PT homenageia Clara Charf e Sonia Braga em 8º Congresso
Partido resgata história de militantes, lembrando que a memória política é elemento importante para as futuras gerações. Dirigentes comentam o legado das petistas
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O 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que será realizado entre os dias 24 e 26 de abril, em Brasília, lembra os 46 anos de existência do PT, e promete ser estratégico para a organização e construção da diretriz eleitoral em 2026.
E, como lembrar a história é fundamental para traçar as linhas do futuro, o encontro faz homenagem a duas ativistas que dedicaram suas vidas à construção partidária e à defesa da democracia: Clara Charf e Sonia Braga.
A escolha ocorre em um contexto em que o governo do presidente Lula lidera o enfrentamento à violência contra a mulher e quando se discute a ampliação da participação das mulheres na política, com um forte debate sobre violência política de gênero e misoginia.
Clara e Sônia: força e organização
Clara Charf construiu trajetória em defesa da democracia, dos direitos e dos avanços sociais e foi companheira de vida e luta de Carlos Marighella. Ela faleceu em 2025, aos 100 anos de idade. Na ocasião da sua morte, o presidente Lula declarou que perdeu uma companheira de longa caminhada. “Convivi com a Clara por mais de 40 anos. Aprendi muito com ela sobre política, solidariedade, resistência e humanidade. E hoje me despeço dela com carinho, respeito e gratidão a essa grande brasileira que tanto fez pelo nosso país e por todos nós que tivemos a sorte de tê-la por perto”, lamentou.
Clara dedicou toda a sua vida às causas populares. Militante política desde os 20 anos, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) aos 21, onde conheceu Carlos Marighella. Ao lado dele, enfrentou a clandestinidade, a repressão e a violência da ditadura militar a partir de 1964.
Sonia Braga, fundadora do partido, ex-presidenta estadual do PT no Ceará, ex-secretária de Organização Nacional do PT, referência de dedicação à organização partidária, construiu sua trajetória política com firmeza de princípios, espírito coletivo e lealdade inabalável às causas do povo trabalhador. Sua história se confunde com a história de luta do PT, marcada pela defesa da democracia, da justiça social e de um país mais humano, soberano e igualitário.
Foi uma companheira que fez da política um exercício de compromisso verdadeiro com os que mais precisam, com atenção especial às lutas da agricultura familiar, da moradia e das comunidades populares. Sônia faleceu em março de 2026.
Para o secretário executivo do Congresso, Jilmar Tatto, a homenagem é o reconhecimento a quem esteve do lado certo da história.
“A homenagem à companheira Clara Scharf e à companheira Sonia Braga é mais que merecida”, afirma Tatto. “Conheci Clara desde o final dos anos 70 e aprendi muito com sua firmeza política e sua defesa, já nos anos 80, do direito das mulheres e da igualdade. Já Sonia sempre me impressionou com sua vibração e capacidade de organização na Executiva Nacional. Eram militantes de primeira hora, que atuaram com desprendimento e muita solidariedade”, relembra.
Identidade e resistência política
Homenagear as ativistas é também uma forma de mostrar às novas gerações de militantes as raízes do PT. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, destaca que o gesto possui uma dimensão política:
“Homenagear Clara Charf não é apenas um ato de memória, mas um gesto político fundamental para reafirmar a identidade combativa do PT. Ao reverenciá-la, celebramos a força da militância histórica. Da mesma forma, ao homenagear Sonia Braga, o partido acerta ao lembrar que nossa força vem do elo entre a luta institucional e a mobilização popular.”
Um Congresso voltado aos desafios do Brasil
Durante o Congresso, cerca de 600 delegadas e delegados, estarão reunidos para discutir temas como tática eleitoral, estratégia de comunicação e conjuntura política. Segundo Jilmar Tatto, o momento exige foco total na defesa da rede de proteção social e da democracia.
“A importância do Congresso acontecer neste ano se dá num momento de disputa eleitoral polarizada, em que o outro lado representa um projeto antidemocrático e de destruição. Teremos a oportunidade de debater estratégias que devem conquistar corações e mentes para reeleger o presidente Lula e orientar o futuro do partido, afirma.
confira a aqui programação do Congresso.
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