‘Estamos do lado dos trabalhadores por aplicativos’, afirma líder do PT
Após plenária com representantes da categoria, partido decidiu que não aceitará proposta em tramitação no Congresso que coloca direitos em risco
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A Bancada do PT na Câmara dos Deputados realizou uma plenária virtual, na sexta-feira, 10, com representantes de trabalhadores por aplicativo para discutir o relatório do PLP 152/2025, que trata da regulamentação do setor. O encontro reuniu lideranças da categoria, entidades sindicais e técnicos para avaliar o conteúdo do parecer e definir a posição do partido.
Ao final do debate, a bancada decidiu votar contra o relatório e atuar para impedir seu avanço no Congresso. O entendimento é de que o texto, como está, não garante direitos mínimos e pode aprofundar a precarização das condições de trabalho nas plataformas digitais.
O líder da bancada, deputado Pedro Uczai (PT-SC), reafirmou o posicionamento do partido durante a plenária. “Nós estamos do lado dos trabalhadores por aplicativo e não vamos permitir que se aprove um relatório que não assegura direitos mínimos. Vamos usar todos os instrumentos para impedir esse retrocesso”, declarou.
O PT definiu que irá intensificar a articulação política no Congresso e dialogar com outros parlamentares para modificar o texto ou impedir sua aprovação. A bancada também acompanha a mobilização nacional da categoria, que pressiona por uma regulamentação que assegure direitos e melhores condições de trabalho.
Para Pedro Uczai, o debate sobre a regulamentação dos aplicativos precisa partir do princípio da proteção social. “Não é possível modernizar a economia às custas da retirada de direitos”. “O que está em jogo aqui é garantir dignidade para quem trabalha todos os dias nas ruas, sem segurança e sem proteção”, acrescentou.
A plenária foi organizada pela Liderança do PT em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e contou com a participação de representantes de motoristas e entregadores de diferentes regiões do país. Entre os principais pontos levantados esteve a crítica à ausência de vínculo empregatício e à definição de regras consideradas favoráveis às plataformas.
Na avaliação dos participantes, o parecer representa um retrocesso em relação a propostas anteriores. Embora traga alguns avanços pontuais, o texto mantém lacunas importantes na proteção social e na garantia de renda.
Um estudo técnico apresentado durante a plenária apontou que o relatório reduz mecanismos de transparência, enfraquece a fiscalização e altera a classificação das empresas, que passam a ser tratadas como plataformas de tecnologia. Segundo a análise, essa mudança dificulta a regulação do setor.
Outro ponto criticado foi a criação da categoria de “trabalhador autônomo plataformizado”, vista como uma forma de institucionalizar relações de trabalho sem direitos trabalhistas e previdenciários.
Da Rede PT de Comunicação, com informações do PT na Câmara.