‘Acabar com a jornada 6×1 é uma pauta da mulher brasileira’

Em pronunciamento sobre Dia Internacional da Mulher, Lula diz que quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra, promete operações contra agressores e pede redução da jornada

Ricardo Stuckert/PR

Lula em pronunciamento nacional pelo Dia Internacional da Mulher, 8 de Março.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, em pronunciamento nacional em rede de rádio e televisão, que os homens do país façam uma reflexão sobre a forma como tratam as mulheres. “Como o nosso país trata as mulheres? E mais que isso. Como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres?” Além de enfatizar as ações para punir agressores de mulheres, Lula também enfatizou que a desigualdade salarial de gênero persiste, que as trabalhadoras enfrentam duplas jornadas e que é preciso acabar com a escala 6×1. “Essa é uma pauta da mulher brasileira”, afirmou.

A realidade de mortes de mulheres no Brasil, afirmou Lula, é dura e precisa ser encarada: a cada seis horas, uma mulher é morta por um homem no país. “Quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio. Todos juntos por elas.” O presidente reiterou que a maioria esmagadora das agressões acontecem no ambiente doméstico, que deveria ser de proteção. “Que futuro será possível para nós se seguirmos sendo um dos países mais violentos com as mulheres? E mais: que futuro o nosso país deve construir para as mulheres?”

Lula, que desde o ano passado se envolveu diretamente na luta contra o feminicídio e liderou o Pacto Nacional que envolve os Três Poderes para tentar deter os crimes em todo o país, lembrou as ações e políticas públicas já em curso e prometeu um mutirão contra a impunidade.

“Na última sexta-feira, anunciamos um conjunto de ações a serem implantadas de imediato. Para começar, um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos estados, para prender mais de 2 mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade. E estou avisando: outras operações virão.”

O presidente, em todos os seus últimos discursos, tem destacado que a violência contra a mulher é um problema dos homens e de toda a sociedade brasileira, e avisa que o Estado vai sim interferir, ou seja, “vai meter a colher”, contrariando o velho ditado de que em briga de casal ninguém interfere. “A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido. Estamos também ampliando a rede de unidades dos Centros de Referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem serviços especializados para as vítimas de violência doméstica e seus filhos.”

Fim da jornada 6×1

Além de enfatizar as ações do Governo do Brasil para coibir as violências, Lula também abordou a desigualdade entre homens e mulheres, que persiste. “Aprovamos a lei que garante o mesmo salário entre mulheres e homens quando exercem a mesma função, mas precisamos fazer mais. Pois, para as mulheres, todo dia é um dia de luta. Desde a hora que acordam para trabalhar até a hora em que encerram o dia de trabalho, que, muitas vezes, é uma dupla jornada, no emprego e em casa.

“Aprovamos a lei que garante o mesmo salário entre mulheres e homens quando exercem a mesma função, mas precisamos fazer mais. Pois, para as mulheres, todo dia é um dia de luta. Desde a hora que acordam para trabalhar até a hora em que encerram o dia de trabalho, que, muitas vezes, é uma dupla jornada, no emprego e em casa. Por isso, é preciso avançar no fim da escala 6×1, que obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter um só dia de folga. Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver.”

Tigrinho, destruidor de lares

Lula também abordou o vício em apostas online, que atinge sobretudo os homens, mas afeta diretamente as mulheres em seus lares. “Embora a maioria dos viciados sejam homens, a conta recai sobre as mulheres. É o dinheiro da comida, do aluguel, da escola das crianças que desaparece na tela do celular. Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo o Governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e destruindo lares”, disse.

Outro problema digital também foi abordado pelo presidente: a segurança de mulheres e meninas no ambiente digital. “O discurso de ódio nas redes violenta, difama, incentiva a agressão contra as mulheres e meninas e afasta lideranças femininas da vida pública. Na próxima semana, entra em vigor o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, o ECA Digital, que amplia a proteção de meninas e meninos na internet”, lembrou.

Lula disse, ainda, que em março o Governo do Brasil vai “anunciar novas medidas para ampliar a segurança de mulheres e meninas e combater o assédio on-line”. “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar.”

Veja a íntegra do pronunciamento do presidente.

Da Rede PT de Comunicação.

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