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Juventude feminina ocupa espaços de decisão e fortalece a democracia

Edição 2026 do Jovem Senador reúne estudantes de todo o país e tem, pela primeira vez, uma Mesa Diretora formada exclusivamente por mulheres

Juventude aprendendo, na prática, como se constrói a democraciaFoto: Alessandro Dantas

A participação das mulheres nos espaços de decisão começa também na juventude. A edição de 2026 do Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros deu um passo importante nessa direção: pela primeira vez, a Mesa Diretora do programa é formada exclusivamente por mulheres.

O programa anual do Senado Federal aproxima estudantes do ensino médio da política e da democracia, proporcionando uma semana de vivência do processo legislativo em Brasília. A seleção é feita por meio de concurso de redação, aberto a estudantes de escolas públicas estaduais e do Distrito Federal, com até 19 anos. Cada escola escolhe uma redação para representar a instituição, que passa por uma pré-seleção das Secretarias de Educação e, depois, pela Comissão Julgadora do Senado, responsável pela escolha dos representantes de cada estado e do DF.

Entre os 27 estudantes selecionados este ano, representantes de todos os estados e do Distrito Federal, 23 são meninas, o equivalente a 85% dos participantes. A edição também registrou adesão recorde, com 239.449 estudantes de 5.361 escolas públicas envolvidos no concurso de redação.

Na eleição da Mesa, Iolanda Paiva Favacho Ribeiro, do Pará, foi escolhida presidente, tendo Maria Grasielle de Souza Félix, da Paraíba, como vice-presidente. A primeira e a segunda secretarias também ficaram com estudantes mulheres. A posse ocorreu no Senado Federal e marcou o início de uma semana de atividades legislativas, debates e construção de propostas. Neste ano, os jovens discutem o tema “Democracia nas redes sociais: como construir um debate saudável”.

Durante a cerimônia, o senador Paulo Paim (PT-RS), que conduziu a sessão, destacou a participação das meninas vencedoras do concurso.

“É a juventude feminina mostrando sua força e ocupando o seu espaço. São elas dizendo: ‘Nós estamos aqui, queremos participar, queremos ajudar a construir o nosso país’”, afirmou.

Durante o discurso, o senador lembrou ainda que sugestões apresentadas por participantes de edições anteriores do Jovem Senador deram origem a propostas legislativas que passaram a tramitar no Congresso. Para ele, a experiência demonstra que a participação dos jovens pode produzir resultados concretos.

De acordo com a Agência Senado, desde a primeira edição, em 2011, 54 sugestões legislativas foram apresentadas pelos jovens senadores e senadoras. Dessas propostas, 42 foram aceitas pelos “senadores reais” por meio da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e passaram a tramitar no Senado como projetos de lei (PLs) ou propostas de emenda à Constituição (PECs).

Entre as sugestões que passaram pela aprovação definitiva dos senadores e seguem em tramitação na Câmara dos Deputados, está, por exemplo, o PL que institui a aplicação de teste vocacional no ensino médio, e a oferta gratuita de cursos preparatórios para o ensino superior aos estudantes de ensino médio da rede pública.

O primeiro tem origem na SUG 2/2014, apresentada pelas jovens senadoras Ana Luiza Cabral Laet, Andrisley Kelly Pereira da Silva, Daniele Verza Marcon e Verônica Vicente Monteiro, que participaram da edição do programa em 2013. A proposta, que trata de incentivos fiscais para imóveis construídos com medidas para a redução do consumo de água e para maior eficiência energética, foi aprovada pelos senadores em sessão do Plenário no dia 20 de março de 2018 e aguarda decisão dos deputados federais.

Para Mazé Morais, secretária Nacional de Mulheres do PT, a experiência mostra que ampliar a presença das mulheres na política é também estimular, desde cedo, novas gerações a ocupar espaços de participação e decisão.

“Ver meninas ocupando espaços de decisão e assumindo o protagonismo na política mostra que a democracia se fortalece quando as mulheres têm voz. Nosso desafio é garantir que essa participação não seja exceção, mas uma realidade em todos os espaços de poder. É assim que construímos um Brasil mais justo, democrático e com a cara do seu povo”, afirma.

Da Redação do Elas por Elas.