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Em reunião amistosa, Lula e Trump discutem comércio, crime e riquezas minerais

"Brasil está preparado para discutir com qualquer país sobre qualquer assunto", diz petista, que só não negocia democracia e soberania

Lula afirma que encontro foi positivo para os dois países. Para Trump, petista se mostra dinâmico.

Na visita a Washington para participar de uma reunião de trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou três horas em reunião com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na Casa Branca, a portas fechadas. O encontro foi definido como amistoso por ambos. Em posterior coletiva à imprensa, na Embaixada do Brasil em Washington, Lula detalhou os pontos debatidos com o republicano, entre os quais comércio bilateral, combate ao crime organizado transnacional e minerais críticos. Cinco ministros acompanharam Lula e participaram de conversas com a equipe de Trump.

O presidente afirmou que a reunião com Trump foi um passo importante para a consolidação das relações bilaterais com os EUA, e reforçou que o Brasil está aberto a receber investimentos de qualquer país do mundo.

“Tem a questão dos minerais críticos. Eu disse ao presidente Trump que nós não só fizemos um coisa extraordinária, aprovando na Câmara, ontem, a lei sobre a questão dos minerais críticos, como a aprovação de um conselho sob a coordenação da Presidência da República, tratando a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional”, expôs.

“O que nós queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas. Quem quiser participar conosco, para ajudar a gente a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem estão sendo convidados para ir no Brasil”, prosseguiu Lula.

O petista destacou ainda que saiu satisfeito da reunião na Casa Branca e que tudo é negociável, à exceção da democracia e da soberania brasileiras. “Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os EUA. Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele: ‘Ria um pouco, é importante, alivia, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco”, brincou Lula. “O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto”, concluiu.

Depois da reunião na Casa Branca, Trump elogiou a capacidade de negociação de Lula e o chamou de “dinâmico”. “A reunião foi muito boa. Nossos representantes devem se reunir para tratar de alguns pontos-chave. Novos encontros serão marcados nos próximos meses, conforme necessário”, publicou o presidente dos EUA, na rede social Truth Social.

Trump mostra a Lula depedências da Casa Branca.

Clima positivo

Lula viajou a Washington acompanhado de ministros do governo. O chanceler, Mauro Vieira, resumiu à imprensa como foi o encontro com Trump. Vieira ressaltou que os presidentes extrapolaram o tempo previsto, pouco mais de uma hora, e falou em “clima positivo e amistoso”. “Foi uma reunião muito produtiva, em que os presidentes estabeleceram, inclusive, missões para cada uma das áreas”, descreveu.

“Foram, basicamente, discutidos os temas relativos ao comércio bilateral e a questão das tarifas impostas pelo governo americano, em detalhes. Depois, foram discutidas questões relativas à cooperação em crimes transnacionais, combate ao crime organizado. Também discutimos questões relativas aos minerais críticos”, acrescentou Vieira.

Guerra tarifária

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, tratou do tarifaço de Trump. Representantes de ambos os governos devem se reunir nos próximos 30 dias para deliberarem o fim das taxas e um nova regra para o comércio bilateral, que totalizou quase US$ 38 bilhões em 2025.

“Estabeleceu-se uma discussão em torno das tarifas efetivas que são aplicadas pelo Brasil e o não cabimento de sobretarifa em relação aos produtos brasileiros. E nós ficamos de nos reunirmos nos próximos 30 dias para avaliarmos ou chegarmos a uma conclusão. Na nossa expectativa, uma conclusão que leve também ao encerramento da Sessão 301”, pontuou Elias Rosa, ao se referir ao mecanismo estadunidense de investigação de práticas ilegais de comércio que está sendo utilizado contra o Brasil.

Crime organizado

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, disse que compartilhou com a administração Trump estratégias para o combate ao crime organizado transnacional. Para o Brasil, a prioridade é promover a asfixia financeira das facções criminosas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou igualmente a cooperação com as autoridades dos EUA na área da segurança pública. Durigan mencionou a ampliação do cerco em aduanas, com troca de informações sobre a chegada de contêineres. O próximo passo será uma operação conjunta dos dois países para reforçar a atuação das polícias.

“Isso tem nos permitido fazer apreensão, e isso foi colocado na reunião, mais de meia tonelada de armas e equipamentos que saíram dos EUA e foram ao Brasil, no período de maio de 2025 a abril de 2026 deste ano”, contabilizou Durigan.

Minerais críticos e estratégicos

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por sua vez, encarregou-se de esclarecer como se deram as conversas com o governo estadunidense em torno dos minerais críticos e estratégicos. Ele lembrou da importância desses minerais para a indústria nacional e disse que o Brasil deseja atrair investimentos, com foco no desenvolvimento nacional, sem abrir mão da soberania.

“Sobre os minerais críticos, o presidente deixou claro a importância desses minerais para a gente desenvolver a nossa indústria, a indústria do manufaturamento, a industrialização, e desde a separação até o refino. O Brasil é solo fértil para investimentos, pela sua segurança jurídica, pelas suas potencialidades, mas é solo fértil também porque é mais barato investir e refinar os materiais no Brasil”, defendeu Silveira.

Da Rede PT de Comunicação, com informações do Canal Gov.