Extrema direita faz manobra com dinheiro público para visitar golpista nos EUA

Senadores bolsonaristas realizam reunião fora do horário regimental para criar missão oficial e prestar “solidariedade” a Alexandre Ramagem

Tramitam no Senado dois requerimentos para a criação de uma “missão oficial” com o objetivo de “fiscalizar a assistência consular” a Alexandre Ramagem. Em poucas palavras: parlamentares brasileiros querem viajar às custas do dinheiro público para visitar um condenado e foragido da justiça recentemente preso pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos por estar em situação irregular.

Um dos requerimentos foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores (CRE), em reunião promovida pela extrema direita, que começou duas horas depois do horário determinado pelo Regimento do Senado. Presidida pelo vice-presidente do governo Bolsonaro, Hamilton Mourão, serviu apenas para votar a permissão para a viagem dos senadores que apoiam golpistas. A reunião durou 9 minutos e foi realizada diante de um plenário praticamente vazio. O pedido ainda será submetido ao plenário do Senado.

A trama de Ramagem

Ramagem teve envolvimento direto na tentativa de golpe bolsonarista. Como diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) utilizou a estrutura do Estado para conspirar, investigar adversários, disseminar fakenews, especialmente sobre as urnas eletrônicas e descredibilizar o processo eleitoral. O objetivo da organização criminosa era criar um ambiente de instabilidade institucional que permitisse a abolição violenta do estado democrático de direito, com uso da força militar, e a manutenção do poder por Bolsonaro. A trama foi amplamente descrita nas investigações da Polícia Federal e punida pelo Supremo Tribunal Federal.

Condenado a 16 anos e um mês de prisão, e ainda respondendo a outros processos, Ramagem teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, após fugir do Brasil pela fronteira norte, entrando na Guiana. Depois, estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde foi preso na última segunda-feira ,13, por estar em situação migratória irregular. O condenado foi liberado três dias depois.

 

Rede PT de Comunicação com informações da liderança do PT no Senado.

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