Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula e da Fundação Perseu Abramo, acredita que o 8º Congresso Nacional do PT, que acontece entre os dias 24 e 26 de abril, em Brasília, é um momento de revisão de práticas e estratégias partidárias. Ele avalia que o encontro, por reunir representantes de todo o país, é o momento para analisar criticamente o que tem sido feito, validando as políticas que funcionam e ajustando o funcionamento interno.
“O congresso é um momento importante na vida partidária. Quando um partido faz um congresso é porque ele quer examinar as suas práticas, quer validar suas políticas, quer discutir o seu funcionamento. Nessa conjuntura política, o Congresso é muito importante para restabelecer um pouco a sua estratégia, a sua tática, o seu programa e, com isso, obter mais sucesso na sua disputa política que vai acontecer na sociedade”, conta.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Okamotto falou sobre as expectativas para o Congresso, a tarefa de enfrentamento à extrema direita e a importância repensar o sistema democrático. O dirigente, que tem a tarefa de conduzir no encontro o debate sobre a Fundação Perseu Abramo, diz que a instituição é o braço intelectual e formativo do PT. Ele ressalta que está previsto repactuar diretrizes e modelos de governança da FPA durante o encontro e destaca que a organização precisa ter autonomia, sem se descolar da realidade partidária, atuando como um termômetro.
“A Fundação Perseu Abramo é muito importante e tem uma tarefa estratégica, é um espaço criado para fazer formação política e pesquisa para fortalecer o PT. No congresso vamos discutir o papel da fundação, atualizar tarefas e objetivos”, planeja.
Uma nova democracia
Analisando o cenário internacional, Okamotto demonstrou preocupação com o atual estado da democracia global, citando o poder desmedido das big techs e a concentração de renda como fatores de instabilidade. Ele aponta que existe um sentimento de desesperança, especialmente entre os jovens, causado por um sistema que muitas vezes falha em entregar respostas concretas às necessidades da população.
“Eu penso que o nosso sistema defendido, o democrático, está em xeque. Não a democracia, mas a falta dela em atender aos anseios do povo. Precisamos repensar o sistema de participação também. Hoje o Brasil e o mundo criam muitos empregos, mas não existe esperança”, declara, alertando que também é papel do Partido dos Trabalhadores apontar novos caminhos”.
Estratégia digital
Sobre o embate no ambiente digital, o Paulo Okamotto compreende a necessidade de o PT profissionalizar e intensificar sua comunicação nas redes sociais. Ele observa que a extrema direita tem utilizado as plataformas para isolar indivíduos e disseminar valores ultraconservadores baseados no individualismo. Contra isso, Okamotto propõe uma comunicação que tenha volume e intencionalidade, utilizando o digital para organizar a militância, mas sem nunca abandonar o diálogo presencial.
“Precisamos ter uma estratégia: construir uma estratégia que tenha volume, centralidade, intencionalidade para espalhar as nossas verdades para organizar mais a militância e com isso fazer a diferença. É preciso conversar olho no olho para mudar as coisas no mundo e no Brasil”.
Okamotto deixa, ainda, uma mensagem para os participantes do 8º Congresso. Ele enfatiza que o encontro deve ser o ponto de partida para a construção de um novo compromisso com o Brasil.
“Momento de fazer um grande compromisso de melhorar o país, de olhar nossa gente e olhar tudo o que a gente fez e está fazendo e se comprometer a fazer muito mais. Precisamos ter um país mais feliz, com mais alegria e com mais esperança para mudar o Brasil e o mundo”, conclui.
Confira a entrevista de Paulo Okamotto na íntegra:
Rede PT de Comunicação.