Nunca Mais: PT relembra horror da Ditadura 61 anos após golpe

Presidente Lula destacou que a data precisa ser lembrada para se dar valor à democracia, direitos humanos e à soberania do povo

Evandro Teixeira / Site do PT

“Nosso povo, com muita luta, superou os períodos sombrios de sua história", disse Lula, sobre os 61 anos do golpe

Jamais esquecer o passado para que nunca mais se repita. Na segunda-feira (31), lideranças do Partido dos Trabalhadores foram uníssonas na defesa da democracia e na condenação, além da hipocrisia bolsonarista, do golpe militar contra o povo brasileiro em 31 de março de 1964.

Naquele dia fatídico, os generais mergulharam o Brasil em 21 longos anos de destruição das instituições democráticas e dos direitos humanos, com perseguições, torturas, morte e desaparecimento de mais de 400 pessoas, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

“Nosso povo, com muita luta, superou os períodos sombrios de sua história. Há 40 anos, vivemos em um regime democrático e de liberdades, que se tornou ainda mais forte e vivo com a Constituição Federal de 1988. Esta é uma trajetória que, tenho certeza, continuaremos seguindo. Sem nunca retroceder”, escreveu o presidente Lula em publicação na rede social X.

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Lula destacou que a data precisa ser lembrada para se dar valor à democracia, direitos humanos e à soberania do povo para eleger líderes e traçar seu futuro, além de fortalecer o país “contra as ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver”, assinalou o presidente, ao falar que só com democracia é possível ter justiça social e desenvolvimento inclusivo.

“Não existe justiça sem a garantia de que as instituições sejam sólidas, harmônicas e independentes”, sublinhou ele no post que foi compartilhado pelo presidente do PT, senador Humberto Costa (PT-PE).

Golpe e muita corrupção

As duas décadas de ditadura militar foram também uma catástrofe do ponto de vista econômico, com aumento desenfreado da desigualdade social, desemprego, inflação e achatamento dos salários em meio a muita corrupção estatal. A herança maldita dos anos de chumbo inclui o endividamento do setor público e o gravíssimo aumento da desigualdade social, que o presidente Lula tanto se empenha para ter fim.

“O ambiente do regime militar era “ideal para práticas corruptas”, afirmou à BBC Pedro Henrique Pedreira Campos, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

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A democracia resiste

Desde os atentados em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus generais tentaram dar um novo golpe, a extrema direita vem desavergonhadamente pedindo anistia para os criminosos que agiram contra o Estado de Direito em 2022 e 2023. Mas o Brasil resiste.

“Hoje reafirmamos nosso repúdio à censura, à tortura, à perseguição e a todo autoritarismo. É dia de honrar a memória de quem perdeu pela liberdade e gritar: nossa democracia resiste, viva e forte! Ditadura nunca mais!”, postou o senador junto com vídeo com imagens da repressão dos militares. “31 de março: lembrar para não repetir”, ressaltou Humberto Costa.

Parlamentares do partido usaram as redes sociais para enfatizar “ditadura nunca mais” e “sem anistia” e aproveitaram para expôr a hipocrisia bolsonarista.

Sem anistia para golpista

“Neste 31 de março, em que completam-se 61 anos do golpe de 1964, é preciso reafirmar em alto e bom som, é sem anistia pra golpista!”, bradou o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ) em postagem na rede X. Ele apontou a hipocrisia da extrema direita.

“Sempre defenderam sofrimento de pena, tortura e ditadura. Agora questionam penas “excessivas” para os golpistas e clamam por “direitos humanos” que eles tanto desdenhavam. Do nada esqueceram do ‘bandido bom é bandido morto’?”, questionou Lindbergh.

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“Bolsonaro não está nem aí para Débora ou para as “senhorinhas com a Bíblia”. Ele nunca foi um humanista. O que ele quer com esse PL é salvar a própria pele, uma anistia para não pagar pelos seus crimes.

Sem verdade, sem vida

Lindbergh postou também um testemunho da ex-presidenta Dilma Roussef sobre os horrores da ditadura. “O que mata na ditadura é que não há espaço para a verdade, porque não há espaço para a vida”, afirmou Dilma Roussef no vídeo, frase destacada por Lindbergh.

“Sem anistia! Que ninguém mais ouse atacar a nossa liberdade”, enfatizou a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) em postagem com vídeo em que relata alguns horrores que ela e sua família sofreram nos anos da ditadura. “É pior ainda imaginar que os bolsonaristas pretendiam armar um novo golpe à nossa democracia”, escreveu Benedita no post que foi compartilhado pelo líder Lindbergh Farias.

“Lembrar é resistir”, diz senador

Ao reafirmar a defesa incondicional da democracia e do diálogo como instrumento de ação política, o senador Jacques Wagner (PT-BA) se juntou ao grupo dos que pedem ditadura nunca mais e sem anistia.

“O dia 31 de março serve pra gente lembrar de um passado que não queremos mais. Ditadura nunca mais! Sem anistia”, escreveu ele em sua conta no X.

“Lembrar é um ato de resistência. É garantir que nunca mais a democracia seja destruída. Por isso, seguimos na luta para que o Brasil nunca volte a ser governado pela força das armas, mas pela vontade soberana do povo! Ditadura nunca mais!”, assinalou o senador Rogério Carvalho (PT-SE) em suas redes sociais

Carvalho afirmou ainda que o país ainda enfrenta tentativas de grupos antidemocráticos que querem reescrever a tenebrosa história que começou com o golpe militar em 1964. “Querem acabar com os crimes da ditadura, transformar ditadores em heróis e a violência em “revolução”. Não vamos permitir”, ressaltou.

Da Redação, com site BBC

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