Artigo: Pedra sobre pedra, por José Guimarães

Reconstrução nacional demanda união dos democratas contra autoritarismo de Bolsonaro, alerta Guimarães, em artigo

Foto: Gustavo Bezerra

Guimarães: O que está em jogo é a democracia

Num cenário de profunda crise econômica, social e ambiental fomentada pelo atual governo, as forças democráticas e progressistas se unem e concretizam um movimento para reconstruir o Brasil e trazer de novo ao povo brasileiro a esperança de dias melhores. Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com Geraldo Alckmin, representa a esperança, numa  aliança que consagra a formação de um movimento histórico de proporções extraordinárias num dos momentos mais graves da vida brasileira.

Os desafios são gigantescos. Tarefa primordial é combater a desenfreada inflação e a fome, gerar empregos, recuperar os direitos dos trabalhadores e garantir política econômica confiável que traga segurança a investimentos produtivos por parte do empresariado.  O programa inclui ainda retomar os investimentos públicos, rever as antinacionais privatizações em curso, entre elas a da Eletrobras, pôr fim à dolarização dos preços dos combustíveis, garantir a preservação do meio ambiente, da Floresta Amazônica e de todos os biomas. A questão ambiental é estratégica para os interesses da população.

Num momento em que o governo neofascista achincalha conquistas históricas e coloca o país à sanha de interesses estrangeiros, é crucial garantir a soberania ampla do Brasil, não só a territorial, mas também a defesa de seus recursos naturais, energéticos e as empresas públicas e estatais. Ademais, como falar de soberania quando a fome retornou ao País e mais de 100 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar?

O enfrentamento à crise econômica e social significa pôr fim ao arrocho salarial, repondo as perdas inflacionárias. Há uma lição básica ignorada pelo governo militar: mais poder de compra, mais vendas no comércio e maior produção industrial. Bolsonaro é o primeiro presidente, desde o advento do Plano Real, em 1994,  que vai deixar o governo com o salário mínimo a valer menos do que quando entrou. O País demanda criar um mercado interno robustecido e dinâmico para incrementar as atividades econômicas.

O Estado precisa ser desaparelhado. O governo militar presidido por Jair Bolsonaro se apossou do Executivo com apaniguados, milhares deles fardados, para implementar um projeto de cunho neofascista e ultraliberal que despreza as instituições e conquistas institucionais, sociais e trabalhistas alcançadas ao longo de décadas. É um modelo predador, bárbaro, que não dá perspectiva a milhões de jovens que hoje padecem da desesperança e tampouco a agentes econômicos desvinculados da ciranda financeira, da destruição ambiental ou das antinacionais privatizações.

A proposta das forças progressistas é a de recolocar o Brasil na trilha do crescimento com reindustrialização que incorpore novo paradigma num momento de transição digital e de necessidade de desenvolvimento sustentável e  geração de tecnologia de ponta para uma economia verde. O Brasil precisa de mais investimentos em educação de qualidade, na pesquisa, ciência, tecnologia e inovação. E retomar o protagonismo no cenário internacional, pois virou pária mundial com o atual governo.

Hoje, o Palácio do Planalto,  com seu gabinete do ódio, destaca-se por disseminar o ódio, defender uma agenda medieval do ponto de vista dos costumes e no tratamento de questões diversas, como a dos direitos dos povos indígenas. No aspecto econômico é uma tragédia, pois, refém de uma cartilha neoliberal praticamente sepultada no cenário mundial, privilegia os milionários e bilionários e cria uma legião de miseráveis a cada dia que passa.
É preciso implementar um  projeto coletivo para construir um outro Brasil. Um Brasil livre da fome, mais igualitário e que garanta vida digna para seu povo. O acúmulo de riquezas nas mãos de poucos só incrementa a violência e ataca a consciência dos que têm um mínimo de sensibilidade social.

O  movimento #VamosJuntosPeloBrasil, que lançou Lula e Alckmin, transcende o evento político. Trata-se, como disse o ex-presidente, de uma convocação aos homens e mulheres de todo o País, independentemente de idade, credos religiosos e raça, a trazer dias melhores. Essa caminhada foi iniciada em 7 de maio, com a aliança PT e PSB e o apoio de mais cinco partidos.

Para lograr seus objetivos, as forças democráticas têm pela frente um desafio que talvez seja o maior de todos na presente conjuntura: construir um “cercado” para blindar  as liberdades básicas, ameaçadas dia e noite pelo capitão presidente em seus arroubos autoritários.  Com sua prática miliciana, adotada quando era tenente da ativa no Exército, do qual foi expulso acusado de tentativa de praticar ato terrorista, o atual presidente da República é uma ameaça real ao Estado de Direito.

Bolsonaro tenta instrumentalizar as Forças Armadas para buscar melar o processo eleitoral. A função constitucional das  Forças Armadas é defender a democracia e o Estado de Direito, é proteger o Brasil, e não se meter em processo eleitoral e no sistema de urnas eletrônicas, seguras e transparentes, referência para o mundo.  A adoção do sistema foi aprovada pelo Congresso.  Por sinal, garantiu, desde que foi criado, a eleição do atual presidente e seus seguidos mandatos de deputado federal,  além de assegurar a três de seus filhos presença na ribalta política. A tentativa prematura de  Bolsonaro de questionar o resultado das urnas no fundo revela medo de perder as eleições.

Com suas artimanhas e a rede de fake news com misteriosos financiadores, Bolsonaro e seus fanáticos terraplanistas e milicianos querem voltar à Idade da Pedra, com o famigerado voto impresso. É uma interferência indevida no processo eleitoral. O que está em jogo é a democracia, conquistada com muita luta e até a perda de vidas. Não queremos voltar a um passado em que o poder era exercido com baionetas e torturas.

Todos os setores da sociedade brasileira comprometidos com padrões civilizatórios devem repudiar qualquer tentativa golpista de um governo incompetente que não sabe cuidar do Brasil. A chapa Lula/Alckmin vai ganhar pelo voto. É o eleitor que tem que dizer se quer continuar com esse monstrengo gerador de miséria, violência, destruição ambiental e corrupção ou reconstruir e transformar o Brasil.”

Publicado originalmente na CartaCapital

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