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PT consolida propostas em eixos estratégicos para o futuro do partido

Após um debate interno de três meses, diretrizes foram apresentadas durante o 8º Congresso Nacional do partido

O Partido dos Trabalhadores promoveu um processo amplo de debate interno que mobilizou dirigentes de todo o país entre janeiro e março. A iniciativa resultou na elaboração de documentos coletivos que servirão de base para as discussões do encontro, estruturados em diferentes eixos estratégicos e reforçando o caráter participativo e plural da construção política. Essas diretrizes foram apresentadas durante o 8º Congresso Nacional do partido, nesta sexta-feira, 24, em Brasília.

Organizados em subsecretarias, os debates foram coordenados por lideranças históricas e atuais do partido, como José Dirceu (programa partidário), Cristiano Silveira (programa de governo), Anne Moura (conjuntura e tática eleitoral), Valter Pomar (atualização estatutária) e Paulo Okamotto (Fundação Perseu Abramo). Os textos com propostas de cada área estão disponíveis para consulta pública no site do congresso, consolidando uma base programática que articula soberania, democracia e desenvolvimento social.

Disputa de projetos e estratégia eleitoral

Anne Moura, subsecretária de conjuntura e tática eleitoral, destacou que o cenário político atual é marcado por uma polarização clara. Segundo ela, há uma disputa entre o “projeto democrático, popular e soberano” e um modelo “autoritário subordinado ao mercado”. “É uma disputa de valores, da democracia contra o autoritarismo, contra a retirada de direitos e, acima de tudo, da esperança contra o medo”, afirmou.

Anne também criticou o que classificou como “sequestro do orçamento público” e defendeu prioridade para pautas como o fim da escala de trabalho e o combate à violência, misoginia e racismo. Na estratégia política, foi direta: “a centralidade é a reeleição do presidente Lula para consolidar a democracia e impedir abusos da extrema direita”.

Programa de governo e construção coletiva

Responsável pelo eixo de programa de governo, Cristiano Silveira ressaltou o caráter coletivo da formulação das propostas. “Fizemos um trabalho com várias correntes”, disse, ao apresentar as diretrizes para a campanha de reeleição do presidente.

Silveira destacou que o documento tem como pilares a preservação da democracia e a soberania nacional. “Espero que a coordenação da campanha do presidente Lula veja o material como orientação e demonstração do que será o nosso programa de lei”, concluiu.

Projeto estratégico e horizonte socialista

No debate sobre o programa partidário, José Dirceu defendeu a construção de um plano de longo prazo para o país. Segundo ele, o partido precisa estabelecer metas para os próximos 46 anos, reafirmando sua identidade.

Dirceu definiu o PT como “socialista” e apontou desafios imediatos: “Nós temos que derrotar da família Bolsonaro, derrotar a intervenção externa”, para depois “quebrar a ortodoxia neoliberal” e “melhorar a vida do povo”.

Atualização estatutária e reconstrução da base social

À frente dos debates sobre o estatuto, Valter Pomar defendeu uma reorganização partidária que fortaleça a atuação junto à classe trabalhadora. Ele criticou a priorização excessiva de disputas eleitorais e enfatizou a necessidade de mobilização contínua.

“A meta é construir uma sociedade sem explorados nem exploradores”, afirmou, ao apresentar propostas que buscam alinhar a estrutura do partido a uma estratégia política de base.

Formação política e renovação de quadros

No eixo da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto abordou mudanças estruturais para fortalecer a formação política do partido. Ele defendeu a atualização da leitura sobre a classe trabalhadora no capitalismo contemporâneo e a redução do número de dirigentes da fundação.

Segundo Okamotto, o objetivo é ampliar a participação social: “Atrair as mulheres e os jovens para participar da política”, além de qualificar a formação de novos quadros do PT.

Unidade partidária e desafio histórico

Encerrando a abertura, o vice-presidente do partido e coordenador do congresso, Jilmar Tatto, ressaltou o peso histórico do PT e o papel estratégico do encontro. Para ele, o partido é “a síntese” das lutas populares acumuladas ao longo das últimas décadas.

Diante do cenário político, Tatto fez um alerta direto: “não nos é permitido errar”. Ele reforçou que o congresso tem como objetivo central a unidade partidária em torno da reeleição de Lula. “A principal tarefa é reeleger o presidente Lula para continuar fazendo as reformas que esse país precisa, melhorando cada vez mais a vida do povo e do trabalhador”, afirmou.