A importância do Dia 25 de julho, por Sandra Mariano

No #JulhodasPretas, dia 25 de julho, as mulheres negras vão às ruas, realizam plenárias e outras atividades para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra

Arquivo pessoal

Sandra Mariano, da Executiva do Fórum Nacional de Mulheres Negras/BR

O Movimento de Mulheres Negras, juntamente com feministas e organizações mistas, tem debatido, desde suas origens, o protagonismo das mulheres negras e suas pautas específicas. Nomes como Lélia Gonzalez, Nilma Bentes, a Ministra Matilde Ribeiro, a saudosa Sônia Leite, Kika de Besen, Sueli Carneiro, entre outras, foram fundamentais nesse processo.

A criação, em 03/2018, do Fórum Nacional de Mulheres Negras (FNMN/BR) foi crucial, pois, em conjunto com as organizações do Movimento de Mulheres Negras, defendeu a importância de uma data para celebrar as lutas e apresentar as pautas dessas mulheres. Inicialmente, as atividades aconteciam em todo o Brasil no dia 25 de julho e, posteriormente, foram denominadas “Julho das Pretas”.

Nessa data, são realizadas plenárias, encontros e, principalmente, saídas às ruas com nossos símbolos. O objetivo é mostrar à população brasileira a presença e a força das mulheres negras feministas: trabalhadoras urbanas, rurais (do campo e das cidades), do axé, LBTQIA+, em situação de rua, profissionais de diversos setores, entre outras.

Nossas pautas foram disseminadas em diversas Conferências Nacionais, especialmente na antiga Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e na Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPPM), hoje Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial.

Grandes avanços foram conquistados, como:

• A Lei Maria da Penha, criada após a violência sofrida por Maria da Penha, que quase a levou à morte por
seu companheiro.

• A Lei do Feminicídio, que oferece apoio a pesquisas sobre o aumento de assassinatos de mulheres por seus companheiros, namorados e amantes.

• A criação das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem atendimento integral a mulheres e seus filhos em situação de violência.

• A criação das Delegacias da Mulher, que recebem denúncias, emitem medidas protetivas (proibindo o agressor de se aproximar da vítima) e oferecem Casas de Apoio sigilosas.

• O apoio para que mulheres em situação de violência possam buscar emprego e tratamento de saúde (psicológico e outros).

Na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, decidiu-se realizar a 1ª Marcha das Mulheres Negras, que ocorreu em 2015 em Brasília. O evento reuniu mais de 50 mil mulheres negras de todos os estados do Brasil.

Diante de toda essa luta, em 2014, o governo da Presidenta Dilma Rousseff, reconhecendo nossa história, instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Desde então, todos os anos, no #JulhodasPretas, dia 25 de julho, as mulheres negras vão às ruas, realizam plenárias e outras atividades para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Sandra Mariano
Executiva do Fórum Nacional de Mulheres Negras/BR

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