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Brasil-China: Núcleo MAG debate desafios e estratégias de cooperação para o novo ciclo da política externa

Foto: SRI-PT

O Núcleo de Relações Internacionais e Soberania “Marco Aurélio Garcia” promoveu, no dia 08 de julho, um debate híbrido no Diretório Nacional do PT, em Brasília, sobre o novo ciclo das relações Brasil-China. O encontro contou com a mediação da diplomata Victoria Balthar e de José Renato Peneluppi Jr., coordenador do Núcleo de filiados ao PT na China.

Durante sua fala, Victoria Balthar destacou a importância de reposicionar o Brasil no cenário internacional diante da ascensão do Sul Global e da transição energética e tecnológica liderada pela China. A diplomata defendeu que a parceria bilateral deve ser tratada de forma estritamente pragmática e estratégica, e não ideológica, ressaltando que o principal desafio do governo Lula é converter o volume de comércio recorde em um motor de neoindustrialização e inovação nacional.

Sobre a Iniciativa Cinturão e Rota, Balthar explicou que a decisão do Brasil de não aderir formalmente busca preservar a autonomia estratégica do país, focando na construção de sinergias diretas em áreas decisivas, como transição ecológica e minerais críticos.

Na sequência, José Renato Peneluppi Jr. contextualizou o processo de “rejuvenescimento nacional” promovido pelo Partido Comunista Chinês e apontou o Brasil como porta de entrada fundamental para a presença chinesa na América Latina. Diferente da diplomata, Peneluppi defendeu uma adesão mais decidida do Brasil aos mecanismos do Cinturão e Rota, sublinhando o potencial do capital chinês para financiar a infraestrutura e a logística nacionais. O especialista concluiu avaliando que o Brasil ainda precisa explorar todo o potencial de instâncias como a COSBAN e ressaltou a relevância da diplomacia cultural, exemplificada pelo recente esforço de tradução e difusão de obras de Darcy Ribeiro e Candido Portinari na China.

As reflexões finais do debate reforçaram a urgência de fortalecer a clareza estratégica do Brasil na nova ordem internacional, garantindo que o aprofundamento das relações com a China se converta em um verdadeiro vetor de reindustrialização, inovação e sustentabilidade, sem gerar desindustrialização nacional. Ficou evidente a necessidade de expandir a cooperação para além da pauta primária — alcançando ciência, tecnologia, saúde, cultura e minerais críticos —, além de aproveitar de forma pragmática as oportunidades de financiamento em infraestrutura para consolidar uma inserção soberana e de longo prazo no cenário global.

Os encontros do núcleo MAG acontecem geralmente uma vez ao mês e conta com a participação de militantes, acadêmicos, internacionalistas e entusiastas de relações internacionais.

SRI-PT