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Farmácia Popular transforma vidas, alivia o bolso e terá exames de graça

Hoje, 41 medicamentos e insumos são oferecidos gratuitamente. Programa, criado por Lula, já atendeu 20 milhões de pessoas e será aperfeiçoado. Governo Bolsonaro fez corte na política

Durante o governo de Jair Bolsonaro, chegou a enfrentar um corte de 59% em seu orçamentoFoto: Vinícius Fonseca /Site do PT

Maria Edna de Paula Gomes, a Lia, tem 61 anos, é cozinheira e mora em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Há cerca de 20 anos, ela retira gratuitamente em farmácias próximas de sua casa os medicamentos de uso contínuo que precisa para tratar diabetes e pressão alta. Lia é beneficiária do Farmácia Popular, programa criado no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que  já atendeu mais de 20 milhões de brasileiras e brasileiros.

E a ideia é fazer ainda muito mais, aperfeiçoando o Farmácia Popular. A chapa Lula-Alckmin vai ampliar o programa num futuro mandato e ele vai oferecer, além de medicamentos, exames de sangue e de urina gratuitos — indispensáveis ao monitoramento de doenças e à detecção de alterações que possibilitem um tratamento adequado. Também vai oferecer teleconsultas gratuitas a pessoas com diabetes e hipertensão nas farmácias credenciadas.

Criado em 2004, o Farmácia Popular passou por diferentes fases ao longo de mais de duas décadas. Durante o governo de Jair Bolsonaro, chegou a enfrentar um corte de 59% em seu orçamento. Com a volta de Lula à Presidência, em 2023, o programa ganhou novo impulso e voltou a ser ampliado.

Hoje, todos os 41 medicamentos e insumos que integram o elenco são oferecidos gratuitamente para o tratamento de 12 indicações. O fortalecimento da política e novas formas de ampliar seu alcance também aparecem nas propostas e diretrizes do programa de Lula para um próximo mandato.

“Nunca faltou medicação”, conta Lia

À Rede PT de Comunicação, Lia contou que conheceu o Farmácia Popular por meio de uma conversa com a vizinha. “Ela me viu comprando [os medicamentos] e falou: ‘Você não pega remédio na farmácia, não?’. Eu respondi que não e ela me mostrou o que tinha que fazer.” Depois, a cozinheira procurou o médico, renovou a receita e passou a retirar os remédios gratuitamente. “Até hoje eu uso o Farmácia Popular, porque ele me ajuda muito.”

Segundo a cozinheira, o acesso tem sido constante ao longo dos anos. “Sempre que precisei levar a receita, eu peguei. Nunca tive falta da medicação”.

Para Lia, isso significa poder sair de uma consulta sabendo que terá condições de seguir o tratamento prescrito. “É uma coisa fundamental para a nossa saúde. Nós contamos com isso”.

O impacto também aparece no orçamento. “Se isso cortar, tem gente que não tem condição de comprar medicação, porque vai faltar para outras coisas. Então é fundamental e muito importante para o povo brasileiro”, afirmou.

Saúde para todos

O Farmácia Popular não é restrito a pessoas de baixa renda ou beneficiárias de programas sociais. Qualquer cidadão pode retirar gratuitamente os medicamentos contemplados, desde que apresente documento com foto e CPF e uma receita válida, emitida pelo SUS ou pela rede privada.

O programa complementa a assistência farmacêutica oferecida diretamente pelo SUS por meio de uma rede de farmácias e drogarias credenciadas.

Para o presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Fábio José Basílio, essa característica está na origem da política. “O programa Farmácia Popular surge para ser complementar à assistência farmacêutica, principalmente na atenção básica, que é coordenada pelos municípios, e em uma situação de auxílio às pessoas que tinham acesso a médicos da rede privada e não conseguiam retirar os medicamentos do SUS com estes receituários”, disse.

A expansão da rede credenciada ampliou esse alcance. Segundo Basílio, “após o surgimento do ‘Aqui Tem Farmácia Popular’, com a adesão de milhares de farmácias privadas, este acesso ficou muito maior e atende quase todo o território nacional pela capilaridade das farmácias incluídas no programa”.

De acordo com o Ministério da Saúde, os estabelecimentos estão em cerca de 5 mil municípios, com alcance de aproximadamente 97% da população brasileira. A pasta destacou que essa capilaridade ajuda a reduzir barreiras financeiras e geográficas e favorece a continuidade de tratamentos, especialmente de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e asma.

O alcance aparece nos números. Em 2025, o Farmácia Popular atendeu 27,3 milhões de pessoas, recorde do programa e um crescimento de 32% em relação a 2022. Somente no primeiro semestre de 2026, mais de 20 milhões de beneficiários já haviam sido atendidos.

Para o presidente da Fenafar, a gratuidade também tem impacto direto na continuidade dos tratamentos. “Sabemos que, para muitos brasileiros, os custos com medicamentos dificultam a adesão aos tratamentos, e a gratuidade do acesso no programa Farmácia Popular traz este conforto e tranquilidade, pois o cidadão sabe que não vai precisar pagar pelo medicamento tão necessário para seu tratamento”, afirmou Basílio.

Segundo ele, a garantia de acesso pode ter reflexos mais amplos sobre a saúde da população. “Isto traz segurança para o cidadão e adesão aos tratamentos, o que leva a um número menor de agravos e internações”.

Desde fevereiro de 2025, todos os insumos distribuídos são gratuitos. Entre as condições e indicações contempladas estão hipertensão, diabetes, asma, osteoporose, colesterol alto, rinite, doença de Parkinson, glaucoma e anticoncepção.

O programa também fornece fraldas geriátricas para pessoas com 60 anos ou mais e para pessoas com deficiência que tenham indicação de uso. Além dos documentos de identificação, é necessário apresentar prescrição, laudo ou atestado médico que comprove a necessidade. No caso de pessoas com deficiência, o documento deve informar a Classificação Internacional de Doenças (CID).

Quem está acamado ou impossibilitado de comparecer à farmácia também pode ter medicamentos ou fraldas retirados por representante legal ou procurador. Nesses casos, são exigidos a receita válida e os documentos de identificação do beneficiário e do representante, além da comprovação da representação legal ou procuração.

A rede do Farmácia Popular também integra a estrutura de distribuição do Programa Dignidade Menstrual, que oferece absorventes gratuitamente aos públicos que atendem aos critérios da política. Segundo o Ministério da Saúde, 519 milhões de absorventes já foram distribuídos.

Para fazer a retirada, é preciso apresentar documento oficial com foto e CPF e uma autorização do Programa Dignidade Menstrual, válida por 180 dias, que pode ser emitida pelo Meu SUS Digital e apresentada de forma impressa ou digital. Quem tiver dificuldades para obter o documento pode buscar apoio em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), no CRAS, CREAS, Centro POP ou Consultório na Rua. Menores de 16 anos podem retirar os absorventes sem a presença de responsável legal.

De 2004 à gratuidade total

O Farmácia Popular nasceu em 2004 como uma política complementar à oferta de medicamentos pelo SUS. Dois anos depois, passou a funcionar também por meio de farmácias e drogarias privadas credenciadas, com o “Aqui Tem Farmácia Popular”, ampliando sua presença pelo país.

Em 2011, no governo da presidenta Dilma Rousseff, medicamentos para hipertensão e diabetes passaram a ser distribuídos gratuitamente pela ação Saúde Não Tem Preço. No ano seguinte, a gratuidade foi estendida aos medicamentos para asma.

Uma nova fase de expansão começou em 2023, com a retomada do credenciamento de estabelecimentos, a ampliação da gratuidade e a incorporação da rede à distribuição de absorventes do Programa Dignidade Menstrual.

Em 2024, 95% dos itens já eram oferecidos gratuitamente. Em fevereiro de 2025, a gratuidade chegou a todo o elenco do programa.

Superada a etapa da gratuidade total, um dos desafios agora é fazer o programa chegar com mais facilidade a lugares onde a presença de farmácias credenciadas ainda é limitada.

Uma regulamentação publicada em agosto de 2026 prevê a modernização dos sistemas usados pelos estabelecimentos participantes e abre caminho para o estudo de novos formatos de atendimento. Entre as possibilidades estão ampliar o credenciamento nas periferias e buscar alternativas para comunidades ribeirinhas e regiões de difícil acesso onde não há farmácias privadas disponíveis. Unidades volantes e estruturas avançadas de atendimento estão entre os modelos a serem avaliados.