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No Ceará, Lula e Elmano defendem educação pública como principal aposta para o futuro

Na convenção estadual do PT, candidatura do governador à reeleição é oficializada. Presidente diz que conta com ajuda do povo brasileiro para manter a democracia

Lula participou da convenção, no Ceará, que oficializou o nome de Elmano de Freitas à reeleição para o governo.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da convenção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Ceará nesta sexta-feira, 31, evento em que ficou oficializada a candidatura do governador Elmano de Freitas à reeleição no estado. Lula esteve acompanhado de seus principais aliados cearenses, os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) – que vai disputar a reeleição -, além do próprio Elmano e da candidata a vice na chapa, Gabriella Aguiar (PSD).

No discurso, Lula afirmou que, enquanto puder, não permitirá que a ultradireita volte a governar o Brasil. “E eu vou dizer mais: que venha ajudá-los quem quiser vir. O Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia nesse país”, disparou Lula, referindo-se aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, que apoiam o candidato da extrema direita brasileira à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lula assegurou que vai continuar investindo na educação pública do país para que a juventude não seja aliciada pelo crime organizado. “Nós precisamos apostar na nossa meninada: estudar engenharia, estudar inteligência artificial, estudar matemática, para que a gente possa competir com a China, para que a gente possa acabar com a arrogância do Trump”, indicou.

O presidente reiterou que, assim que o plano de reformulação da segurança no país, a proposta de emenda constitucional (PEC) da segurança pública, for aprovada no Congresso Nacional, ele criará o Ministério da Segurança Pública. O objetivo, segundo o presidente, é debelar o crime organizado transnacional. “Para que o governo possa ter uma intervenção mais forte na questão da segurança pública”, explicou.

“Não é para matar pobre, não. Não é para prender só pobre da periferia. Nós queremos é combater o crime organizado, o cara que mora em um apartamento de cobertura, o cara que é responsável pela venda de droga, o cara que é responsável pela roubalheira, pelo contrabando nesse país”, prosseguiu Lula.

Investimentos em educação

Em seu discurso, Lula criticou as classes mais ricas por não terem investido na educação como deveriam em 500 anos. Lula lamentou a falta de sensibilidade geral dos governantes ao longo dos séculos e a incapacidade do modelo econômico brasileiro de conceder direitos básicos à maior parte da população. “Ninguém no mundo escolhe ser pobre, ninguém no mundo escolhe ser analfabeto, ninguém no mundo escolhe passar fome”, rebateu.

“É o ‘sistema’ que deixa as pessoas ignorantes, que deixa as pessoas com fome, que deixa as pessoas sem profissão. Alguém no mundo faz a opção de não ter profissão? Alguém faz? Ninguém faz”, acrescentou Lula.

O petista ponderou que, apesar de não ter tido oportunidade de estudar, foi ele quem fez mais universidades e institutos federais na história do Brasil.

“Quando nós chegamos na Presidência, tinham 6 milhões no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje, nós temos 25 milhões no mercado com diploma universitário. E é pouco. É pouco. Nós precisamos chegar a 40, a 50, a 60 [milhões]”, contabilizou.

Um governador da educação pública

Elmano de Freitas saudou a militância petista que lotou o auditório para a convenção. O governador levantou a bandeira da educação pública como legado de sua administração no estado e fez questão de dizer que seus antepassados não tiveram a oportunidade de estudar. “Meu avô nunca entrou em uma escola. E o meu pai estudou até o quarto ano primário. E nós fomos trabalhando para poder ir melhorando a escola do estado”, orgulhou-se.

“Esse ano, já passaram na faculdade […] 74 mil jovens da escola pública […] Isso é o Ceará forte: é quando o filho do pobre e da doméstica entram na faculdade. O Ceará é forte quando o filho do agricultor entra na faculdade. O Ceará é forte, e do lado certo, quando o povo melhora de vida”, pregou Elmano.

O governador mencionou programas do Governo Federal voltados à educação, como o Pé-de-Meia, e ressaltou a importância de reeleger Lula em outubro.

Sucesso na segurança pública

Ao falar de segurança pública, Elmano listou as medidas bem-sucedidas tomadas por ele para combater o crime organizado: contratação de mais policiais, inteligência, fortalecimento da Polícia Civil do estado e aplicação de tecnologia.

“Com os dados do Ministério da Justiça, o Ceará é o estado que mais reduz violência do Brasil inteiro. Se nós éramos, até ano passado, o estado considerado de maior índice de violência. Agora, nós somos o décimo. Fortaleza, que era a quarta capital mais violenta, agora é a décima nona. Porque nós temos trabalho na segurança e trabalho para prevenir a violência, com políticas para a juventude”, comemorou o petista.