Siga nossas redes

Mulheres do PT defendem paridade no poder durante 8º Congresso Nacional

Secretária nacional de Mulheres, Mazé Morais defende que as petistas são centrais para projeto político do partido: 'Somos linha de frente na resistência. Não há democracia plena sem as mulheres no poder'

Sob o lema de que as mulheres são centrais para o presente e o futuro do Brasil, a Secretaria Nacional de Mulheres do PT (SNMPT) abriu, nesta sexta-feira, 24, a programação do 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores. A Plenária Nacional reuniu cerca de 300 lideranças, entre delegadas dos estados, observadoras, vereadoras e deputadas, para alinhar estratégias políticas e garantir que a incidência feminista seja o motor das decisões do partido.

Resistência e Estratégia Política

A secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, destacou que a presença de cada delegada é fruto de resistência e compromisso com o Brasil. “Estamos aqui para garantir que, ao longo do Congresso, nossa incidência seja decisiva. Este Congresso acontece no horizonte das eleições, e isso aumenta nossa responsabilidade”, afirmou Mazé, reforçando que as mulheres são a linha de frente na defesa da democracia e na disputa de corações e mentes.

Ministério das Mulheres: pelo fim do feminicídio

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT-PR), emocionou a plenária ao destacar a trajetória das mulheres petistas na retaguarda e na linha de frente das políticas públicas. Ela reforçou a urgência do Pacto Brasil contra o Feminicídio e a necessidade de radicalizar as bandeiras feministas.

O presidente Lula me disse: ‘Quero andar pelo país e encontrar as mulheres felizes, protagonistas‘. Mas sabemos que não há felicidade sem o fim da violência. O Ligue 180 precisa estar em todos os lugares. Não podemos eleger homens machistas, golpistas e violentos”, pontuou a ministra, convocando a militância a ser porta-voz das entregas do governo nos territórios.

“A gente tem obrigação, enquanto mulheres petistas, de fazer a diferença nos nossos estados e nos nossos municípios. Cada cidade que tem uma vereadora, que tem uma deputada, que tem uma uma militante do Partido dos Trabalhadores, isso faz uma importância enorme”, relatou a ministra.

Lopes também defendeu o mínimo de paridade nos espaços de poder: “No mínimo 50% de mulheres, nos espaços, nos mandatos e 50% de homens, no mínimo 50%. Isso não é uma tarefa fácil, mas a gente tem estratégias para fazer isso e vamos fazer”.

Paridade e representatividade: além dos números

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) trouxe dados sobre a sub-representatividade feminina no Senado, onde são apenas 15 mulheres entre 81 senadores, e questionou a prática da paridade. “A paridade não é apenas uma concepção matemática de dividir por dois. Precisamos de equidade e de condições reais para exercer a política, combatendo a violência política de gênero que tenta nos afastar dos espaços de decisão”.

Além disso, a parlamentar defendeu que um Brasil justo não se faz sem direitos plenos, e que se insere o debate  pelo fim da escala 6×1, que impacta diretamente na qualidade de vida das mulheres. “E isso se insere na plenitude dos nossos direitos de trabalhadoras, de donas de casa, de políticas e de pessoas que querem ser gente e gente nasceu para brilhar. Não foi para morrer de fome, nem trabalhar até morrer. trabalhar para viver”, argumentou Teresa.

Partido de esquerda não convive com machismo 

O presidente do PT, Edinho Silva, também enfatizou que o partido deve ser o espelho da sociedade que defende: “Não há partido de esquerda que conviva com machismo ou racismo. O nosso partido só será instrumento de transformação se valorizar a militância orgânica e garantir, no mínimo, 50% de mulheres em todas as instâncias de decisão”.

“Se nós somos de esquerda, nós somos de esquerda primeiro entre nós para que a gente possa legitimar o que nós pensamos e para que a gente possa defender junto à sociedade. Por um PT da transformação, por um PT anti-sistema, por um PT que efetivamente transforme a vida das brasileiras e brasileiros”, afirmou o presidente. 

Homenagem ao Legado: Sônia Braga e Clara Charf

O evento foi marcado por homenagens emocionantes às companheiras Sônia Braga e Clara Charf, símbolos da construção do PT. Maria Braga, filha de Sônia, e Maria Marighella, neta de Clara, destacaram que a política para essas mulheres nunca foi uma teoria distante, mas sim um compromisso concreto com a classe trabalhadora e com o feminismo. “Honrar a trajetória de Sônia e Clara é continuar organizando a base e ocupando espaços de poder para transformar a sociedade”, afirmou Maria.

Próximos passos no Congresso

As delegadas agora se preparam para os Grupos de Trabalho (GTs), onde apresentarão emendas aos textos-base do 8º Congresso. O foco será a inserção da perspectiva feminista nos programas de governo e na tática eleitoral para 2026, garantindo que as pautas das mulheres reais — das periferias, das águas e das florestas — estejam no centro do projeto político petista.

Da Redação do Elas por Elas