Lula: O futuro da humanidade depende da reconstrução democrática

Em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, presidente questiona falhas do campo progressista diante da ascensão da extrema direita e propõe reflexão sobre novas formas de organização popular

Ricardo Stuckert

O presidente Lula discursou no evento Democracia Sempre, nesta quarta-feira (24)

O presidente Lula participou, nesta quarta-feira (24), da 2ª Reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos” , evento que reuniu 30 países na sede das Nações Unidas. Em um discurso contundente e marcado pela autocrítica, Lula defendeu a democracia como pilar essencial para o futuro da humanidade, a manutenção do multilateralismo e a harmonia global. Ele desafiou o campo progressista a refletir sobre sua própria atuação diante da crescente ameaça da extrema direita.

A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão do campo progressista no mundo. “O que que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com ​​quantas pessoas você falou de democracia? Com ​​quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”, questionou Lula.

Confira também:  Leia a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU

O presidente descreveu sua jornada pessoal, revelando como a versão inicial à política se tornou na profunda verdade de que “a tristeza de quem não gosta de política é que é governada por quem gosta”. Ele lembrou a criação do PT a partir da percepção da ausência de trabalhadores no Congresso Nacional, apontando que a organização popular foi a chave para a classe trabalhadora alcançar a Presidência da República, um feito antes considerado “humanamente impossível”.

Lula também lembrou a fundação do Fórum de São Paulo, que logrou prosperar em reunir a esquerda latino-americana em torno da organização dos trabalhadores. “Foi assim que nós criamos o Fórum de São Paulo. Da República Dominicana tinha 15 organizações de esquerda. A Argentina tinha umas 20 organizações de esquerda e ninguém falava com ninguém”.

Leia mais: “Nada justifica matar crianças”, diz Lula em discurso na ONU

Ameaças à democracia 

A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão. Ele instou cada cidadão e líder a se perguntar diariamente: “O que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com ​​quantas pessoas você falou de democracia? Com ​​quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”

Ouça o boletim da Rádio PT 

A provocação mais incisiva do presidente, contudo, foi dirigida ao próprio campo democrático e de esquerda. “O que me inquieta hoje é a gente responde para nós mesmos aonde é que os democratas erraram, em que momento a esquerda errou, por que nós permitimos que a extrema direita cresça com a força que está crescendo? É virtude deles ou é incompetência nossa?”, questionou.

Lula criticou a tendência de alguns governos, mesmo de esquerda, de priorizar os interesses “dos inimigos” – como a cobrança do mercado e as demandas da imprensa – em detrimento da base popular que os elegeu. “Muitas vezes os nossos concorrentes que foram pra rua, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados por nós setores e radicais. E a gente começa a não dar atenção a eles e dar atenção àqueles que falam bem da gente. Esse é o fracasso da democracia”, lamentou.

Para o presidente, a resposta ao avanço do negacionismo, do extremismo e do discurso fascista deve surgir de uma avaliação honesta. “Nós temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Como é que nós estamos exercendo a democracia em nossos países? Se a gente encontrar essa resposta, a gente volta a vencer a direita, sabe? Se a gente não encontrar resposta, a gente vai continuar sendo sufocado.”

Da Redação

Tópicos:

LEIA TAMBÉM:

Mais notícias

PT Cast