O pobre no Orçamento e justiça tributária: o legado de Haddad na gestão econômica
À frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad deixa legado importante. Entre os destaques estão a reforma tributária e o conserto no rombo deixado por Bolsonaro
Publicado em
À frente do Ministério da Fazenda por três anos e dois meses, a gestão de Fernando Haddad deixa ao país um legado importante. Nesta quinta-feira, 20, Haddad se desligou do ministério, conforme já havia antecipado. Sob seu comando, o Governo Lula 3 conseguiu aprovar a reforma tributária, que há anos se arrastava pelo Congresso. A gestão Haddad também consertou o rombo deixado pelo extremista de direita Bolsonaro e cumpriu a ordem de Lula: colocar o pobre no orçamento.
A pré-candidatura de Fernando Haddad (PT-SP) ao Governo de São Paulo, lançada nesta quinta-feira, 19, ocorre no momento em que seu nome se consolida como grande formulador de uma política econômica que recoloca a justiça tributária no centro do debate e rompe com décadas de privilégios para o topo da pirâmide. À frente do Ministério da Fazenda no Governo Lula, Haddad deixa como marca um ciclo de reconstrução em que o ajuste fiscal deixou de recair sobre o povo e passou, pela primeira vez, a alcançar o andar de cima.
O símbolo mais evidente desse legado é a aprovação da reforma tributária, considerada a mudança estrutural mais profunda do sistema brasileiro em décadas. Depois de mais de 30 anos de tentativas frustradas, o país conseguiu avançar para um modelo moderno de tributação sobre o consumo, com a criação de um IVA dual que unifica tributos e reduz distorções históricas.
Mais do que uma conquista técnica, a reforma foi também uma vitória política. Haddad conseguiu articular governo, Congresso e setores produtivos em torno de um consenso, consolidando uma agenda que alia crescimento econômico com redução das desigualdades.
Mas o legado do ministro vai além da reforma, se expressando em uma mudança na forma como o Estado arrecada e distribui recursos. A tributação de offshores e fundos exclusivos, instrumentos historicamente utilizados por super-ricos para pagar menos impostos, garantiu bilhões aos cofres públicos: R$ 7,7 bilhões no caso das offshores e R$ 13 bilhões com fundos exclusivos, em 2024, por exemplo. Ao mesmo tempo, o Brasil aprovou a taxação mínima de 15% sobre o lucro de grandes multinacionais, alinhando-se a um esforço global contra a evasão fiscal.
Proteção a quem mais precisa
Essa reorganização permitiu inverter prioridades. Em vez de cortar direitos ou comprimir salários, o governo passou a ampliar renda e proteger os mais vulneráveis. A política de valorização real do salário mínimo foi retomada, impulsionando o poder de compra dos trabalhadores. O Bolsa Família foi reajustado e fortalecido, enquanto programas como o Desenrola viabilizaram a renegociação de R$ 57 bilhões em dívidas, devolvendo dignidade financeira a milhões de brasileiros.
Na mesma direção, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa um marco no alívio tributário para a classe trabalhadora. Para compensar, o governo instituiu uma tributação mínima sobre altas rendas, corrigindo distorções em que os mais ricos pagavam proporcionalmente menos impostos.
Limpeza no esgoto deixado por Bolsonaro
As medidas foram fundamentais para o Governo Lula enfrentar um cenário fiscal crítico herdado da gestão Bolsonaro. “O que aconteceu de 2022 para 2023 foi uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada”, declarou Haddad, em evento do PT na Bahia, em janeiro deste ano. Segundo ele, a narrativa bolsonarista de equilíbrio fiscal escondia um conjunto de manobras que incluía venda de ativos estratégicos e postergação de despesas, como no caso da chamada “PEC do calote” dos precatórios.
O impacto dessa herança apareceu no orçamento de 2023. O Governo Bolsonaro já previa um deficit de R$ 63 bilhões, sem considerar despesas essenciais. Ao incluir o reajuste do Bolsa Família (R$ 52 bilhões) e o pagamento de precatórios (R$ 44 bilhões), o rombo herdado chegou a cerca de R$ 160 bilhões, ou 1,6% do PIB. Diante desse cenário, a aprovação da PEC da Transição foi decisiva para evitar a paralisação da máquina pública e garantir a continuidade de políticas sociais.
Haddad liderou a substituição do antigo teto de gastos por um novo arcabouço fiscal, mais flexível e adaptado às necessidades do país. A nova regra mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal, mas permite que o Estado volte a investir em desenvolvimento econômico e social, superando a paralisia dos anos anteriores sob Bolsonaro e Paulo Guedes.
Reflexos positivos em toda a economia
Os resultados desse novo modelo já começam a aparecer. O Brasil voltou a crescer de forma consistente, com aumento do PIB, queda do desemprego e expansão da renda do trabalho. Indicadores de pobreza e extrema pobreza recuaram, refletindo a recomposição de políticas públicas e a melhoria das condições de vida da população.
Entre 2023 e 2025, o PIB avançou aproximadamente, em média, 3% ao ano; a taxa de pobreza caiu de 27,3%, em 2023, para 23,1%, em 2024; e a taxa de desemprego está em 5,1% no trimestre fechado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica, iniciada em 2012.
A pré-candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo não se sustenta apenas na sua trajetória pública, mas em uma experiência concreta de gestão econômica e uma visão política que reposiciona o papel do Estado e *enfrenta privilégios históricos. Ao liderar um ajuste fiscal que não penaliza os mais pobres, ele ajudou a consolidar uma nova referência para o país.
Da Rede PT de Comunicação.