Mais que uma marca de governo, a política de valorização do salário mínimo iniciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva simboliza o compromisso do petista com a classe trabalhadora do país, porque garante aumento real e impacta diretamente a economia e a vida da população. Nos últimos três anos, o mínimo nacional saltou de R$ 1.320 para os atuais R$ 1.621, o que representa ganho de quase 12% acima da inflação.
A mudança no ritmo de valorização do piso nacional determinada por Lula contrasta com a insensibilidade e a indiferença do ex-presidente Jair Bolsonaro. No período em que a ultradireita ocupou o poder, não houve aumento acima da inflação, exceto em 2019. Naquele ano, o reajuste ainda seguiu a política de valorização sancionada por Dilma Rousseff em 2015 e válida até o fim de 2019, já com Michel Temer na Presidência.
Em agosto de 2023, Lula sancionou a Lei 14.663, que retomou a política de valorização do salário mínimo e reajustou a tabela do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF). O piso nacional passou para R$ 1.412, em 2024, e para R$ 1.518, em 2025, até chegar a R$ 1.621. Em 2027, o governo federal projeta mínimo de R$ 1.741.
Lula foi às redes sociais nessa quinta-feira, 27, para comemorar o ganho acima da inflação. O petista recordou o processo iniciado em 2004, com a mobilização das centrais sindicais, e que levou à criação, em 2005, da Comissão Quadripartite do Salário Mínimo. Após acordo firmado no ano seguinte, a política começou a ser aplicada em 2007, combinando reposição da inflação, crescimento real do PIB de dois anos antes e antecipação gradual da data-base até janeiro.
“Em 2023, retomei a política de valorização do salário mínimo. Essa política começou a ser aplicada em meus primeiros mandatos, mas foi interrompida pelo governo anterior. Com isso, o salário mínimo passou ano após ano sem ganho real, com reajustes que só compensavam a inflação. Neste meu governo, o salário mínimo já cresceu 11,8% acima da inflação. E crescerá mais que a inflação também em 2027. Porque governar é fazer escolhas. E eu escolhi valorizar os trabalhadores brasileiros”, escreveu Lula, no X.
Em 2023, retomei a política de valorização do Salário Mínimo.
Essa política começou a ser aplicada em meus primeiros mandatos, mas foi interrompida pelo governo anterior. Com isso, o Salário Mínimo passou ano após ano sem ganho real, com reajustes que só compensavam a inflação.… pic.twitter.com/nWGrKKX4wF
— Lula (@LulaOficial) August 27, 2026
No plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro e candidato da ultradireita à Presidência da República, sequer consta o termo “salário mínimo”, muito menos uma regra clara de reajuste. Lula, por outro lado, não apenas valorizou o mínimo em 3 anos como controlou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atualmente em 3,44%, considerando-se o acumulado dos últimos sete meses.
Os trabalhadores informais
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Carlos Alberto Ramos, doutor em Economia e professor da Universidade de Brasília (UnB), disse que entre os beneficiários da política de valorização do salário mínimo estão os trabalhadores informais, que hoje somam cerca de 40 milhões. “Isso é extremamente curioso, chama muito a atenção, porque, teoricamente, eles não estariam beneficiados pelo salário mínimo, não seriam beneficiados em termos legais”, comenta.
“Muitos argumentam que a informalidade é alimentada pela valorização do salário mínimo, mas a gente encontra um resultado curioso que acontece: quando aumenta o salário mínimo, aumenta o rendimento dos assalariados informais. Porque o salário mínimo trabalharia com um efeito farol, ou seja, estão pautados em uma coisa quase cultural”, complementa Ramos.
O economista argumenta que os trabalhadores informais têm menos poder de negociação do que os sindicalizados, por exemplo, e são os mais impactados pela ausência de uma política de valorização do salário mínimo, como ocorreu durante o governo Bolsonaro. “O objetivo de uma política de salário mínimo é combater a pobreza e ter algum efeito de redistribuição da renda a partir dos fatores que favorecem os menores salários e o nível de vida dado pela linha de pobreza”, observa Ramos.
O professor da UnB ainda comparou a política de valorização do salário mínimo adotada no Brasil com a de outros países, especialmente os mais ricos: “Em geral, nos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], a meta é ter 50%, ou seja, algum percentual do salário mediano. Ou seja, tem um efeito redistributivo mais explícito do que tem no caso do Brasil. Mas é uma particularidade”.