Ao defender o significado e a importância da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a contenção do avanço do autoritarismo global, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a extrema direita brasileira tem uma “visão submissa e subalterna”, desconectada do conceito de soberania.
“Aquele chapeuzinho do MAGA [Make America Great Again] que a direita botou na cabeça, para defender o tarifaço contra o Brasil, é uma história muito longeva, que as gerações anteriores resistiram. E é incrível, porque mesmo a direita latino-americana sempre foi nacionalista”, criticou Mercadante. O boné com o slogan usado por Donald Trump virou uma marca registrada dos Bolsonaro e de integrantes da extrema direita no Brasil.
O petista, ao discursar no lançamento da plataforma participativa que vai auxiliar na conclusão do programa de Governo de Lula, fez uma referência ao papel da família Bolsonaro para defender a cobrança imposta por Donald Trump de tarifas altíssimas à entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos e que, agora, fez uma gestão para que o governo estadunidense classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
“Em 1890, o William McKinley, que era um parlamentar americano, republicano, aprovou um projeto de lei de 50% de tarifas para todos os produtos exportados para os Estados Unidos. Não é de hoje esse movimento. Depois, o Congresso americano revê essa posição. Em seguida, ele é eleito presidente. Em 1897, ele volta com outro tarifaço, declara guerra à Espanha, e consegue anexar Porto Rico, o Havaí, as Filipinas, Cuba, como um protetorado, e começa a construção do Canal do Panamá”, citou Mercadante. O presidente do BNDES lembrou, ainda, da Doutrina Monroe, com Roosevelt, “em que a América Latina é uma área de influência, um destino histórico de subordinação aos interesses americanos”.
Pelo contexto atual e com a ascensão da extrema direita autoritária, a reeleição de Lula, pontuou Mercadante, terá impacto político global e é crucial para as economias que, ao longo da história, resistiram à lógica imperialista e neoliberal e apostaram em projetos de nação, como o Brasil.
Ao analisar o cenário geopolítico internacional, Mercadante destacou que Lula “é a grande voz da região para defender a paz”. “O Sul Global precisa de lideranças. Assim como a África precisou para combater o Apartheid do Mandela, a Índia precisou do Gandhi para sua independência, a América Latina e o Sul Global precisam mais do que nunca de Lula na liderança. Porque ele é a grande voz da região e do Sul Global para defender a paz, para discutir instituições multilaterais, para negociar com altivez com o autoritarismo que nós temos enfrentado em relações internacionais”, disse.
BRICS e Emergentes
Segundo Mercadante, o fortalecimento do BRICS e o crescimento das economias emergentes representam uma mudança histórica na correlação de forças da economia mundial. Ele lembrou que, em 1990, o G7 concentrava 45% do PIB global, enquanto o BRICS representavam 23%. Atualmente, afirmou, o BRICS já supera o bloco das maiores economias ocidentais.
“Houve uma alteração muito profunda na economia global, principalmente pelo dinamismo, pela capacidade de produção, de inovação e de industrialização que a China patrocinou”, disse.
O presidente do BNDES também defendeu a reconstrução dos organismos multilaterais e a retomada da diplomacia como eixo das relações internacionais.
“A ONU, depois da Segunda Guerra Mundial, os mecanismos de pactuação, de mediação, a diplomacia e não a guerra no centro das relações entre as nações. Nós temos que pensar qual é o lugar do Brasil e como vamos nos inserir de uma forma soberana”, afirmou.