Setorial de Esporte do PT alerta para fechamento de clubes do futebol feminino

Nota cita crise enfrentada pelo Fortaleza e Real Brasília e cobra políticas públicas para garantir legado da Copa e proteção às atletas femininas

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NOTA DE POSICIONAMENTO

O Setorial Nacional de Esporte e Lazer do Partido dos Trabalhadores torna público seu posicionamento diante do encerramento e da fragilização de clubes de futebol feminino no cenário nacional, em especial o fim das atividades da modalidade feminina do Fortaleza e a desistência do Real Brasília das competições nacionais.

Trata-se de uma nota necessária porque esses episódios não são fatos isolados, mas expressão de um problema estrutural, marcado pela ausência de garantias de continuidade, pela instabilidade dos projetos e pela falta de políticas públicas capazes de sustentar o futebol feminino como direito e como campo profissional.

O Brasil possui, desde 2023, uma Estratégia Nacional para o Futebol Feminino, que reconhece a modalidade como política pública, direito das meninas e mulheres e eixo estratégico do desenvolvimento esportivo. A estratégia aponta diretrizes para o fortalecimento da base, a ampliação da participação, a valorização do trabalho das atletas e a promoção da equidade. No entanto, os acontecimentos recentes demonstram que diretriz sem investimento, indução e acompanhamento não impede retrocessos, tampouco garante permanência aos projetos existentes.

O caso do Fortaleza é emblemático. Mesmo após um fato histórico, com o acesso conquistado dentro de campo à elite do futebol feminino nacional, o projeto foi encerrado. A ascensão esportiva não foi acompanhada de garantias institucionais de continuidade. O mérito esportivo, ainda hoje, não assegura permanência no futebol feminino brasileiro.

No caso do Real Brasília, a situação é igualmente grave. Trata-se de um clube que construiu sua identidade a partir do futebol feminino, sendo referência nacional na modalidade, com histórico de participação contínua nas principais competições, formação de atletas e presença consolidada no cenário esportivo.

A fragilização de um projeto com essa trajetória revela que nem mesmo clubes cuja centralidade é o futebol feminino estão protegidos das instabilidades estruturais que atingem a modalidade.

Essa realidade não se restringe a clubes de maior visibilidade. Equipes como o Aliança Futebol Clube, de Goiás, enfrentam há anos enormes dificuldades para manter suas atividades, com poucos recursos, baixa visibilidade e estruturas precárias. São clubes que sustentam o futebol feminino na base da resistência, sem acesso proporcional a investimentos, políticas públicas ou mecanismos de proteção institucional.

O futebol feminino segue submetido a regras que exigem a existência da modalidade, mas não garantem sua permanência e continuidade. Os regulamentos atuais não asseguram sustentabilidade financeira, planejamento de longo prazo nem proteção às atletas e profissionais. Esse vazio estrutural se escancara quando, diante de rebaixamentos ou crises no futebol masculino, uma das primeiras medidas adotadas por clubes é o encerramento das atividades do futebol feminino, confirmando o lugar secundário que a modalidade ainda ocupa.

Essa lógica produz ciclos de avanço e colapso, desmonta projetos, interrompe carreiras e compromete a integridade das competições. Também contradiz frontalmente os princípios da Estratégia Nacional para o Futebol Feminino e inviabiliza qualquer discurso consistente de legado esportivo.

Esse cenário é ainda mais grave diante da realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil. Sediar um evento dessa magnitude exige mais do que visibilidade internacional. Exige políticas públicas estruturadas, investimento contínuo, compromisso com a equidade de gênero no esporte, fortalecimento das competições nacionais e garantia de condições dignas de trabalho para atletas e profissionais.

Diante disso, o Setorial Nacional de Esporte e Lazer do PT reafirma que:

  • O futebol feminino só se consolidará como direito se houver políticas públicas permanentes, com planejamento, orçamento e responsabilidade institucional.

  • A Estratégia Nacional para o Futebol Feminino precisa ser acompanhada de investimentos, mecanismos de indução e monitoramento, capazes de garantir continuidade aos clubes.

  • Não há equidade sem financiamento adequado, distribuição justa de recursos e proteção ao trabalho das atletas.

  • Encerramentos e fragilizações de projetos representam retrocessos incompatíveis com qualquer projeto de desenvolvimento esportivo.

  • Não haverá legado da Copa do Mundo Feminina sem clubes estruturados, projetos contínuos e compromisso real com a igualdade no esporte. Fortaleza, Real Brasília e Aliança Futebol Clube não são exceções. São alertas concretos de que o futebol feminino brasileiro segue vulnerável diante da ausência de políticas públicas robustas, investimentos consistentes e equidade no tratamento da modalidade.

Setorial Nacional de Esporte e Lazer do Partido dos Trabalhadores