No último sábado, 8 de agosto, o Setorial Inter-Religioso do Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (PT-MS) realizou seu Encontro Estadual.
O evento, promovido em formato híbrido, reuniu cerca de 100 participantes e marcou um momento de celebração, articulação e fortalecimento da diversidade religiosa no projeto político do partido no estado. O coletivo conta com núcleos que incluem evangélicos, católicos, povos de matriz africana e espíritas, unindo forças para demonstrar a harmonia possível entre fé, política e democracia.
A abertura foi conduzida pela coordenadora estadual do setorial, Sônia Mara, que acolheu os presentes. Em seguida, Anderson Meaurio, coordenador da matriz africana, deu início aos trabalhos com uma mística que abordou a relevância do setorial diante de um cenário mundial em transformação, ressaltando a convergência entre marxismo e questões espirituais. Reafirmou-se, assim, o compromisso de construir pontes de diálogo entre a ação política e o respeito às diferentes vivências religiosas.
As falas iniciais contaram com a participação de diversos pré-candidatos e lideranças políticas. Estiveram presentes os pré-candidatos ao Governo de MS, Fabio Trad e Gilda; os pré-candidatos a deputado estadual Pedro Kemp, Professora Bartolina e Gleice Jane; além dos pré-candidatos à Câmara dos Deputados Camila Jara, Elias Ishy e Gisele Marques.
O coordenador nacional do Setorial Inter-Religioso do PT, Gutierrez Barbosa, participou de forma remota e celebrou a estruturação do setorial nos 26 estados e no Distrito Federal. “Nossa contribuição é fortalecer um projeto de democracia e inclusão, em contraponto a um projeto de morte e violência”, afirmou.
Um dos pontos centrais da programação foi a apresentação de um manifesto político e ético. O documento parte do princípio de que a religiosidade, por sua ligação profunda com a essência humana, não pode ser instrumentalizada por candidaturas no período eleitoral como ferramenta de alienação, limitação da liberdade ou divisão social. O manifesto defende a laicidade do Estado, o combate à intolerância religiosa, ao racismo e a todas as formas de discriminação, além de declarar apoio à democracia e às candidaturas de Lula, Fábio Trad, Dona Gilda, Vander Loubert e Soraya Thronicke.
Para embasar o debate de conjuntura, os professores Ana Paula Araújo e Antônio Lino apresentaram uma análise dos perfis religiosos em Mato Grosso do Sul, compreendendo a fé como caminho de conquista para o bem viver e o equilíbrio social. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/SIDRA), destacou-se que, enquanto a média nacional aponta 56,8% de católicos e 26,9% de evangélicos, o estado registra 51,9% de católicos e 32,4% de evangélicos — índice superior à média do país. Além disso, entre os evangélicos sul-mato-grossenses, 45,36% declaram-se indígenas e 36,29% declaram-se pretos, evidenciando a necessidade de análises aprofundadas para a formulação de políticas públicas inclusivas.
Na discussão final, os participantes debateram a tensão entre o Estado laico e a atuação de bancadas confessionais no Congresso Nacional. Concluiu-se que o papel das lideranças religiosas no espaço público deve ser o de atuar como cidadãos de direitos, cobrando políticas coletivas e combatendo a hegemonia de qualquer dogma sobre a sociedade.
O encerramento reforçou que a articulação do setorial não se esgota no período eleitoral, mas segue viva na fiscalização do poder público, na defesa dos direitos das mulheres, no combate ao trabalho precário — como a escala 6×1 — e na promoção contínua da justiça social.

