Marcha da Classe Trabalhadora pede ao Congresso fim da escala 6×1
Na Câmara, extrema direita tenta atrasar a discussão pelo fim da jornada de trabalho sem redução de salários; presidente Hugo Motta recebeu pauta dos trabalhadores
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A Marcha da Classe Trabalhadora tomou a Esplanada dos Ministérios, nesta quarta-feira, 15, em Brasília. A multidão partiu do Teatro Nacional e se dirigiu à Câmara dos Deputados para entregar ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), um documento contendo as pautas mais caras à classe trabalhadora e para pressionar os parlamentares a votar favoravelmente ao fim da escala 6×1, em que os trabalhadores têm somente um dia da semana para o descanso.
Intitulado “A Pauta da Classe Trabalhadora”, o documento entregue ao presidente da Câmara contém 68 reivindicações para a ampliação de direitos, valorização do trabalho e promoção da justiça social. Entre os principais pontos, destacam-se justamente a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio e à “pejotização”, o fortalecimento das negociações coletivas, a garantia do direito de negociação para os servidores públicos e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
“É imprescindível e urgente: valorizar a negociação coletiva, fortalecer o movimento sindical e garantir condições para a subsistência dessas entidades, para que elas possam exercer a representação coletiva e fazer a defesa permanente dos direitos”, afirma o documento.
Extrema direita quer adiar o debate de redução da jornada
Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, desta quarta, pela manhã, a bancada da extrema direita agiu para impedir a votação da PEC que também aborda a redução da jornada. O argumento da oposição é que seria preciso mais tempo para analisar o texto. O relator da proposta, deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), apresentou parecer favorável pela admissibilidade e pelo “bem-estar dos trabalhadores”.
“A redução da jornada de trabalho pode se apresentar como um mecanismo normativo para a preservação da saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores, promovendo o devido equilíbrio entre o tempo dedicado ao trabalho e o dedicado à vida pessoal”, considerou o relator.
Azi também propôs pontos a serem discutidos nas próximas etapas de tramitação, quando o mérito da PEC será apreciado. Entre as recomendações: a criação de uma regra de transição para a redução da jornada de trabalho, de forma a permitir adaptação gradual dos diferentes setores da economia.
À tarde, os líderes das centrais sindicais se reuniram com Motta na Câmara e lhe passaram as pautas da classe trabalhadora, mas não puderam conceder coletiva à imprensa, porque o púlpito do Salão Verde estava ocupado por bolsonaristas.
A CCJ deve voltar a analisar a PEC do fim da escala 6×1 em até 15 dias.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da TV Câmara.
