8%, somando US$ 2,39 bilhões, enquanto as importações avançaram 31,8%, em comparação ao mesmo período de 2024. “O Brasil está de portas abertas para fazer mais, melhor e mais rápido com a Índia”, declarou o vice-presidente.

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Negócios, ciência e futuro

A missão de Alckmin prevê reuniões com ministros da Defesa, Comércio e Indústria, Assuntos Estrangeiros e Petróleo e Gás Natural da Índia. Durante a viagem, será criado o Fórum Empresarial de Líderes Brasil-Índia, um espaço permanente de cooperação entre os setores privados de ambos os países.

A pauta inclui ainda cooperação em biocombustíveis, transição energética, defesa, indústria farmacêutica, agroindústria, e transformação digital. A Embraer também expandirá sua atuação no país parceiro, inaugurando escritório regional em Nova Délhi e abrindo novas frentes de inovação e produção conjunta.

Um Brasil ativo no mundo

Em meio às tensões comerciais globais, o governo Lula tem mostrado habilidade diplomática e planejamento econômico. Ao mesmo tempo em que reduz a dependência dos Estados Unidos, fortalece laços com países estratégicos e se posiciona como um ator confiável na transição energética e na segurança alimentar global.

O redirecionamento das exportações e a abertura de novos mercados mostram que o Brasil não apenas reage, ele se antecipa e se reposiciona.

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Da Redação

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