Lula: Brasil e Alemanha dão exemplo de que o povo quer paz

Em declaração conjunta, os dois países mostram preocupação com conflito no Oriente Médio, reforçam parceria estratégica e importância do multilateralismo

Ricardo Stuckert/PR

Em declaração conjunta, Lula e Friedrich Merz reforçam laços entre Brasil e Alemanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, fizeram nesta segunda-feira, 20, em Hannover, uma declaração conjunta à imprensa, destacando o fortalecimento das relações bilaterais e a ampliação da cooperação em áreas estratégicas como energia, economia e governança global.

Lula, afirmou que a reunião entre Brasil e Alemanha também simboliza o compromisso comum com o multilateralismo, a paz e o desenvolvimento. O brasileiro defendeu o diálogo como caminho para enfrentar os desafios internacionais.

“No momento em que a humanidade está um pouco assustada com a quantidade de guerras, com a quantidade de gente que morre todo dia por guerras que não deveriam estar acontecendo, Brasil e Alemanha estão dando o exemplo nessa tarde de hoje de que, muito mais do que uma guerra, o povo quer paz”, declarou.

O presidente brasileiro voltou a defender a reforma das Nações Unidas, incluindo a ampliação do Conselho de Segurança, com apoio à participação permanente da Alemanha. Ambos os líderes ressaltaram a necessidade de soluções diplomáticas para conflitos internacionais e destacaram a importância da estabilidade global.

“Estamos profundamente preocupados com os riscos da retomada do conflito do Irã e de escalada no Líbano. A sobrevivência do Estado Palestino e de seu povo segue ameaçada. Na Ucrânia, a almejada paz permanece cada vez mais distante. Entre a ação dos que provocam guerras e omissão, dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada. Brasil e Alemanha defendem há décadas uma reforma que recupera a legitimidade do conceito de segurança”, disse Lula.

Friedrich Merz também fez apelos pela paz: “A reabertura do Estreito de Ormuz tinha sido anunciada e feita, e depois fecharam de novo. Por isso, os preços [do petróleo] aumentaram de novo. Nosso apelo vai para o Irã, de cessar-fogo. Nosso apelo vai também para os EUA para que procurem soluções diplomáticas. As implicações e consequências da guerra não atingem apenas o Oriente Médio, mas pode levar a uma desestabilização política”.

Os dois chefes de Estado também foram questionados sobre uma possível invasão de Cuba pelos Estados Unidos. Ambos enfatizaram não haver razões para tamanha interferência.

“Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política sobre como uma sociedade deve se organizar ou não”, disse o presidente Lula. O chanceler alemão, novamente, apelou por soluções diplomáticas: “Não vemos que exista algum tipo de perigo para países terceiros, então não sei porque seria necessário haver uma intervenção”.

Parceria robusta e dinâmica

 

Durante o encontro, Merz classificou o Brasil como um dos principais parceiros da Alemanha, ressaltando o caráter “robusto e dinâmico” da relação entre os dois países. O líder alemão enfatizou a importância de ampliar redes de cooperação diante das transformações na ordem industrial global e destacou os laços culturais entre as nações.

“Queremos expandir a rede e ser parceiros fortes, agradeço ao presidente Lula da Silva pela visita, pelas conversas francas e por ter sublinhado a importância da parceria estratégica”, declarou.

Em sua fala, o premiê ainda destacou que Brasil e Alemanha estão cada vez mais próximos, afirmando que cerca de 10% da população brasileira tem ascendência alemã e lembrando que o alemão é o segundo idioma estrangeiro mais falado no Brasil. 

O presidente brasileiro comemorou os bons resultados da sua visita oficial à Alemanha.“Firmamos acordos em áreas como cooperação e defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática. A Alemanha é a terceira economia mundial e nosso quarto parceiro comercial com intercâmbio de 21 bilhões de dólares”, informou.

Tecnologia do futuro

 

Um dos principais pontos da agenda foi o potencial do Brasil na produção de combustíveis sustentáveis. Lula destacou testes realizados na Alemanha com biodiesel brasileiro, indicando redução significativa nas emissões de carbono, que chegam a 90% a menos do que os níveis produzidos pelos combustíveis fósseis. Ele assegura que o Brasil tem condições de ampliar sua participação global no setor de energia limpa, utilizando áreas degradadas para expansão produtiva, sem comprometer a produção de alimentos.

Lula declarou que “o Brasil pode se transformar em uma espécie de Arábia Saudita do biocombustível”, e lembrou que existe um potencial imenso para a produção também no continente africano. 

“É só olhar pro mapa do mundo e a gente vai ver que tem o continente africano inteiro com muitas terras agricultáveis, que uma parte pode produzir alimento e a outra, biocombustíveis. O dado concreto é que nós temos que defender as alternativas que o mundo está precisando, que é a descarbonização do planeta Terra”, alertou. 

O primeiro-ministro alemão falou sobre ações conjuntas em tecnologia voltada à indústria verde. “O presidente Lula mostrou de forma impressionante como é possível avançar na área de biocombustíveis, e Alemanha está interessada em aprender com o Brasil e aprofundar a parceria na indústria automotiva”, afirmou. 

No campo econômico, os dois líderes reiteraram a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia para impulsionar investimentos e comércio. Também foram mencionadas oportunidades de cooperação em setores como defesa, inteligência artificial e tecnologias emergentes.

“Estamos mostrando ao mundo que ainda é possível tirar o caminho da prosperidade comum. Um acordo só se sustenta se há equilíbrio nas concessões feitas de parte a parte. Uma série de medidas adotadas pela União Europeia ameaça, no entanto, desnivelar os pratos dessa balança. É legítimo impulsionar políticas de descarbonização, preservação ambiental e desenvolvimento industrial”, comemorou o presidente Lula.

Menções ao futebol

 

A reunião foi marcada, também, por um tom descontraído, com menções ao futebol. O presidente Lula projetou um futuro encontro com o premiê alemão na final de Copa do Mundo.

“Se a Alemanha e o Brasil forem finalistas na Copa do Mundo, a gente convida o Trump para assistir à Copa do Mundo conosco, vendo a disputa entre o Brasil e a Alemanha. E certamente, desta vez, deve ser a vez do Brasil ganhar, porque na última vez a Alemanha ganhou de 7 a 1 do Brasil”, concluiu. 

Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Brasil. 

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