Coaf aponta movimentação suspeita de ex-auxiliares de Bolsonaro de R$ 11,9 milhões

Relatórios revelam “movimentações financeiras atípicas” nas transações de seis assessores de Bolsonaro de janeiro de 2022 a maio de 2023. Órgão encaminhou documentos à CPMI do Golpe

Agência Senado / Site do PT

O cerco se fecha: O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, envolvido no esquema

Depois de identificar na semana passada movimentações suspeitas envolvendo pequenas doações em pix na conta bancária em que Bolsonaro recebeu mais de R$ 17 milhões, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou que ajudantes do ex-presidente movimentaram R$ 11,9 milhões, segundo matéria publicada, na terça-feira (15), no portal G1. Os relatórios revelaram “movimentações financeiras atípicas” nas transações de seis assessores de Bolsonaro de janeiro de 2022 a maio de 2023. O Coaf já encaminhou todos os relatórios à CPMI dos Atos Golpistas.

“O cerco está se fechando. Esses dados se somam aos escândalos das joias e das tentativas de golpe”, sentenciou o deputado Rubens Junior (PT-MA), ao comentar que todas as investigações apontam para a criação de uma rede de corrupção ao redor de Bolsonaro “com a clara finalidade de apropriação do patrimônio público e enriquecimento ilícito”.

De acordo com o Coaf, metade do valor total movimentado, cerca de R$ 6,7 milhões, correspondem a transações feitas pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-“braço-direito” de Bolsonaro, preso por falsificação de cartões de vacina, filho do general Mauro Lourena Cid, ambos alvos de operação recente da Polícia Federal que investiga esquema de desvio e venda de joias obtidas em viagens oficiais do ex-presidente.

O Coaf identificou ainda os seguintes nomes e valores: Luis Marcos dos Reis – R$ 3.341.779; Luiz Antonio Gonçalves de Oliveira – R$ 582.666; Osmar Crivelatti: R$ 508.224; Jairo Moreira da Silva: R$ 453.295 e Adriano Alves Teperino – R$ 268.031.

Cada vez mais fica impossível desvincular as ações golpistas da corrupção que ocorreram no entorno de Bolsonaro. São os mesmos personagens envolvidos em esquemas complementares, com fartos indícios de financiamento do golpe e das ações da ultradireita”, salientou o deputado Rogério Correia (PT-MG) ao pontuar que a CPMI do 8 de janeiro não pode ser abster de investigar todos os fatos revelados nos relatórios do Coaf.

O G1 divulgou dados levantados pelo próprio portal a partir dos relatórios do Coaf relativos à movimentação de valores entre os ex-ajudantes de Bolsonaro. A conclusão é que houve transações no valor de R$ 133,4 mil sendo R$ 72,9 mil enviados de Luis Marcos dos Reis para Mauro Cid, em quatro movimentações.

Montantes são incompatíveis com patrimônio

Os montantes, segundo os documentos do Coaf, são incompatíveis com o patrimônio dos assessores do ex-presidente e foram classificados como “atípicas”. Basta ver o salário médio de cada um, conforme consta no relatório do Coaf enviado à CPMI. São eles: Mauro César Barbosa Cid – R$ 21.319,53; Osmar Crivelatti – R$ 18.625,64; Luis Marcos dos Reis – R$ 13.346,79 + R$ 10.710,94 (salário de um cargo comissionado que ocupou no Ministério do Turismo); Adriano Alves Teperino – R$ 15.191,19; Jairo Moreira da Silva – R$ 11.179,87 e Luiz Antonio Gonçalves de Oliveira – R$ 4.563,58.

O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), líder da bancada do partido na Câmara dos Deputados, defendeu a apuração rigorosa das  movimentações financeiras dos ajudantes de Bolsonaro. “Por receberem ordens dele, o que for achado pode esclarecer as intenções e os crimes do seu governo”, destacou.

O G1 informou ainda que os dados foram extraídos de análises feitas nos relatórios de inteligência financeira (RIF) dos ex-ajudantes de ordem Luis Marcos dos Reis e Osmar Crivelatti, além de documentação referente a Mauro Cid.

Da Redação

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