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Mães com Lula: mulheres discutem rumos do país, maternidade e políticas públicas

Mais de 70% das mulheres brasileiras são mães. Debate chama atenção para a relação entre maternidade, violência e desigualdade

Plenária Nacional debate maternidade e desigualdade no BrasilFoto: Ricardo Stuckert

Mulheres do Brasil todo são convidadas a participar da Plenária Nacional Mães com Lula, que acontece nesta quinta-feira, 13 de agosto, de forma virtual.  A atividade, que é aberta para todas as mulheres, é uma iniciativa do Comitê Nacional Mães com Lula, espaço de mobilização e engajamento da campanha de Lula, e tem como objetivo discutir a situação das mulheres brasileiras, especialmente em relação à maternidade. 

Mais de 51% dos lares no Brasil são chefiados por mulheres e 70% das brasileiras são mães, de acordo com o IBGE.  As mulheres estão no centro da sociedade brasileira, são a maioria do eleitorado e querem discutir os rumos do país. 

Lizandra Dawany, secretária nacional adjunta de Nucleação do PT, ressalta a importância de mobilizar as mulheres e debater a maternidade com um olhar mais atento, direcionado às políticas públicas. 

“A maternidade também é uma ação política. A gente está falando de cerca de 75% das mulheres desse país, e tem um dado que eu acho que é super importante: de cada 10 mulheres que foram vítimas de feminicídio no nosso país 8 compartilhavam a guarda dos seus filhos com seus agressores. Quando a gente está falando da questão da maternidade, a gente está falando também, infelizmente, sobre violência de gênero, a gente também está falando sobre renda, porque a maioria das casas, 48%, são chefiadas por mulheres que são mães solos”, aponta.

 

Carta aberta 

O coletivo também divulgou uma Carta aberta – Carta das Mães com Lula –, mobilizando as mulheres a partir da pauta da maternidade.

Na carta, que já conta com assinaturas de nomes como as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Érika Kokay (PT-DF), as mães ainda ressaltam a sobrecarga dos trabalhos relacionados aos cuidados, que culturalmente são designados às mulheres.

Estamos sobrecarregadas, cansadas, exaustas, preocupadas em dar conta de tudo e de todos. Chefiamos mais da metade dos lares brasileiros. No Brasil, somos quase 11 milhões de mães solo. E ainda somos as maiores vítimas de feminicídio. Somos mães que trabalham em escala 6×1, fazem bicos, complementam renda. Trabalhamos em casa e na rua, se não as contas não fecham. E a nossa escala, dentro de casa, é 7X0. O tempo é escasso, sem descanso. E assim, vemos diminuir a convivência familiar, a participação na comunidade e a vida social. Sentimos culpa quando trabalhamos e culpa quando estamos em casa”, atesta o documento.

As mulheres destacam, ainda, a importância do momento político e do caminho futuro para a discussão de políticas públicas: “Somos mães brasileiras, convictas e determinadas. Estamos com Lula para defender a vida com dignidade na centralidade da política pública”.

A solidão da maternagem

Os dados sobre feminicídio também acendem o alerta: 70% das vítimas de feminicídio em 2025 eram mães, segundo o Relatório Anual de Feminicídios. A pesquisadora Ana Clara Ferrari, da Fundação Perseu Abramo, destaca que as mães brasileiras sofrem com o modelo econômico neoliberal, que deposita nelas a tarefa solitária de maternar. 

“Se tem um grupo político sofrendo com o modelo neoliberal, é o das mães brasileiras. Pesa sobre elas o papel estratégico e não remunerado de formar as novas gerações, que serão a força de produção do país”, explica. 

Ana Clara lembra que o pensamento conservador deseja que as mulheres sigam ocupando o ambiente doméstico, vulneráveis à violência e sem autonomia. Ela ainda denuncia que as mães têm uma posição socialmente frágil. 

“Ser mãe é fator de risco social. Quando mais filhos, mais vulnerável essa mulher está à violência de gênero.”

Num país como o Brasil que ostenta o número aproximado de 11 milhões de mães solo, a pesquisadora ainda chama atenção para a importância de políticas públicas que pensem a questão coletivamente. “Não existe política para mulheres no Brasil que não passe pela maternidade”, opina. 

Para incidir sobre essa agenda, a mobilização, o diálogo e a escuta de mães brasileiras tende a ser o ponto de partida para pautar uma ampla agenda de um novo modelo de desenvolvimento econômico, que coloque a vida com dignidade na centralidade, e implemente uma Política de Cuidados robusta, com ações efetivas para diminuir a sobrecarga das mães, proteger a primeira infância e garantir o envelhecimento saudável da população. 

Brasil no Espelho

Na pesquisa “Brasil no Espelho”, o sentimento geral do brasileiro pode ser expresso pela palavra “cansaço”. Outro aspecto relevante da pesquisa, que coloca a maternidade na ordem do dia, é o fato de a maioria das mulheres brasileiras (97% das negras e 96% das brancas) acreditarem que precisam ter filhos para se realizarem pessoalmente.