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Mulheres de direita ou progressistas vivem os mesmos dilemas na periferia, diz Janja

Em encontro de evangélicos do PT, primeira-dama destaca o enfrentamento à violência de gênero e o diálogo entre os religiosos e progressistas

Igrejas são locais de acolhimento para as mulheres e pastores precisam falar de violência, defende primeira-dama.Foto: PT/Divulgação

Importante voz no combate ao feminicídio e às diferentes formas de violência contra as mulheres, a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, destacou a importância das igrejas para prestar atendimento às mulheres e defendeu o diálogo com comunidades evangélicas para a construção de uma sociedade mais justa. Janja foi convidada especial do IV Encontro de Evangélicos e Evangélicas do PT, em Brasília (DF), e participou do painel “Comunicação, território e esperança popular”.

A socióloga relatou sua experiência de aproximação com grupos de mulheres evangélicas ao longo do último ano e explicou que a a iniciativa nasceu da necessidade de ouvir diretamente os desafios enfrentados por essas mulheres em seus territórios e compreender quais os obstáculos para a aproximação entre elas e o campo progressista. “O nosso objetivo é estar com o coração aberto”, afirmou. Segundo ela, as reuniões começaram porque sentiu a necessidade de dialogar não apenas como primeira-dama, mas como mulher.

“Eu sei que a maior parte das nossas mazelas sociais atinge muito fortemente a vida das mulheres”, afirmou. Janja ressaltou que os impactos dessas desigualdades, em especial na saúde, educação e segurança, recaem de forma ainda mais intensa sobre aquelas que vivem em contextos de maior vulnerabilidade social. “As mulheres da periferia são as que mais sofrem e que são atingidas por quase todas as dificuldades sociais”, disse.

Ao destacar que o campo progressista acredita em valores do Evangelho, descritos na Bíblia, Janja pontuou que os problemas enfrentados pelas mulheres nas periferias ultrapassam divisões partidárias. “As dificuldades que as mulheres sentem em seus territórios são as mesmas entre mulheres progressistas e de direita. Não existe essa separação”, observou.

A primeira-dama afirmou que ouvir essas experiências foi fundamental para compreender quais barreiras ainda existem entre o campo progressista e setores da população evangélica.

Janja enfatizou o papel das igrejas como espaços de acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade. “As igrejas também são porta de entrada para mulheres vítimas de violência que vêm buscar socorro”, afirmou. 

“Não é uma disputa política, é uma disputa de princípios”

Ao abordar o cenário eleitoral, Janja defendeu que o debate público seja pautado por valores e compromissos com a vida das pessoas. “Eu sei que esse ano é um ano difícil, um ano em que vamos para uma disputa”, afirmou. Para ela, o momento exige serenidade e convicção. “Devemos ir com o coração tranquilo. Não é uma disputa política, é uma disputa de princípios, ética, de moral, colocando tudo aquilo que a gente acredita em jogo.”

A primeira-dama também incentivou os participantes a levarem esses debates para suas comunidades religiosas e a defenderem publicamente suas convicções. “Precisamos voltar para as nossas igrejas e falar e assumir as coisas que acreditamos. Isso não tem nada de errado”, declarou.

Em sua fala, Janja relacionou a fé à necessidade de políticas públicas capazes de garantir proteção e dignidade para as mulheres. “Além de Deus cuidar de nós, a gente precisa de um Estado que também cuide de nós, de uma sociedade que também cuide de nós”, afirmou. Ela citou a violência doméstica, a insegurança e a violência nos territórios periféricos como desafios que exigem ação coletiva e responsabilidade pública.

“Quando falamos sobre violência contra a mulher é preciso que os nossos companheiros e pastores falem sobre isso”, acrescentou, defendendo que o tema seja tratado também no ambiente das igrejas.

Encerrando sua participação, Janja destacou o protagonismo feminino nos processos eleitorais e afirmou acreditar que as mulheres terão papel decisivo novamente. “Eu acredito que somos nós, mulheres, que vamos decidir esta eleição, como decidimos em 2022. Porque a gente sabe tudo o que nos afeta e conhece as angústias que enfrenta no dia a dia. E também sabe qual é o papel do Estado para ajudar a diminuir essas dificuldades e quem tem condições de fazer isso acontecer”, declarou.