‘Doa a quem doer’: Lula apoiou investigação do Banco Master, diz Galípolo

Em depoimento à CPI do Crime Organizado, chefe do Banco Central disse que presidente foi “técnico” e orientou Vorcaro a procurar a autoridade monetária

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, relatou a senadoras e senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, nesta quarta-feira, 8, em Brasília, que o único contato do presidente Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi técnico. Em dezembro de 2024, Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto, reunião em que Galípolo, às vésperas de assumir o BC, também estava presente.

“O presidente fez exatamente isso, falou assim, olha: ‘o Gabriel vai assumir aqui a presidência do Banco Central daqui um mês. Ele vai analisar isso tecnicamente. Esse é um tema que não deve ser tratado aqui na Presidência da República, é para ser tratado lá no Banco Central e ele vai tocar isso tecnicamente'”, descreveu Galípolo.

Ainda de acordo com o presidente do BC, Lula lhe assegurou total autonomia para tomar as medidas cabíveis em relação ao Banco Master. E o fez na frente de Vorcaro, durante a reunião no Planalto. “Não proteja ninguém, não persiga ninguém, faça o trabalho técnico e você tem toda a autonomia, não importa quem seja, doa a quem doer, vá até o final deste processo”, disse Galípolo aos senadores.

O presidente do BC confirmou à CPI que a compra do Master recebeu o aval da autarquia em outubro de 2019, durante a administração Roberto Campos Neto. A operação havia sido recusada em fevereiro daquele ano. Vorcaro segue preso preventivamente desde o início de março.

Campos Neto não compareceu, nesta quarta, 8, à segunda convocação da CPI do Crime Organizado. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB), decidiu não prorrogar o inquérito.

A liquidação do Master

Galípolo detalhou à CPI como se deu a liquidação do Master. Logo que assumiu o cargo, o presidente do BC se deparou com os já conhecidos problemas de liquidez do banco. “É normal ver bancos que estão passando por uma dificuldade de liquidez tendo que vender ativos para fazer frente a essas necessidades”, ponderou.

“No caso do Master, o que chamou a atenção, logo no começo do ano da fiscalização e da supervisão, é que a carteira, ou seja, os ativos que estavam ali no balanço do Master, que estavam sendo vendidos para fazer liquidez, eram carteiras novas, não eram carteiras já existentes. É normal você vender um ativo que você já tem. Agora, você comprar e constituir um ativo novo, depois vendê-lo, para fazer liquidez, é […] pouco usual”, acrescentou Galípolo.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da TV Senado.

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