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PT denuncia resistência da extrema direita para votar redução de jornada no Congresso

Parlamentares e políticos governistas pressionam para que debate avance e apontam argumentos favoráveis à mudança no país

Petistas pressionam no Congresso para que debate da redução de jornada sem redução de salários avance.

Parlamentares do PT no Congresso Nacional denunciam as manobras da extrema direita para travar o avanço do debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, em que os trabalhadores só têm direito a um único dia de descanso. O PT defende que os trabalhadores tenham pelo menos dois de descanso, a jornada 5×2, e a redução da jornada sem redução de salários. Os deputados e senadores petistas destacaram a importância de mobilizações para a mudança de jornada no dia 1º de maio.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não indicou os nomes do presidente e do relator da comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece a mudança de jornada de trabalho. A comissão foi criada no dia 24 e terá 38 membros titulares e 38 suplentes.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) convocou as forças progressistas para uma “mobilização total” no 1º de Maio. “A tática do PL é enrolar e deixar para depois das eleições. A hora é agora. Se a gente não pressionar não teremos o fim da escala 6×1”, afirmou.

Na mesma linha, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) expôs a aversão do bolsonarismo à classe trabalhadora. Segundo Correia, “eles escolhem o patrão e ainda tentam empurrar salário menor e menos direitos”. “A extrema direita avisou: vai votar contra o fim da escala 6×1”, publicou, no X.

Já o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do Governo Lula na Câmara, publicou artigo no site Sul21 defendendo o fim da escala 6×1. “Ao colocar o bem-estar no centro da agenda, o Brasil dá um passo decisivo para construir um modelo de crescimento sustentável, inclusivo e baseado na valorização das pessoas. É isso que defendemos. E você?”, questiona o petista.

Senadores destacam argumentos para reduzir a jornada

Expoente histórico das causas trabalhistas e da pauta em defesa dos trabalhadores, o senador Paulo Paim (PT-RS), destacou que o fim da escala 6×1  poderá “melhorar a qualidade de vida das pessoas, gerar emprego e fortalecer o desenvolvimento do país”. Ele lembrou que no Senado há uma a proposta semelhante à da Câmara já está pronta para votação em plenário.

“O fim da jornada 6×1 é uma luta histórica dos trabalhadores brasileiros, que precisam de mais dignidade e tempo com suas famílias. Esse avanço mostra que o Congresso está atento às mudanças do mundo do trabalho”, afirmou senador Rogério Carvalho (PT-SE). O parlamentar enfatiza que o debate sobre o fim da escala 6×1 não é apenas econômico, mas humano. A exaustão provocada por seis dias consecutivos de trabalho tem sido apontada como um fator de adoecimento mental e físico.

A senadora Teresa Leitão (PE), líder do PT no Senado, traz um aspecto fundamental para a discussão: o impacto sobre as mulheres, que frequentemente enfrentam duplas ou triplas jornadas. “Para nós mulheres isso é mais crucial. Com um único dia de folga para organizar a faxina, lavar roupa e acompanhar a escola dos filhos, não sobra espaço para o lazer e convívio familiar”, alertou a senadora, pontuando ainda que a tranquilidade mental é, na verdade, um motor de produtividade.

As lideranças governistas alertam para a necessidade de vigilância. O senador Humberto Costa (PT-PE) diz que é preciso estar vigilante no Congresso.“Precisamos seguir mobilizados para que não haja retrocessos”, disse.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que seguirá “trabalhando para que essa mudança aconteça”. A expectativa é que a comissão especial inicie os trabalhos imediatamente, aproveitando a janela de oportunidade aberta pelo apoio do Governo Federal e pela pressão popular que avançou especialmente nas últimas semanas.

“Podemos sim dar esse passo significativo”

Político cuja história é marcada pela defesa do sindicalismo e pela articulação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), deputado estadual João Coser (ES), ex-prefeito de Vitória (ES), acredita que há um ambiente muito favorável para o avanço da tramitação da PEC no Congresso.

“Ter uma pessoa como o Lula na Presidência combina muito, porque tem todo um ambiente para isso. A economia vai bem, o pleno emprego, uma estabilidade bem maior da nossa economia. E você pode, sim, dar um passo significativo. Esses momentos são os momentos da gente dar os passos. Acho que o Lula fez bem a leitura do momento, levando o Congresso a refletir sobre isso. Tenho muita esperança de que vá ser aprovado”, avaliou o petista, em entrevista à Rede PT de Comunicação durante o 8º Congresso Nacional do PT.

João Coser, com raízes no sindicalismo, acha que o momento é propício para o debate de redução da jornada, com Lula na Presidência.

Coser argumentou que um dia a mais de folga para os trabalhadores tem a ver com o progresso do Brasil e não será oneroso para o conjunto da sociedade. “Você gera mais capacidade de produção, rende mais e trabalha mais com prazer. Do outro lado, nós precisamos de mais tempo para as nossas famílias, para ir para igreja, para jogar um futebol, ou mesmo só para ficar em casa sem fazer nada, somente descansando. A escala 5×2 humaniza mais do que a escala 6×1”, comparou.

“A terceira questão é de ordem tecnológica. Nós vivemos em um mundo mais moderno, o mundo evoluiu. Boa parte do trabalho hoje é mecanizado ou ele é robotizado. Então, você pode, sim, fazer uma jornada menor mesmo naquele trabalho que depende da presença física”, completou Coser.

Tendência mundial

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB-SP), defendeu o fim da escala 6×1 durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), no domingo, 26. De acordo com ele, a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial.

“É natural, no mundo inteiro, que haja uma tendência de ter jornada menor. Porque a tecnologia permite fazer muito mais com menos gente. Portanto, o debate está correto. A tendência é nós sairmos de uma escala 6×1. Agora, há setores que têm uma especificidade. Cabe ao Congresso Nacional debater e buscar a melhor solução”, avaliou Alckmin.

O vice-presidente também lembrou que, atualmente, há setores da economia em que a jornada é de 40 horas semanais e que outros podem seguir o mesmo caminho. “O cronograma disso e a maneira de fazê-lo cabem um bom debate com a sociedade”, defendeu.

Da Rede PT de Comunicação