CPMI do INSS: PT pressiona assessor da Conafer que recebeu R$ 300 milhões
Na sessão desta quinta (16), Comissão Parlamentar Mista de Inquérito ouviu empresário Cícero Santos, apontado pela PF como assessor do presidente da Conafer, entidade envolvida no escândalo da Previdência
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu, nesta quinta-feira (16), o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos. Ele é apontado pela Polícia Federal (PF) como assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
A Conafer é uma das entidades enroladas no esquema fraudulento de descontos indevidos que lesou aposentados e pensionistas. Há pouco mais de duas semanas, Carlos Roberto Lopes foi preso em flagrante por ter mentido deliberadamente à CPMI, enquanto prestava depoimento.
O primeiro integrante da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) a questionar o assessor do presidente da Conafer foi o deputado federal Rogério Correia (MG). O petista indicou os crimes cometidos e confessados pelo empresário ao relator da CPMI, como lavagem de dinheiro e organização criminosa. Cícero Santos recebeu R$ 300 milhões ao longo de oito anos.
Leia mais: Rogério Correia: “É preciso ver quem beneficiou essa quadrilha”
Assista a minha fala completa na #CPMIdoINSS, que hoje ouviu Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como um dos operadores centrais em um esquema bilionário de desvio de recursos da Previdência Social (INSS). pic.twitter.com/pt0NjmqGsn
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) October 16, 2025
“Penas mínimas, portanto, seriam sete anos e quatro meses, podendo chegar a 36 anos e oito meses de reclusão, mais multa”, contabilizou o deputado. “Não era melhor o senhor fazer uma delação premiada, nos entregar a planilha e dizer realmente para quem foram esses recursos?”, questionou Correia, dirigindo-se ao depoente.
Em seguida, o deputado federal Paulo Pimenta (RS), líder do governo na CPMI, colocou em xeque a rentabilidade das empresas de Cícero Santos na pandemia. Na avaliação do parlamentar, por não ter apresentado nenhum documento, o empresário compareceu à sessão para apenas “enrolar” o colegiado.
“Como é que o senhor fazia para faturar milhões de reais para a Conafer durante a pandemia se o Brasil estava parado?”, pressionou Pimenta. “Não tinha como fazer evento, não tinha como locar carro, não tinha como fazer trabalho de inseminação”, prosseguiu, ao enumerar as atividades das empresas do depoente, que não soube lhe responder.
Já o deputado federal Alencar Santana (SP) descreveu Cícero Santos como um “laranja”. E lembrou que a Conafer foi uma das primeiras entidades a firmar Acordo de Cooperação Técnica (ATC) com o INSS. “Eles não usaram as suas empresas, eles usaram você […] Você está na origem, você não está no fim, você não está no meio”, afirmou.
“A Conafer assinou o primeiro ACT, para fazer esse roubo, esses supostos descontos, em 2017”, argumentou Alencar, em referência ao ano em que o empresário começou a prestar serviços à entidade.
Obsessão pelo PT
Antes de inquirir o assessor do presidente da Conafer, pela manhã, os parlamentares votaram mais de uma centena de requerimentos. A bancada do PT derrotou a extrema direita e barrou, por 18 votos a 11, a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula.
Frei Chico é diretor vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), outra entidade alvo da PF. O irmão de Lula, contudo, não é investigado, tampouco sofreu medidas judiciais por parte da Operação Sem Desconto.
Pimenta fez questão de expor a notória obsessão dos extremistas de direita pelo PT e a manobra para tentar desvirtuar os propósitos das investigações.
"A extrema-direita está tentando forçar uma narrativa ao apresentar o requerimento de convocação do Frei Chico", afirmou o deputado @Pimenta13Br (PT-RS), na CPMI do INSS. pic.twitter.com/TModrPsyYC
— PT na Câmara (@PTnaCamara) October 16, 2025
“Senhores deputados, deputadas, senadores, senadoras, ilustre presidente, o Frei Chico ingressa na diretoria desse sindicato em 2024, 2024”, repetiu o petista. “A Polícia Federal fez uma operação no Sindnapi, demonstrando que essas irregularidades iniciam em 2019, 2020, 2021, 2022: governo Bolsonaro”, rebateu, em seguida, antes de ser interrompido por bolsonaristas.
“[Frei Chico] não foi citado nem na investigação da CGU [Controladoria-Geral da União], da Polícia Federal, no inquérito. Não há nada, em lugar nenhum, que cite ele a qualquer coisa que envolva as irregularidades que estão sendo apuradas, pela Polícia Federal e por esta CPI, neste sindicato”, completou Pimenta.
Correia, por sua vez, negou que a base governista estivesse blindando o irmão de Lula. O parlamentar focou na provável prisão preventiva do presidente do Sindnapi, Milton Cavalo.
“Não sou contra que ele seja preso, evidentemente, se a Polícia Federal assim desejar e o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal que está com este caso, que é o senhor André Mendonça.”
🚨 ACABAMOS de rejeitar a convocação do Frei Chico na #CPMIdoINSS
O Sindnapi é investigado por fraudes, mas o irmão do presidente Lula NÃO é alvo da PF.
Apenas mais uma perseguição política e cortina de fumaça da extrema-direita para encobrir os verdadeiros culpados da… pic.twitter.com/bc5Ut1SotL
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) October 16, 2025
A CPMI também retirou da pauta a quebra de sigilo de Carlos Lupi (PDT), ex-ministro da Previdência.
Da Redação, com informações da Carta Capital
