Parlamentares da base governista viajaram aos Estados Unidos em missão parlamentar para contatos institucionais e terão agendas em Washington por quatro dias. O líder do PT, deputado Pedro Uczai (SC); Jandira Feghali (RJ), líder do PCdoB; Pedro Campos (PSB-PE), vice-líder do governo; e André Janones (MG), líder do Rede Sustentabilidade, terão reuniões com congressistas estadunidenses, representantes de organismos internacionais, diplomatas, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil.
A viagem ocorre em um momento de atenção internacional ao processo eleitoral brasileiro de 2026 e também em meio ao debate geopolítico sobre soberania nacional, intensificado nesta terça-feira com o anúncio de uma possível taxação de 25% dos Estados Unidos a produtos brasileiros, o que gerou uma reação em cadeia no país. Os parlamentares também pretendem abordar nas conversas a decisão do governo Trump de qualificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas — o que pode impactar negativamente a economia brasileira e o sistema financeiro nacional. Há também dúvidas sobre os efeitos da decisão na cooperação transnacional contra o crime organizado.
Traição e subserviência da família Bolsonaro
A visita do grupo parlamentar ocorre logo após a ida a Washington do senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numa atuação antinacional em que defendeu medidas dos EUA contra a soberania nacional e os interesses do povo brasileiro. Logo depois da passagem do senador pela Casa Branca, o governo dos Estados Unidos formalizou, na segunda-feira, 01, a conclusão de uma investigação contra o Brasil conduzida pelo Escritório do Representante Comercial (USTR) e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A medida, determinada por ordem do presidente de extrema direita Donald Trump, classifica como “irrazoáveis” políticas brasileiras que vão do sistema PIX a decisões do Judiciário sobre redes sociais. O Governo do Brasil divulgou nota em que considera infundados os argumentos. Uma das mais sérias ameaças de Trump é ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos — o PIX —, colocado no centro da disputa comercial e política com o Brasil.
Reação de Lula
Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de sabotar negociações entre Brasil e Estados Unidos e de agirem como traidores da Pátria. Para o Governo do Brasil, “interesses meramente eleitorais e familiares” ameaçam a independência e a soberania nacional. Em nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo afirma que a ofensiva dos EUA mira práticas brasileiras, cita o PIX e alerta que pode resultar em novas medidas unilaterais contra o país.
O grupo parlamentar brasileiro tem o objetivo de defender as instituições democráticas do país e repudiar “qualquer tentativa de ingerência” dos EUA, de ordem militar, política ou econômica.
A viagem já estava prevista antes da visita de Flávio Bolsonaro. A ameaça à soberania nacional aumenta a importância da missão dos parlamentares governistas a Washington.
Defesa da soberania e da democracia
Ao longo da semana, os deputados participarão de reuniões com parlamentares norte-americanos, além de representantes do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixadores de países parceiros do Brasil, jornalistas, organizações da sociedade civil e instituições dedicadas ao acompanhamento da democracia e das relações internacionais.
A delegação pretende reafirmar a confiança nas instituições democráticas brasileiras e na solidez do sistema eleitoral do país. A missão também busca ampliar a compreensão sobre a realidade institucional do Brasil em espaços de influência política em Washington.
Para os parlamentares, fortalecer o diálogo internacional é parte legítima da atuação democrática. Diante do contexto políticos, os deputados consideram fundamental reforçar uma mensagem de respeito à soberania nacional, às decisões tomadas pelas instituições brasileiras e ao papel relevante do Brasil na esfera internacional.
“Em um contexto importante na relação entre Brasil e Estados Unidos, é essencial preservar canais de diálogo entre forças democráticas e progressistas dos dois países. Esta missão parlamentar contribui para fortalecer canais de diálogo Brasil-EUA baseados na defesa da soberania, no respeito mútuo e no fortalecimento do multilateralismo para enfrentar desafios-chave, como ameaças democráticas, desinformação no mundo digital e transição energética”, afirma Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma CIPÓ.
Por sua vez, Paulo Abrão, diretor-executivo do Washington Brazil Office (WBO), destacou a importância de ampliar a presença de diferentes vozes do Parlamento brasileiro nos Estados Unidos. “Neste momento, é fundamental diversificar as vozes parlamentares brasileiras nos Estados Unidos. Trata-se de um grupo de lideranças democráticas de alto nível, cuja participação contribuirá para qualificar o debate e aprofundar o conhecimento sobre a realidade brasileira no cenário internacional.”
A missão tem apoio de entidades como o Washington Brazil Office, da Plataforma CIPÓ, do WOLA, da Amazon Watch.
Rede PT de Comunicação, com informações do PT na Câmara.