Para combater a desinformação e a onda de mentiras divulgadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ocupou a tribuna nesta quarta-feira, 13, e detalhou todo o histórico das ofensivas do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Central e da compra do Banco Master, o que só ocorreu na gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, no Banco Central.
Jaques Wagner disse que tomou a decisão de falar na tribuna porque Flávio Bolsonaro espalhou uma inverdade, uma “fake news”, citando o nome dele e do ex-governador e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, acusando ambos de ligação com o escândalo financeiro do Banco Master. Coincidentemente, disse o senador do PT, foi revelado no mesmo dia um áudio de conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, divulgado pelo portal Intercept Brasil, o que evidencia a proximidade dos dois.
“Eu fiz questão de levantar toda a linha do tempo para dizer ao senador Flávio Bolsonaro que gênese do Banco Master aconteceu no governo de Jair Bolsonaro e não na Bahia.”
“Diálogo profícuo de Flávio Bolsonaro e Vorcaro”
Jaques Wagner observou que no dia em que resolveu esclarecer as mentiras do senador Flávio Bolsonaro o colega de parlamento foi citado numa reportagem do Intercept Brasil, que traz à tona “um diálogo profícuo” entre o bolsonarista e o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Eu já aprendi, senhor presidente, que todos que sobem aqui, em geral, ou tribuna da Câmara dos Deputados, para dizer que eles são os arautos da honestidade, via de regra o tempo acaba provando que não era bem assim”, registrou o senador do PT.
Mas Jaques Wagner esclareceu que não ocupou a tribuna para falar das relações de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. “Vim aqui por conta da fake news que o senador Flávio Bolsonaro fez semana passada e para esclarecer que na Bahia não nasceu nenhum trambique. O trambique nasceu quando o Banco Central, que deveria fiscalizar o que estava acontecendo, não fiscalizou e permitiu que esse senhor Daniel Vorcaro pudesse fazer o rombo que fez de R$ 60 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito”, afirmou.
Linha do tempo no Banco Central
O líder do Governo Lula inicia a linha do tempo lembrando que em novembro de 2017 Vorcaro fez a primeira tentativa no Banco Central para comprar o Master. O presidente do BC era Ilan Goldfajn. “Rejeitaram a tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Master, que na época tinha outro nome”, disse Wagner. Nova tentativa ocorreu em 7 de janeiro de 2019. “De novo, o Banco Central do Brasil rejeitou a ideia da compra por entender que era absolutamente inconsistente.” Goldfajn ainda era o presidente do BC, apesar de já ter se iniciado o governo de Jair Bolsonaro, lembra Wagner.
A negativa do Banco Central se deu em 13 de fevereiro de 2019 por uma decisão unânime da direção do Bacen. A razão da negativa foi a insuficiência na demonstração da origem dos recursos utilizados na operação de compra**.
“Em 13 de agosto de 2019, o primeiro ano do governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, já com Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, eles fazem a terceira tentativa de compra (…) O Banco Central, sob a direção de Campos Neto, no governo de Jair Bolsonaro, aprova em 24 de outubro de 2019, a compra do Banco Master”, relembrou o parlamentar petista.
Jaques Wagner listou ainda que entre 2021 e 2024, o Banco Central mandou 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, “que não foram feitas”. O Banco Master, observou Jaques Wagner, dobrou sua captação no mercado exatamente na gestão de Campos Neto.
A liquidação do Banco Master, pontuou Wagner, só ocorre em outra gestão do Banco Central, de Gabriel Galípolo, indicado presidente da instituição por Lula.
“Quando houve a mudança do presidente do Banco Central, eles (o Banco Master) pularam de R$ 30,5 bilhões para praticamente R$ 60 bilhões.”
O que aconteceu na Bahia
O senador baiano explicou que havia na Bahia, quando Rui Costa tornou-se governador, uma “excrerescência, uma rede do supermercado estatal”. Essa foi uma herança do antigo PFL, depois DEM, explicou. Havia nesta rede estatal 250 lojas e três pontos de distribuição de alimentos, que davam prejuízo de R$ 80 milhões por ano. “Então, nós resolvemos e privatizamos (…) Quando nós privatizamos, o Cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio”, esclareceu Wagner.
O poder do Banco Master cresceu a partir da venda das operações de crédito consignado ao CredCesta, ao qual se referiu senador Jaques Wagner. “Eu só estou querendo mostrar que até o final de 2024 o Master aumentou suas captações seguradas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 30 para R$ 60 bilhões. Senhores, a gênese está aqui. O trambique foi feito aos olhos do Banco Central, sob a presidência do senhor Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro”, concluiu o senador.
E foi um Medida Provisória do governo Bolsonaro, finalizou Wagner, que autorizou o CredCesta a atuar no farto mercado de aposentados do INSS, aumentando os lucros do Banco Master. “Aí o faturamento do Banco Master sobe astronomicamente.”
Investigação urgente
Jaques Wagner defendeu que o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso do Banco Master, aprofunde todas as investigações necessárias. Ele reiterou que o PT concorda e defende todas as apurações, como o presidente Lula já deixou claro.
“Eu acho que o André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, tem que rasgar tudo que teve lá no Banco Master para que a gente saiba quem sustentou isso, porque não fui eu que sustentei, muito menos o presidente Lula.”