‘Família Bolsonaro governa com submissão a Trump’, afirma presidente do PT
Edinho Silva acredita que eleição deste ano vai refletir a disputa entre dois projetos. Ele reforça que Flávio Bolsonaro não nasceu da casca do ovo e representa o pai
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A desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de disputar a eleição presidencial de outubro não deve provocar uma alteração significativa no cenário político, na avaliação do presidente nacional do PT, Edinho Silva. “A tendência das eleições de 2026 é a polarização”, afirmou o dirigente, em entrevista ao portal Metrópoles nesta terça-feira, 24.
Segundo Edinho Silva, o quadro atual mostra que o eleitorado brasileiro terá que fazer uma opção entre dois projetos bastante distintos, o de Lula e o de Bolsonaro. “O projeto hoje liderado pelo Flávio Bolsonaro o Brasil conhece, já conviveu com a forma como a família Bolsonaro governa, a relação de submissão que eles têm como o governo Trump”, lembrou o presidente do PT. “Vamos ter que comparar o que a família Bolsonaro representa e o que o presidente Lula representa.”
Ainda que esteja em curso uma estratégia de marketing para apresentar Flávio Bolsonaro como um político moderado, Edinho Silva disse que “ninguém nasceu da casca do ovo” e é preciso resgatar o que ele pensa e o que ele representa. “Flávio Bolsonaro representa o legado do Bolsonaro. É quem mais representa aquilo que o Bolsonaro pensa, o que Bolsonaro pôs em prática quando governou o Brasil”, disse o presidente nacional do PT, que em seguida lembrou as mortes da pandemia, o negacionismo, a fome no país, a fila do osso, a falta de perspectiva da juventude, a ausência de representatividade internacional do país, os ataques à democracia e tantos outros descalabros da gestão anterior.
“O desemprego está caindo, a renda melhorando. Está longe ainda do que queremos, mas se compararmos a situação que Lula pegou o Brasil, é incomparável o Brasil de hoje com o Brasil da família Bolsonaro.”
Quem quer a paz e quem defende as guerras?
O petista enfatizou que se de um lado o presidente Lula insiste na paz mundial, na diplomacia, na capacidade de diálogo, do outro lado a família Bolsonaro – o legado que Flávio Bolsonaro representa – traz consigo o histórico de defesa das guerras, da violência, da truculência, da falta de preparo para conduzir o país num mundo com geopolítica tão conturbada. “Lula é o líder mais preparado, com mais capacidade de diálogo para conduzir o Brasil num momento de tantas dificuldades globais.”
Lula, acrescentou Edinho Silva, é um presidente experiente que defende a soberania nacional e que trabalhou para reerguer a economia do país e as políticas públicas após ter recebido um governo destroçado por Bolsonaro. A guerra contra o Irã promovida pelos Estados Unidos e por Israel, apoiada pelos Bolsonaro, “não tem menor cabimento”, disse Edinho Silva. “Atinge todos os países do mundo, inclusive o Brasil”, afirmou.
Além de citar também a imprudência de Trump com a política do tarifaço, com a qual o Brasil, sob Lula, reagiu de forma enfática e diplomática, Edinho Silva também lembrou o período da pandemia de covid-19 e as decisões políticas de Bolsonaro que levaram ao saldo de mais de 700 mil mortos. “É um projeto que cuida do povo e o projeto que entregou o povo à própria sorte na pandemia”, comparou o presidente nacional do PT.
Master se consolidou como banco na gestão Bolsonaro
Edinho Silva reagiu às especulações da imprensa sobre ligações de dirigentes do PT com o escândalo do Banco Master. Ele afirmou que não há dirigentes do PT ligados às fraudes e lembrou que todas as denúncias só estão sendo apuradas graças ao apoio integral do Governo Lula às investigações conduzidas pela Polícia Federal, Banco Central e Corregedoria-Geral da União. “Não tem nada a ver Banco Master com lideranças do PT”, retrucou.
“O Banco Master se consolidou como banco no governo Bolsonaro, na gestão de [Roberto] Campos Neto [presidente do Banco Central no governo anterior]”, disse Edinho Silva. Foi na gestão de Campos Neto que o banco se tornou essa imensa fraude que maculou o sistema financeiro do país, disse o petista. “O Banco master é fruto de uma omissão gravíssima e de uma postura gravíssima do BC durante o governo Bolsonaro. Se não fosse o [Gabriel] Galípolo [presidente do BC] e a PF tomarem as medidas necessárias, o Master poderia ter arrastado o sistema financeiro do país para a maior tragédia”, disse.
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