Lula na Indonésia: “Queremos democracia comercial, e não protecionismo”
Em visita oficial a Jacarta, Lula destaca acordos em comércio, energia, defesa e meio ambiente
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Em declaração à imprensa, o presidente Lula destacou nesta quinta-feira, em Jacarta, o compromisso do Brasil em aprofundar a parceria estratégica com a Indonésia, país membro do G20 e do BRICS. Após reunião com o presidente indonésio Prabowo Subianto, Lula ressaltou a relevância da cooperação entre as duas maiores democracias tropicais do planeta, e enfatizou que “o Brasil tem interesse em aprofundar o diálogo e a cooperação com a Indonésia nas mais diversas áreas”.
Durante a visita, foram firmados acordos em estatística, agricultura, energia, ciência e tecnologia, e promoção comercial. Segundo o presidente, esses instrumentos apontam na direção de uma relação mais sólida e diversificada.
Ele lembrou que o comércio entre os dois países triplicou nas últimas duas décadas, passando de US$ 2 bilhões para US$ 6 bilhões, mas considerou o volume ainda insuficiente.
“É quase inexplicável que dois países importantes, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes, tenham um comércio de apenas US$ 6 bilhões. É pouco para a Indonésia e é pouco para o Brasil”, afirmou.
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Comércio, energia e defesa
Lula anunciou que o Brasil e a Indonésia decidiram intensificar os esforços para transformar a parceria bilateral em um eixo fundamental da geografia econômica do mundo.
Entre os novos passos, o presidente Lula destacou a missão de avançar nas negociações para um acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a Indonésia até o final da presidência brasileira do bloco, em dezembro.
Lula também ressaltou o potencial conjunto nas áreas de defesa e energia. “O Brasil possui sólida base industrial militar e está disposto a contribuir para as necessidades estratégicas da Indonésia, em particular de sua força aérea”, declarou.
Sobre a transição energética, Lula afirmou que os dois países têm experiências complementares na gestão soberana de minerais críticos e na produção de biocombustíveis.
“Trabalharemos juntos para uma transição energética justa, rumo a economias menos poluentes e mais sustentáveis, sem abrir mão da geração de emprego de qualidade”, disse.
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Sul Global
Ao lado do presidente Subianto, Lula falou da convergência entre Brasil e Indonésia na defesa de um novo equilíbrio global.
“Indonésia e Brasil são nações determinadas a assumir o lugar que nos corresponde em uma ordem em profunda transformação”, afirmou.
O presidente brasileiro recordou o papel histórico da Conferência de Bandung, há 70 anos, na construção de relações internacionais baseadas na autodeterminação e no não alinhamento.
Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU como único caminho possível para uma paz duradoura no Oriente Médio.
Ele frisou ainda o apoio do Brasil ao ingresso da Indonésia no Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS) e elogiou o engajamento do país na luta contra a crise climática.
“A Indonésia tem sido um parceiro fundamental nessa luta. Somos detentores das maiores florestas tropicais e biodiversidade do mundo, e temos responsabilidade compartilhada com o futuro do planeta”, destacou.
Combate à fome e cooperação social
O presidente lembrou ainda a atuação conjunta na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, com apoio desde o início da Indonésia.
“Sabemos que não há desenvolvimento sustentável sem superar a fome e a pobreza”, afirmou.
Lula elogiou a política de alimentação escolar implementada pelo governo indonésio, agora integrada ao programa de implementação acelerada da Aliança.
O presidente encerrou seu discurso com uma mensagem sobre a necessidade de fortalecer o comércio e a integração entre os países do Sul Global, defendendo a utilização de moedas locais nas trocas bilaterais.
Ouça a coletiva de imprensa do presidente Lula pela Rádio PT
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“Tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercialização entre nós com as nossas moedas. O século XXI exige coragem para mudar o que não tivemos no século XX”, afirmou.
O presidente também destacou a importância de reduzir a dependência econômica e política de potências externas.
“Queremos multilateralismo, não unilateralismo. Queremos democracia comercial, e não protecionismo. Queremos crescer, gerar empregos de qualidade, porque é para isso que fomos eleitos”, declarou.
Da Redação
