JUSTIÇA: Processo de cassação do vereador Renato Freitas é suspenso

Eleito democraticamente em Curitiba com 5.097 votos, o parlamentar e o PT denunciaram perseguição política da Câmara Municipal de Curitiba. Uma juíza da 5ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba, acatou o recurso de Renato e confirma que o parlamentar tem sido vítima de uma escalada de ofensas

Eduardo Matysiak

Vereador Renato Freitas, do PT

O pedido de cassação do mandato do vereador Renato Freitas (PT/PR), requerido pela Câmara Municipal de Curitiba, foi suspenso pela Justiça nesta quinta-feira, 19.

A juíza Patricia de Almeida Gomes Bergonse, da 5ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba, acatou o recurso de Renato e confirma que o parlamentar tem sido vítima de uma escalada de ofensas racistas e perseguições por outros vereadores.

Na semana passada, o Partido dos Trabalhadores (PT), a presidenta do PT Nacional, Gleisi Hoffmann, e a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, manifestaram solidariedade ao vereador e ressaltaram a importância da defesa da democracia, de resistir e lutar contra a direita racista.

Renato Freitas ressalta que a liminar foi um recado de que há limites legais, constitucionais e também democráticos aos procedimentos da Câmara Municipal de Curitiba. “A decisão comprova que a punição estabelecida pelo Conselho de Ética não respeita princípios basilares do direito, como a ampla defesa, o contraditório e o direito a um julgamento justo e imparcial”.

“A mensagem com ataques racistas que recebemos pelo e-mail do vereador relator do processo é muito grave! Disse que tem interesse em ver fora da Câmara, me chamou de negrinho e falou que eu deveria voltar para a senzala. Ele, que é juiz do meu caso, que deveria me julgar com imparcialidade, justeza e legalidade”.

Conforme o vereador, a formação do Conselho que julgou o procedimento ético-disciplinar, que está ocorrendo nesta casa de leis, se apresenta como absolutamente parcial. “O poder legislativo tem soberania, mas, como qualquer soberania, deve também respeitar os limites da Constituição e da democracia”.

Apuração de ofensas

Na liminar, a magistrada também determinou à Câmara que faça sindicância para apurar a origem do e-mail disparado pelo endereço do também vereador Sidnei Toaldo (Patriota) com o seguinte recado: “A Câmara de vereadores de Curitiba não é seu lugar, Renato. Volta para a senzala” e “Vamos branquear Curitiba e a região Sul, queira você ou não, seu negrinho”.

“Verifico a existência de indícios da probabilidade do direito postulado, no que diz respeito ao email recebido pelo autor, em data de 9 de maio próximo passado, em tese enviado do e-mail funcional do Relator do procedimento, Vereador Sidnei Toaldo (, objeto de abertura de Sindicância pela Casa de Leis. Referido e-mail…[sic] apontaria parcialidade e interesse do Relator, além de conter injúrias raciais, circunstâncias que se vieram a ser apuradas verdadeiras, poderão levar ao afastamento do Relator e nulidade procedimental”, escreveu a magistrada. “Isso porque, a Comissão Parlamentar Processante que tem por objetivo o julgamento de um de seus pares, deve ser órgão imparcial”, complementou a juíza.

A cassação de Freitas seria votada pelo plenário da Câmara nesta quinta-feira (19). O parecer pela cassação foi aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara de Curitiba no dia 10 de maio.

Perseguição

A perseguição imposta pelo Legislativo curitibano ao vereador ocorreu depois que ele comandou uma manifestação pacífica contra o racismo, na Igreja do Rosário, na capital do Paraná, no dia 5 de fevereiro de 2022.

Os manifestantes pediam justiça pelos assassinatos de dois homens negros, que tinham acontecido dias anteriores. Vários movimentos fizeram o mesmo pelo país.

Uma das vítimas foi o congolês Moïse Kabagambe, que cobrou atraso no pagamento de seus honorários, em um quiosque, no Rio de Janeiro, e morreu agredido violentamente. O outro foi o caso de Durval Teófilo Filho, assassinado por um sargento da Marinha, que supostamente o confundiu com um criminoso.

Da Redação, com informações da Revista Fórum

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