Bolsonaro e Guedes sabotam poder de compra do salário mínimo

Reajustado abaixo da inflação oficial, salário mínimo em 2021, como em 2020, tem o menor poder de compra para produtos da cesta básica desde 2005. Preços dos alimentos acumularam alta de 14,09% ano passado. Desgoverno Bolsonaro acabou com a política de valorização do salário mínimo adotada nos governos petistas

Divulgação/BC

Governo arrocha o salário dos trabalhadores

O desgoverno Bolsonaro tornou-se uma fonte inesgotável de más notícias para as populações mais pobres do Brasil. Entre os que ainda têm emprego, o desagrado da vez é o reajuste do salário mínimo abaixo da inflação. Isso o deixou, como no ano passado, com o menor poder de compra de produtos da cesta básica desde 2005, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça (12) mostram que a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2020 com alta de 4,52%, enquanto os preços dos alimentos acumularam aumento de 14,09% no ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para reajustar o mínimo, fechou com alta de 5,45%. O reajuste aplicado ao mínimo pelo desgoverno Bolsonaro foi de 5,26%. Caso fosse aplicado o reajuste correto, o valor seria de R$ 1.101,95, e não os R$ 1.100 fixados para este ano. O mesmo já tinha ocorrido no ano passado, quando inicialmente o reajuste para 2020 não acompanhou a alta do INPC. Mas houve uma correção após a divulgação dos dados pelo IBGE.

A política da equipe do ministro-banqueiro da Economia, Paulo Guedes, para o salário mínimo prevê a correção apenas pela inflação, com base na estimativa do INPC, sem o “ganho real” (acima da inflação) adotado durante os governos petistas. Já havia sido assim no ano passado, o primeiro de Jair Bolsonaro na presidência. Cinquenta milhões de assalariados que têm seus rendimentos referenciados no mínimo agora sofrem com o arrocho promovido pelos critérios antitrabalhadores do ministro e seu chefe.

Base para o cálculo do valor do mínimo necessário para a sobrevivência de um trabalhador e sua família, a cesta básica é composta por 13 itens alimentícios. Conforme dados do Dieese, com um salário mínimo é possível comprar atualmente cerca de 1,58 cestas básicas, que custam, em média, R$ 696,70. Entre 2010 a 2019, o indicador ficou sempre acima de duas cestas – com exceção de 2016, quando caiu para 1,93.

Um levantamento divulgado pelo Dieese nesta semana mostrou que em 2020 houve aumento do valor da cesta básica em 17 capitais pesquisadas no país. Óleo de soja (103,79%) e arroz (76,01%) puxaram a alta, seguidos por leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%), carnes (17,97%), batata-inglesa (67,27%) e tomate (52,76%). Os gastos com alimentação têm impacto muito maior no orçamento das famílias com renda mais baixa.

“A inflação é de cada um. E foi muito mais forte para os mais pobres, já que grande parte do salário deles é gasto com comida e bebida. O salário mínimo teria que aumentar mais de 22% para acompanhar a cesta básica”, estimou o professor da Fipecafi George Sales ao jornal ‘El País’.

Com base no valor da cesta básica de São Paulo, os técnicos do Dieese calculam que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.304,90, ou 5,08 vezes o de Bolsonaro e Guedes. O cálculo é feito levando-se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Também há má notícia para a classe média: a defasagem da tabela do Imposto de Renda. Com o aumento de 4,52% no IPCA em 2020, ela chega a 113,09%, considerando-se a inflação dos últimos 24 anos. O cálculo foi divulgado também nesta terça pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

Segundo a entidade, de 1996 a 2020, o IPCA acumulou em 346,69%. No mesmo período, a tabela do IR foi reajustada em 109,63%. Apenas entre 2005 e 2015 (governos Lula e Dilma) houve correção contínua, embora nem sempre acompanhando a inflação. A faixa de isenção está acumulada em 111,29%. Com a devida correção, o limite, que hoje é de R$ 1.903,98, subiria pra R$ 4.022,89.

Da Redação

 

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