Lula: O futuro da humanidade depende da reconstrução democrática
Em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, presidente questiona falhas do campo progressista diante da ascensão da extrema direita e propõe reflexão sobre novas formas de organização popular
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A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão do campo progressista no mundo. “O que que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”, questionou Lula.
Presidente Lula participa da 2ª Reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos” https://t.co/e5lfpDjOsK
— Lula (@LulaOficial) September 24, 2025
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O presidente descreveu sua jornada pessoal, revelando como a versão inicial à política se tornou na profunda verdade de que “a tristeza de quem não gosta de política é que é governada por quem gosta”. Ele lembrou a criação do PT a partir da percepção da ausência de trabalhadores no Congresso Nacional, apontando que a organização popular foi a chave para a classe trabalhadora alcançar a Presidência da República, um feito antes considerado “humanamente impossível”.
Lula também lembrou a fundação do Fórum de São Paulo, que logrou prosperar em reunir a esquerda latino-americana em torno da organização dos trabalhadores. “Foi assim que nós criamos o Fórum de São Paulo. Da República Dominicana tinha 15 organizações de esquerda. A Argentina tinha umas 20 organizações de esquerda e ninguém falava com ninguém”.
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Ameaças à democracia
A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão. Ele instou cada cidadão e líder a se perguntar diariamente: “O que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”
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A provocação mais incisiva do presidente, contudo, foi dirigida ao próprio campo democrático e de esquerda. “O que me inquieta hoje é a gente responde para nós mesmos aonde é que os democratas erraram, em que momento a esquerda errou, por que nós permitimos que a extrema direita cresça com a força que está crescendo? É virtude deles ou é incompetência nossa?”, questionou.
Lula criticou a tendência de alguns governos, mesmo de esquerda, de priorizar os interesses “dos inimigos” – como a cobrança do mercado e as demandas da imprensa – em detrimento da base popular que os elegeu. “Muitas vezes os nossos concorrentes que foram pra rua, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados por nós setores e radicais. E a gente começa a não dar atenção a eles e dar atenção àqueles que falam bem da gente. Esse é o fracasso da democracia”, lamentou.
Para o presidente, a resposta ao avanço do negacionismo, do extremismo e do discurso fascista deve surgir de uma avaliação honesta. “Nós temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Como é que nós estamos exercendo a democracia em nossos países? Se a gente encontrar essa resposta, a gente volta a vencer a direita, sabe? Se a gente não encontrar resposta, a gente vai continuar sendo sufocado.”
Da Redação
