Soberania, redução das desigualdades e expansão de direitos. Esses são três elementos-chave do plano de futuro que o Partido dos Trabalhadores e seus aliados querem desenhar para o Brasil, segundo José Sergio Gabrielli, coordenador do Programa de Governo que será apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva futuramente.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Gabrielli explicou que o Plano Participativo pelo Brasil e Pelos Brasileiros, lançado na última sexta-feira, 29 de maio, será concluído a partir da coleta de ideias novas da sociedade e terá propostas inovadoras para o futuro. A escuta, observa Gabrielli, vale tanto para quem gosta como para quem não gosta de Lula. “Estamos colocando à disposição um documento preliminar para conduzir as discussões em torno de alguns temas que nós consideramos relevantes.”
O Partido dos Trabalhadores governou o Brasil por quatro mandatos e meio, considerando o golpe aplicado à presidenta Dilma Rousseff, que não conseguiu terminar sua gestão. “Então, nós temos que fazer uma avaliação do que nós fizemos. Porém, para você fazer uma avaliação hoje do Governo Lula 3, que é o governo que nós assumimos em 2023, você não pode desconsiderar que o Lula 3 começou com uma tentativa de golpe. Oito dias depois da posse do presidente Lula a direita tentou derrubar a democracia brasileira”, enfatiza o coordenador do programa de Governo.
O Governo Lula conseguiu derrotar os golpistas e foi preciso reforçar a defesa da democracia logo no início do governo, o que comprometeu uma divulgação clara de toda a destruição provocada na gestão do extremista de direita Jair Bolsonaro. Os capítulos iniciais do Plano Participativo enumeram o que foi a herança da destruição e o desmonte do Estado promovido por Bolsonaro.
“O governo do presidente Lula foi um governo de reconstrução, porque o Estado brasileiro estava destruído durante o período Bolsonaro e Temer”, afirma Sergio Gabrielli.
Defender a soberania é defender o povo brasileiro
Gabrielli frisa que o Plano de Governo deixa claro uma defesa intransigente do povo brasileiro. E por isso a soberania nacional é um elemento fundamental, o que fica claro na fala insistente de Lula sobre a autonomia do Brasil, enfatizando que o país não aceita ser colônia e nem quintal de ninguém.
“A soberania nacional, ela envolve várias dimensões. Não adianta falar em soberania apenas no modo clássico, de ter uma bandeira, ter uma fronteira, ter Forças Armadas que defendem o país. É preciso pensar na soberania digital, alimentar, científica, tecnológica”, observa o coordenador.
Soberania alimentar, enfatiza, é “o país tem que ser capaz de produzir alimento de boa qualidade com preços adequados para as pessoas”. Soberania digital é ter controle sobre as informações. “As informações hoje circulam pelas pelas redes e pelas pelas diversas big techs. Nós precisamos ter um controle nacional de tal maneira que nós tenhamos a soberania digital, não somente do ponto de vista das redes físicas, mas do ponto de vista do conteúdo do do material produzido e acumulado.”
Soberania científica e tecnológica está relacionada com o desenvolvimento econômico do país, uma nova indústria, com novos segmentos e inovação. Vacina, fármacos, respostas a doenças genéticas, terras raras, indústria da defesa, por exemplo, são temas que estarão contemplados no novo plano de governo, conta Gabrielli. É uma ação clara para impedir, sobretudo a exploração das riquezas do país por outros países neste novo contexto geopolítico e geoeconômico.
“Nós temos uma grande potencialidade de minerais críticos, em particular das terras raras, que são fundamentais para as novas tecnologias. Nós temos que ter uma política clara de garantia da soberania nacional nessas questões da da das terras raras e garantir que o desenvolvimento da exploração dessas terras raras tenha o maior volume de valor adicionado feito dentro do Brasil.”
Soberania, por fim, tem uma ligação direta com combate das desigualdades sociais e econômicas e com a democracia. E essas desigualdades, geracionais, regionais, sociais, salienta Gabrielli, também precisam de respostas e ações definidas neste plano. “Soberania também implica numa redução de desigualdades.E não há como pensar nesse processo de um novo mundo sem uma democracia firme e consolidada que envolva a participação social e envolva a participação da sociedade nos seus destinos”, frisou.
Primeira Infância, saúde, envelhecimento
O coordenador do programa de governo destaca a preocupação e o cuidado que o presidente Lula pretende ter, caso seja eleito para um próximo mandato, com a Primeira Infância e a universalização da educação em tempo integral.
“Nós temos várias ideias que são importantes. Por exemplo, o programa busca trabalhar com um foco,na educaçãodas criança em tempo integral, para os jovens, e foco principal nas crianças, porque é no início da formação das pessoas que você cria a sua capacidade cognitiva. Isso, evidentemente, tem um efeito de longo prazo, a primeira infância. Esse é um elemento importante na educação.”
Ele destaca, ainda, que existe a preocupação em aprimorar o acesso ao SUS. “Nós queremos ter um sistema de saúde que seja um sistema de saúde universal. O SUS tem que reduzir filas. Nós temos que aumentar a capacidade de especialista, incrementar os programas de alguns especialistas para que a a regulação e o tempo de espera para tratamento especializado diminua e as pessoas se sintam mais protegidas pelo sistema de saúde.”
É preciso abordar, também o envelhecimento da população brasileira, que é uma nova realidade. “Então as políticas de cuidados são muito importantes para atingir exatamente as pessoas idosas. Mas além disso, nós precisamos entender que a política de cuidados também libera as mulheres do fardo de ser responsabilizadas pelo trabalho doméstico. Isso cria alterações nas relações entre as pessoas e a economia”, complementa.
Confira abaixo a entrevista e acesse a plataforma com o plano participativo para entender melhor o que Lula pensa e sugerir propostas para o futuro do país.